Suicídio não tem graca, depressão não é piada

Aqui em casa meu filho vai aprender que:

– chinelo serve para calçar;

– cinta serve para segurar as calças;

– a palma da minha mão serve para várias coisas, mas agredi-lo não é uma delas.
Meu filho vai aprender que, não importa o momento da vida que ele esteja passando, ele sempre vai encontrar em mim e no pai dele ouvidos atentos aos seus problemas. Que ele sempre pode contar conosco. Que a colaboração nos afazeres da casa é tarefa de todos que vivem nela, mas que aqui não achamos que depressão e ansiedade são falta de “ter a pia” cheia de louça pra lavar. 
Vocês que estão fazendo piada e compartilhando o “desafio da preguiça azul” ou “desafio da havaiana azul”, insinuando que adolescentes capazes de se automutilar e até se suicidar são desocupados e merecem apanhar, apenas se perguntem se é a vocês que seus filhos recorrerão num momento de dificuldade. Apenas imaginem se, menosprezando os adolescentes e seus conflitos psicológicos (e eventuais transtornos), vocês serão o porto seguro deles. Ou se eles irão buscar apoio em outros adolescentes ainda mais desorientados. Se você acha que esses adolescentes estão só querendo atenção, ué, e quem no mundo não está? Quem não precisa de atenção, amor e cuidado? De onde vem essa ideia deturpada de que, quando alguém pede atenção, devemos virar as costas ou reagir com violência?
Como diz a minha mãe, filho não se perde na rua, mas sim dentro de casa. Perde-se na falta de diálogo, de atenção, de cuidado.
Em vez de ficar compartilhando piada sem graça ou alertando sobre o perigo de as crianças aceitarem balas de estranhos (a grande novidade de 1985), olhemos com atenção para os nossos filhos, para as crianças e jovens do nosso convívio. Sejamos seus confidentes, ofereçamos apoio livre de julgamentos, façamos que saibam que não estão sozinhos. 
A quem precisar de alguém que lhe ouça: EU ESTOU AQUI.
(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 19/04/2017, bem como na página Mama Neném em 20/04/2017)

10 meses

Dez meses de você na nossa vida, meu amor! Dá pra acreditar? Quanta alegria, quanto amor, quanto aprendizado! Quanto tenho crescido com – e por – você!
A cada dia tenho abraçado essa oportunidade incrível de me educar para ser uma mãe melhor. Você me ensina muito, filho. 
Continua aventureiro, descobrindo novas possibilidades a cada segundo. As pessoas me perguntam se eu não trabalho, e o engraçado é que eu nunca antes trabalhei tanto na vida! O trabalho de cuidar de você não me permite distrações, não tem pausa para o cafezinho, horário de almoço, não tenho nem a chance de ir ao banheiro sem plateia! Eu amo cada segundo ao seu lado, mas isso não quer dizer que seja moleza. Seu papai de vez em quando tem uma palhinha: no final de semana, quando divide comigo a função de cuidar de você o dia todo, ele percebe o quanto sua energia é infinita.
As coisas não estão ficando mais fáceis agora que você está arriscando seus passinhos sem apoio. Mas não estou reclamando, não. Cada conquista sua é uma alegria enorme. 
Cada vez que você faz uma coisinha fofa eu me derreto, como repetir o som de uma palavra que eu disse, fechar a torneira quando eu peço, envolver meu pescoço entre os braços quando eu peço um abracinho. Quando esmaga a gata e faz carinho nos amiguinhos, quando abre um sorriso enorme e dispara em direção à porta ao ouvir o papai chegar. Quando toca os instrumentos musicais em casa ou na aulinha de musicalização. Quando mergulha e faz festa na piscina. Quando faz questão de dividir comigo seu alimento. Quando arranja qualquer fio disponível para chacoalhar diante da Sam para brincar com ela. Quando canta junto comigo as musiquinhas de que mais gosta. Quando explora o funcionamento das coisas. Quando continua encontrando em meu seio o alimento, o aconchego e a segurança de que precisa. 
É claro que nem só de coisas fofas é que se vive: não está fácil lidar com você rasgando e comendo meus livros, se enfiando em cantinhos inapropriados dos quais muitas vezes não consegue sair, usando o movimento de pinça para catar qualquer porcaria do chão para comer, escalando a estante e outros móveis, alcançando objetos colocados em cima da mesa para você não pegar, tirando a fralda e fugindo pelado para fazer xixi no chão do quarto, quase arrancando meu nariz se eu não fizer logo “BI-BI” quando você o aperta (brincadeira ótima que eu fui inventar), me mordendo com seus sete dentes já bem crescidinhos.
Mas, sim, tudo vale a pena! A gente vê o chão da sala coberto de brinquedos e livros espalhados, e não troca essa bagunça por nada! 
Nesse mesversário a mamãe não conseguiu fazer um bolinho baby friendly porque passamos o dia todo fora. E foi uma delícia celebrar seu décimo mês na companhia dos seus amiguinhos e de pessoas que amamos. Mas a nossa festinha em família nunca falta. Amamos você mais do que tudo, filhote! 

