O que eu quero

Para ouvir enquanto lê o texto:

Há uma diferença entre o que queremos e o que pensamos que queremos. Entender essa diferença é essencial para a satisfação pessoal. 

Segundo conta uma lenda corporativa, quando a Sony estava produzindo o primeiro modelo de Walkman, um grupo de pessoas foi convidado para ajudar a decidir a cor do aparelho. As opções eram: amarela ou preta. O grupo logo concordou que compraria o amarelo, que era muito mais esportivo e interessante que o preto, tão comum. Como forma de agradecimento pelo tempo e atenção dos voluntários, a Sony teria oferecido a eles um Walkman de brinde, deixando uma mesa de cada lado da porta de saída, uma com os modelos na cor preta e outra com os aparelhos amarelos. Com exceção de uma pessoa, todas as demais pegaram um Walman preto.

Não me lembro onde ouvi ou li essa história pela primeira vez. Mas, numa das fontes disponíveis, o autor faz a sua própria interpretação dos possíveis motivos pelos quais as pessoas disseram que queriam uma coisa e acabaram escolhendo outra. Segundo ele, as pessoas teriam ficado com vergonha de admitir perante o moderador do grupo que não gostaram do Walkman amarelo, porque isso seria rude. Além disso, elas não teriam coragem de discordar publicamente do grupo.

Com todo respeito à opinião citada, ouso discordar. Acredito que as pessoas disseram preferir o amarelo porque gostariam de ser as pessoas que escolheriam aquele modelo. Pessoas esportivas e fora do comum. Que se atrevem, que se arriscam, que não se importam com o que os outros vão pensar. Porém, chega a hora de efetivamente fazer uma escolha e elas preferem o caminho mais seguro.

Manter-se na zona de conforto é tão automático que tenho até minhas dúvidas se isso deve ser chamado de “escolha”. Se você faz o mesmo caminho de casa ao trabalho todos os dias, e numa determinada manhã decide fazer um percurso alternativo, precisa ficar mais atento que de costume enquanto dirige, caso contrário fará o trajeto de sempre sem nem perceber. 

É muito provável que essa tendência a escolher a opção mais prudente seja um resquício evolutivo dos perigos presentes em nosso ambiente ancestral. Através da seleção natural, sobreviveram os genes que assegurariam a sobrevivência num ambiente inóspito.

Não há mais animais selvagens à espreita. Sim, há muitos perigos lá fora, mas nenhum deles me paralisa de verdade. Se existe algo que pode me manter bem distante dos meus sonhos, é a falta de ânimo para vencer a inércia, a falta de coragem de fazer diferente, a preguiça, a falta de vontade. Estar acomodado não significa estar contente. Num dia frio, o esterco fresco e quente pode ser a salvação de um pé descalço. Nem por isso enfiar o pé na merda virou a definição da felicidade.

Hoje vou de Walkman amarelo.

Imagem do comercial de lançamento do Xperia pela Sony.
Imagem do comercial de lançamento do Xperia pela Sony.
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