Amar dói?

love can hurt

 

(Atenção: o vídeo contém imagens não recomendadas para crianças. E é melhor não ver no seu trabalho)


 

Gosto de uma música chamada “Only love can hurt like this” (Só o amor pode machucar assim). Gosto da sonoridade, da voz da intérprete (Paloma Faith), do clipe. Mas sei que o que diz a letra não é verdade, porque o amor não dói, nem fere.

Você lê isso e instantaneamente brotam em sua memória lembranças sofridas, de relacionamentos passados e talvez até do atual. Quem sabe você lembre da briga que teve na semana passada. Começou como uma discussão boba, mas terminou com seu coração doído. Chorando no chuveiro, com uma sensação de abandono. Ou rolando na cama, tentando entender o que aconteceu. E você pensa que estou falando bobagens e Paloma Faith é que sabe das coisas, porque só o amor consegue machucar desse jeito.

Eu insisto: o amor não machuca. Mas eu jamais disse que relacionamentos não o fariam.

Quando duas pessoas decidem dividir entre si o melhor de si mesmas, é inevitável que tragam também o pior. Mesmo que queira, acima de qualquer coisa, o bem de quem ama, eventualmente você o fará sofrer. E haverá dor para você também.

O que fere, no entanto, não é o amor. É a insegurança. É o ciúme. É a sua dificuldade em lidar com críticas. É a falta de sensibilidade do outro ao fazer uma crítica. É a intolerância. É a impaciência. São os defeitos que trazemos conosco para o relacionamento, e que vêm à tona no exercício da convivência.

O que é o amor, então? E onde ele se esconde enquanto o relacionamento pega fogo?

O amor é a força que move o arrependimento sincero quando percebemos que uma atitude ou palavra nossa causou sofrimento em quem amamos. É a energia que nos envolve motivando o perdão. É o calor do abraço na reconciliação. Essa dor que você sente não é amor. O amor é a cura. É o “bom dia” acompanhado de um sorriso a cada despertar. É dividir a coberta no sofá ao notar que o pé do outro está gelado. É oferecer um carinho, um cuidado, um copo d’água ou o auxílio financeiro de que o outro está precisando naquele momento. É ir ao mercado e lembrar que o cereal dele acabou. É comer só metade do último pãozinho.

O amor pode se revelar, sim, em grandes gestos. Mas ele se manifesta com maior frequência nos detalhes que passam despercebidos na rotina. Durante as turbulências ele aguarda, paciente, pelo momento de fazer sua mágica. Ele não se desgasta tentando brilhar onde não há pessoas dispostas a colocá-lo em prática.

Quando permitimos, porém, o amor nos toma e nos move. Ele nos conduz e nos guia. O amor nos acalenta ao ponto de acreditarmos que aquela discussão boba na semana passada foi a última vez que choramos ou perdemos o sono. Não é verdade. Sofreremos novamente. Feriremos outra vez. Mas não é por mal que o amor nos leva a crer numa ilusão. Ele quer apenas acreditar que seremos melhores.

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