(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 21/03/2017)

9 meses

Filho,
Você foi concebido no dia 21/08/2015. Exatamente 9 meses depois, você veio ao mundo, em 21/05/2016. E hoje faz 9 meses que eu amo você do lado de fora do meu ventre. 
Esse mês foi especial. Entre outras coisas, você conheceu (e adorou) o mar! Passamos férias deliciosas com seu pai e sua vovó Maria. Você descobriu a textura (e o sabor) da areia. Brincou na piscina, aprendeu a subir escada, comeu mais do que nunca e se divertiu muito! 
Também começou a natação. A primeira aulinha foi meio tensa, você não curtiu o mergulho. Mas na segunda já se soltou e se divertiu muito, mesmo mergulhando! O coração da mamãe ficou mais tranquilo! Começou ainda a aulinha de musicalização para bebês, que é pura alegria. Ao chegar em casa depois da primeira aula, deslanchou a tocar seu pianinho como nunca antes. O papai já achou que compensou o investimento, hahaha!
Agora está bem mais fácil nos comunicarmos, meu amor! Você já sabe expressar com gestos e sons quando quer algo, e também quando não quer. Para o que está fazendo quando escuta a palavra “não”. Guarda objetos dentro de recipientes (adora caixas), abre e fecha as portas e gavetas, tira as coisas de dentro dos armários. Transforma várias coisas em instrumentos de percussão (o baldinho virado, caixas, prateleiras), batendo com as mãos ou com baquetas improvisadas. 
Desce do sofá bonitinho, sem ser de cabeça. Anda pela casa se apoiando nos móveis, dá tchau, bate palmas, manda beijos. Combina sílabas em sons que parecem palavras. Fica em pé sem apoio por alguns segundos e se agacha em seguida. Finge que vai mamar e aí faz “prrrr” assoprando o meu peito. 
Aprendeu a miar imitando a Samantha. Faz carinho na mamãe, no papai, na Sam, na vovó e em amiguinhos mais novos. E quando faz carinho, afina a sua voz dizendo “hmmm” como a gente faz com você. Lança olhares cheios de doçura. Encontra posições para dormir totalmente espalhado em cima de mim, para tentar evitar que eu saia da cama após você adormecer. 
São várias descobertas diárias e eu não consigo listar todas, mas gosto de escrever aquelas de que me lembro, para você ler um dia. E para eu ler nos próximos anos, quando já não recordar desses detalhes tão gostosos do seu desenvolvimento. 
Ah! Hoje pela primeira vez você comeu com a gente o bolo do seu mesversário, feito por mim com muito amor, com farinha de trigo integral, sem açúcar e sem leite. Você adorou!
Amo ser sua mãe, amo crescer com você. Amo ver o mundo pelos seus olhinhos. Amo você mais do que tudo! ❤
Feliz mesversário, meu amor!
Mamain

Redescobrir o mundo por outros olhos

Ter um bebê é se surpreender todos os dias. Você pode conhecer mil crianças, ler a respeito, ouvir com atenção e interesse legítimo os relatos de amigas mães, mas nada se compara à sensação de alegria e assombro de acompanhar diariamente um ser tão pequeno, que ainda ontem acabava de nascer, descobrindo o mundo e suas possibilidades de uma forma tão rica e intensa.

