Quem nunca?

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Você já sentiu uma saudade de algo que não sabe o que é? E uma vontade de estar em algum lugar que não sabe onde fica? E um desejo de comer alguma coisa cujo sabor desconhece? E sonhou em trabalhar numa profissão que não foi inventada ainda? E sentiu cansaço sem ter feito nada? E teve um nó na garganta que não descia? E continuou com sede depois de beber água? E quis inventar um nome para a sensação desconhecida? E todos os médicos falharam em diagnosticar? E a música que você precisava ouvir ainda não foi composta? E mesmo que não fizesse calor, nem frio, você ficou desconfortável? E quis fugir sem saber de quê? E quis empreender uma busca rumo ao desconhecido? E faltou disposição para se mover? E quis chorar, mas os olhos estavam secos? E quis gritar, mas sentiu vergonha? E tentou sorrir, mas pareceu forçado? E quis comer, mesmo sem ter fome? E depois de comer, seguiu vazio? E desejou “bom dia” e o som dessas palavras pareceu estranho? E se perguntou depois se é assim mesmo que se diz? E depois cogitou se estaria pirando? E buscou silêncio, mas não havia? E quis dormir, sem sono, só para não estar presente? E quis mudar, sem saber como? E sentiu uma angústia que não tem razão de ser? E não quis reclamar, porque, afinal, a vida é boa? E escreveu um texto sem saber como termina?

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