Projeto 365 dias: dia 19 – Pequenas grandes coisas

Quando decidimos morar juntos, meu marido e eu compramos uma casinha simples, numa região bem afastada do centro de Curitiba – onde nós dois trabalhávamos. Era a opção que cabia no nosso bolso.

Durante quase cinco anos, tivemos que dirigir no mínimo 40 km por dia, para ir ao trabalho e voltar. Não havia comércio perto de casa que ficasse aberto até tarde, e só umas duas pizzarias tinham serviço de entrega na região. O transporte público era péssimo, com poucos ônibus, que faziam um percurso longuíssimo e demorado. Quando queríamos sair à noite, fazer um curso ou praticar alguma atividade física, era necessário planejar com antecedência, levar roupas, ir direto do trabalho, e chegar bem tarde em casa. Não havia condições de ir para casa, tomar um banho e depois sair de novo.

Em julho de 2014, mudamo-nos para um apartamento no centro de Curitiba, a quatro quadras do meu trabalho. Podemos dormir até mais tarde, temos diversas opções de lazer, delivery de culinárias variadas, vamos a pé para muitos lugares, eu pude vender meu carro. Nossa qualidade de vida aumentou significativamente.

O interessante é que, embora não tenhamos saudades de viver na nossa casinha, nem pensemos em voltar a morar nela, a vida lá nunca foi um sofrimento para nós. Nem mesmo o fato de eu ter me envolvido em dois acidentes graves na BR que pegava todos os dias foi motivo de trauma para mim. Foi triste e assustador, é claro, mas meu espírito – e o do meu marido também – é dotado de uma capacidade de regeneração muito grande.

À noite, depois do trabalho e de todas as demais atividades, chegávamos ao nosso lar cansados, porém felizes. Olhávamos à nossa volta e, mesmo com o pensamento voltado ao que ainda tínhamos para conquistar, nosso coração se alegrava com o que já era nosso. Nosso espaço, nosso cantinho, nosso conforto. Da nossa janela, não era possível ver muito longe, mas apreciávamos as flores brotando no jardim, as cores no pedaço de céu que era nosso.

No novo lar, descobrimos outras alegrias. Temos uma gata, que materializa tudo que eu sempre sonhei num animal de estimação: é companheira, carinhosa, adora colo (estou me virando para digitar com ela deitada sobre mim agora), dorminhoca. Temos mais espaço para receber os amigos, e estamos mais próximos deles também.

E uma coisa incrível que ganhamos foi a vista. É incrível a sensação de paz que enxergar o horizonte proporciona. De vez em quando, ao acordar, fico alguns minutos na janela observando o mundo, antes de decidir o que vou vestir. Hoje fiz isso ao chegar do trabalho. É quase uma forma de meditação.

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Ser feliz, muitas vezes, não exige mais do que isso: valorizar a vida que se leva. E isso não significa dar às coisas – boas ou ruins – importância maior do que elas têm. Não significa se apegar excessivamente. Hoje estou aqui, amanhã já não sei. Mas enquanto estiver, quero apreciar cada minuto que eu puder.

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