De um dia para o outro, você já não consegue mais esconder alguma coisa embaixo de uma almofada e fazer o bebê acreditar que aquele objeto proibido simplesmente desapareceu: ele vai passar por cima de você e erguer a almofada. A trava do armário, que você imaginava que ele ia levar alguns meses para descobrir como abrir, é desvendada na segunda tentativa. Nenhuma tomada ou fio da casa escapa de sua visão. 

Aprende a rolar, virar, desvirar, se arrastar, sentar, ficar de pé, engatinhar, subir e descer das coisas, escalar móveis, se soltar e ficar de joelhos ou sentar novamente, abrir e fechar portas e gavetas, vocalizar muitos sons diferentes, encaixar peças, comer, atirar objetos, demonstrar carinho, alegria, entusiasmo, frustração, raiva, tristeza, dor, pedir comida, pedir colo, andar com apoio (e logo sem), leva vários tombos até que aprende a não cair ou a cair do jeito certo. Compreende os conceitos de dentro e fora, atrás e na frente, em cima e embaixo. Quanta plasticidade nesse cérebro! É aprendizado demais em tão pouco tempo!

No quarto do Ivan temos um globo terrestre que acende ao ligar na tomada. Desde bem pequenininho ele adora ficar girando o globo, mas hoje pedi ao André que o guardasse, porque o Ivan tem gostado de mastigar o cabo elétrico e isso obviamente não me parece seguro. Quando o Ivan olhou para o local onde costumava ficar o globo e viu que não estava mais ali, começou a chorar. André e eu nos olhamos sem entender, e sem acreditar que o bebê pudesse estar percebendo a ausência do objeto. Ivan percorreu o ambiente com os olhos e encontrou o globo guardado no alto do seu guarda-roupas. Olhava para o globo e depois para mim fazendo beicinho, claramente me pedindo para pegar para ele. Eu disse que não podia, e ele começou a olhar em volta e tentar escalar nos móveis próximos, sempre olhando para o objeto almejado.

Mesmo sendo apaixonada por bebês, eu nunca antes imaginaria que eles fossem tão espertos! Fico chocada (e apaixonada) ao ver o quanto eles entendem o que dizemos e o que acontece. A compreensão deles é muito mais avançada do que a maior parte das pessoas imagina. 

O cansaço é enorme – li outro dia que as mães de bebês vivem num estado de hipervigilância que se compara ao dos soldados na guerra, e nem mesmo dormindo seus cérebros descansam de verdade – mas a recompensa também é.

Esse texto é de autoria de Oksana Guerra e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 08/01/2017. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a autorização da autora.

Cada dia, uma surpresa

Observando não apenas o meu, mas também os bebês das minhas amigas, fico cada dia mais impressionada em ver como eles são esponjinhas absorvendo conhecimento o tempo todo. A gente tenta ensinar alguma coisa e na hora eles muitas vezes parecem não ter entendido nada. Até que, em algum momento, eles nos surpreendem executando a lição como se tivessem ficado ensaiando escondido.

Foi assim com as palminhas. Ninguém havia batido palmas na frente do Ivan naquele dia, e ele simplesmente começou a manifestar alegria daquela maneira. Ou ontem quando eu disse “dá tchau pra vovó” e ele acenou para ela com a mãozinha, eu mal acreditei. E quando eu disse outro dia “dá um abracinho na mamãe” e ele abriu os bracinhos e encostou a cabeça no meu peito. Hoje o vi tentando fazer rodopiar no chão a tampa de um baldinho dele, do jeito que o papai sempre faz pra ele. Agora há pouco, estávamos na cama, eu tentando fazê-lo dormir e ele cheio de energia brincando. Pedi a ele “faz carinho na mamãe”, e ele, que estava me dando tapinhas, parou e começou a me alisar com a mãozinha. Que fase mais deliciosa essa depois dos 6 meses! Cada dia fica melhor, cada mês, mais descobertas.

É muito evidente que precisamos estar sempre atentos às nossas palavras, gestos, ações, porque eles estão sempre observando e, ainda que não pareça, registrando tudo em seus cerebrinhos. Em algum momento esse conhecimento vem à tona.

Fico pensando que é como se eu fizesse aulas de alemão e nunca abrisse a boca, nem anotasse nada, não respondesse sequer ao Guten Morgen do professor. E um dia desatasse a falar fluentemente.

Esse texto é de autoria de Oksana Guerra e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 16/01/2017. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a autorização prévia da autora.

Oito meses

Filhote, parabéns por mais um mês de vida. Hoje faz oito meses que você está aqui, nos fazendo mais felizes a cada dia.

Agora você já bate palmas, dá tchau e piscadinhas sedutoras. Explora todos os cantinhos da casa, abre portas, gavetas, travas. Sobe na cama, escala nos móveis, anda sozinho se apoiando neles. Os tombos ainda são frequentes, mas cada vez você aprende melhor o jeito de cair sem se machucar. Experimenta soltar as mãozinhas e fica alguns segundos em pé. Fica de joelhos e de cócoras. É também um bebê dançarino. Ah, e canta muito.

Dá abraço, beija e faz carinho. Mas também dá tapas e mordidas. Já tem 6 dentes, e eles já fizeram mamãe chorar de dor algumas vezes.

É uma delícia ver você brincar com a Samantha, jogando um brinquedo para ela e gargalhando com as reações da gata. Adora jogar bola e engatinhar atrás dela pela casa toda. A máquina de escrever da mamãe é outro brinquedo que faz muito sucesso. Termina o dia com as perninhas e pés encardidos, e faz bastante bagunça na banheira.

Continua aceitando bem novos alimentos, anda tentando usar a colher sozinho para pegar comida e levar à boca, e oferece o que estiver comendo para quem está perto. A primeira vez que fez isso foi no mês passado, quando colocou um brócolis na cara do chefe do papai na festa de fim de ano da empresa. De lá para cá esse altruísmo se intensificou: até os brinquedos babados você quer que a gente também experimente, tira da sua boca e coloca na nossa. Sabe expressar perfeitamente quando quer mais comida (faz um “hummm” nervoso e característico enquanto bate com as mãozinhas na bandeja).

Já faz tempo que balbucia, mas hoje num momento em que me afastei você veio engatinhando atrás de mim e eu e seu papai ouvimos você dizer certinho “mamain”!

Filho, já nem sei mais enumerar suas habilidades. São várias novas toda semana, conquistadas em saltos de desenvolvimento que nos proporcionam noites agitadas e dias cheios de emoção.

Você é um menino lindo, inteligente e muito carinhoso! Seu jeito doce nos faz transbordar de amor. Não há nada mais emocionante que o seu rostinho se iluminando ao me ver! Sua alegria ao ver o papai chegar! Agradeço todos os dias à natureza por ter me abençoado com a graça de ser sua mãe!

Amo você!
Mamain

Texto de autoria de Oksana Guerra, originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 21/01/2017. 

Sobre construir uma relação de confiança 

Muita gente pensa que os bebês não entendem quase nada. Eu já penso que eles entendem quase tudo. Ainda falta a eles a capacidade de se expressar com palavras, mas isso não significa que não compreendam o que se passa a seu redor e o que dizemos a eles.

Já faz alguns meses que o Ivan dorme cedo, e depois que ele adormece eu o deixo na cama sozinho, e vou para a sala ver TV, comer alguma coisa, curtir momentos a sós com o marido. Antes de deixar o bebê, eu sussurro em seu ouvido “mamãe vai para a sala. Se precisar de mim, é só me chamar”. E ao primeiro sinal de que ele acordou, eu corro para o quarto, e já chego dizendo “mamãe está aqui! Você chamou e mamãe já veio”.

Nas primeiras vezes, ele chorava ao acordar e se perceber sozinho no quarto. Com o tempo ele foi notando que eu logo vinha, e parou de chorar: ele apenas me chama, da maneira que consegue. Apenas diz “aah”. E me espera.

Em vez de tentar descer da cama sozinho (o que sempre faz quando eu estou junto com ele no quarto), ele senta na cama, olhando para a porta, e espera eu chegar. E quando eu chego, sorri e bate as mãos nas perninhas fazendo festa. Deito ao seu lado, às vezes ele quer mamar, outras vezes só precisa da minha presença. E adormece novamente.

Sinto que estou construindo a independência do meu bebê da forma que eu julgo correta: com confiança, com carinho, com amor. Ele sabe que estou por perto se ele precisar, e com isso a cada dia ele precisa um pouquinho menos.

2016: uma retrospectiva para Ivan


Filho amado,

Está chegando ao fim o ano em que você nasceu. 2016 tem muitos críticos, mas não se assuste, meu amor: minha memória é boa o suficiente para lembrar que, no ano passado, quando você morava ainda na minha barriga, muitas pessoas clamavam “acaba logo, 2015”, e o mesmo aconteceu com os anos antecedentes.

E não será diferente com 2017. Eu sei que é estranho, filho, mas as pessoas conservam a crença de que a vida nesse planeta não está difícil por causa delas próprias, mas sim por culpa de uma folha no calendário.

Para mim, essa fatia de tempo que chamamos de 2016 ficará para sempre marcada como o ano em que tudo mudou porque você chegou.

Comecei o ano repleta de expectativas. Seu pai e eu viajamos, saímos muito, registramos em fotografias o crescimento da minha barriga. Ele me acompanhou às consultas médicas, exames e se emocionou sempre que sua imagem apareceu no ultrassom. Choramos juntos de alegria ao ouvir seu coração pela primeira vez.

Passei por momentos estressantes no trabalho. Com você morando em mim e os hormônios trabalhando intensamente, foi mais difícil que nunca ter que tolerar indelicadezas gratuitas. Várias vezes eu me escondia no banheiro para chorar, e achava que não ia suportar até o início da minha licença.

Eu me preparei muito para receber você, mas confesso que romantizei um tanto sua chegada. Cometi o erro de acreditar que, por ter planejado muito, estava tudo sob o meu controle. Mas nada estava. Descobri isso da pior forma, e conheci a maior dor do mundo: ver você sofrer.

Conhecemos de muito perto a maldade humana e o despreparo de uma profissional que jamais deveria trabalhar com pessoas, muito menos com mulheres em trabalho de parto. Fui abandonada, num momento de intensa dificuldade, por pessoas em quem confiei demais. Senti o maior medo que uma mãe pode sentir, o de perder um filho. Enfrentei com você a UTI, o julgamento, a culpa. Suportei dores terríveis para passar horas ao seu lado, sem cansar. Quis morrer cada vez que espetavam uma agulha em você. Tive vontade de tirá-lo da incubadora e correr com você nos braços até a nossa casa.

Os primeiros meses não foram fáceis. O puerpério foi sombrio. Minha confiança estava dilacerada e eu não conseguia ouvir a minha intuição. Tinha muito medo de errar, de falhar de novo com você. Cedi a conselhos equivocados e isso quase nos custou a sua amamentação. Lutei de forma ferrenha, empenhei todos os meus esforços porque eu não ia perder mais essa batalha. Vencemos!

Depois do seu terceiro mês, tudo mudou. A cada dia foi ficando mais fácil. Ou não. Os desafios continuaram, mas eu fiquei mais forte. Reencontrei a confiança perdida. Voltei a olhar no espelho e ver a mulher que você merece como mãe.

E é com muita alegria que tenho acompanhado o seu desenvolvimento. Como digo sempre no seu ouvido: você é muito amado, é lindo, inteligente, esperto, amoroso, carinhoso, corajoso, você é uma pessoa do bem. Traz luz no seu sorriso e paz no seu olhar. Você é especial.

Filho, sou grata a você por ter me ensinado mais sobre o amor nesse ano da sua chegada do que eu aprendi em toda minha vida. Meu amor por você é tão grande que transborda esse eixo mãe-filho: sobra muito para sentir por mim mesma, por seu pai, por sua avó e todos os nossos antepassados. Pelos amigos, pelas mulheres maravilhosas que formam uma rede de apoio fantástica. Sobra amor para dividir com todas as pessoas que estão por aqui desde sempre e com as que entraram em nossa vida nesse ano.

No mundo lá fora aconteceu um montão de coisas ruins. Golpes, guerras, crimes, muita maldade. Em alguns dias temos a impressão de que o mal está vencendo. Mas aqui dentro, graças a você, eu renovo minha fé no bem. Você é uma semente dele, meu amor. Você e seus amiguinhos, crianças amadas que estão sendo criadas de um jeito diferente, com amor e respeito, com potencial para trazer a esse mundo um pouco mais de luz.

Com você por aqui, só posso agradecer por esse ano em nossas vidas, e tenho certeza de que 2017 será um ano ainda mais incrível para nós.

Amo você, filhote!

Mamãe

Sete meses

Filho amado, hoje faz sete meses que você chegou. Mais um mês que vivemos na sua companhia, aprendendo a cada dia com você.

Você já sabe se sentar sozinho quando deixo você deitado. Levantar e ficar em pé com apoio, segurar seu copinho para tomar água e, com um pouco de ajuda, levar a colher com comida à boca. Experimentou muitas frutas, vegetais e ovo.

Faz bagunça na banheira. Já engatinha do seu jeito e quando cansa se arrasta pra onde quer ir. Faz posições dignas de um mestre yogi. Já tem dois dentinhos, o terceiro está nascendo e o quarto já se nota a caminho. Fica o tempo todo com a linguinha sentindo os dentes na gengiva, o que rende carinhas muito engraçadas nas fotos.

Canta para dormir, também tenta cantar junto comigo sua música preferida (continua sendo “O Pato”, de MPB4), brinca com a nossa gatinha, Samantha. Durante o dia, se eu pergunto “cadê o papai?”, você olha para a porta para ver se ele está chegando.

Adora grama e terra. Não dá bola para vídeos por mais de 30 segundos. Está aprendendo a descer da cama sozinho (sem ser de cabeça). Fez sua primeira viagenzinha de carro, conheceu o Papai Noel, viu espetáculo de Natal, foi ao cinema, subiu ao topo de um moinho, foi a vários parques, fez passeios, visitou pessoas e recebeu visitas, teve encontros com amiguinhos, foi a festas, museus.

Filhote, você nos encanta todos os dias com seu jeito carinhoso, seu chamego, seu bom humor. Seu pai e eu continuamos adorando seu bafinho de leite, seu cheirinho de anis estrelado depois da massagem do papai, suas tentativas de beijos que nos cobrem de baba.

Sou grata por mais esse mês de alegria, amor e aprendizado com você, meu anjo.

Amo você mais do que tudo!

[Esse texto é de autoria de Oksana Guerra e foi publicado originalmente em seu perfil pessoal no Facebook em 21/12/2016, às 21h59, enquanto o bebê dormia. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a prévia autorização da autora.]

Seis meses

Meio ano de você na minha vida, filho. Ser mãe é mais um jeito de compreender a teoria da relatividade: esses seis meses passaram muito rápido, parece que, se eu me distrair por um instante, você já não será mais um bebê. E, ao mesmo tempo, quase não consigo mais lembrar como era a vida sem você. Sinto que sou sua mãe desde sempre. Que sua chegada não passou de um reencontro muito esperado.

Seis meses nutrindo você com o meu leite. Hoje parece pouca coisa, e é apenas o começo. Mas houve vários momentos em que pensei que não chegaria tão longe. Agora já estou confiante para dizer: você vai mamar até quando quiser, enquanto continuar bom para nós dois.

 

Já nem sei dizer o tanto de coisa que você aprendeu nesse tempo. Aproveite, meu filho, depois que a gente cresce não é mais tão fácil aprender coisas novas.

 

Agora você já senta sozinho, foge se arrastando, rolando e gargalhando quando digo “eu voooou pegar esse neném”, tenta engatinhar, insiste em ficar de pezinho quando dou a mão para você. Chora dizendo “nhenhenhem” e eu demoro para atender, porque esse choro é tão fofinho. Descobriu o pipi e consegue arrancar a fralda sozinho. Dorme agarrado em mim para eu não poder sair da cama. Faz um beicinho que me corta o coração. Continua tendo o bafinho de leite que eu amo. Começamos ontem sua introdução alimentar e descobri o que já desconfiava: você vai ser bom de garfo. Não faz careta pra nada.

Você, seu pai e eu temos nos divertido muito juntos. Todos os dias são repletos de descobertas, muito carinho, beijos babados e abracinhos gostosos, passeios alegres e muitos motivos para sorrir. Nunca pensei que a vida pudesse ser tão boa. Continuo repetindo: grata por você ter me escolhido!

 

Parabéns pelo seu sexto mesversário, Ivan!

[Esse texto é de autoria de Oksana Guerra, e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook, em 21/11/2016. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a prévia autorização da autora]