Quem sou eu?

Quem sou eu? Eis uma pergunta cuja resposta evolui com o sujeito.

Na infância, aprendi a pronunciar e, mais tarde, a escrever meu próprio nome. E o da minha mãe. No início da minha vida, essas informações bastavam para dizer quem eu era.

Com o tempo, memorizei outros dados e números. Endereço, telefone, RG, CPF, matrícula, senhas. Adquiri gostos próprios, passei a fazer escolhas, e minha família já não bastava para definir quem eu era. As músicas que eu ouvia, os lugares que frequentava, os amigos que eu tinha, minhas habilidades, minha aparência, tudo isso fazia parte de um pacote identificável como “eu”.

Um dia escolhi uma profissão, e muita gente passou a me identificar pelo que faço. Então eu casei e virei também a esposa de alguém. As escolhas de antes talvez tenham definido quem são meus amigos hoje. E meus amigos de ontem certamente influenciaram nas escolhas cujas consequências me acompanham até hoje.

Um dia percebi que algumas características que me definiam para o mundo não eram verdadeiramente minhas. Comecei uma jornada – ainda em curso – para descobrir, mais uma vez, a resposta à pergunta que abre esse texto. Quem sou eu, afinal? Sou resultado dos meus fracassos e conquistas, ou fracassei em alguns propósitos e tive êxito em outros em razão de ser quem sou?

Não é raro acontecer de as pessoas acharem que eu mudei quando apenas resgatei algo que foi sempre meu. Uma situação específica serve de metáfora para ilustrar essa situação: depois de mais de quinze anos alisando o cabelo, assumi a natureza de meus cachos. Muita gente – que só me conheceu “lisa” – quer saber que tipo de processo químico eu fiz para enrolar meus cabelos. Não fiz nada, essa sou eu mesma. Apenas me libertei.

É claro que a forma, cor e comprimento dos meus cabelos não definem quem sou eu. Mas, quando decido aceitar e amar minhas particularidades, sinto-me mais próxima de quem eu sou.

Seguir esse caminho exige coragem. Preciso me libertar do desejo de atender às expectativas alheias e me conformar com o fato de não agradar a todos. Algumas vezes, tenho que ir contra o senso-comum ou enfrentar opiniões contrárias de pessoas que prezo. E talvez o mais difícil: preciso superar alguns planos que eu mesma fiz para mim.

A busca por quem eu sou é uma sucessão de rompimentos e novos elos. É preciso ruir estruturas arcaicas para erigir novas construções. Que um dia já não me servirão também.

E lá, bem distante da superfície, num lugar que ainda desconheço, talvez resida a resposta para essa persistente e inquietante questão. Quem sou eu?IMG_3743

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3 comentários em “Quem sou eu?

  1. Estou bem feliz com sua decisão. Devo dizer que fiquei, tipo “como assim alisou o cabelo?” Da primeira vez que vi. Mas tudo bem. Até tinha acostumado. E você está sempre bonita. Mas devo confessar que adooooro seus cachos. Welcome back curly locks!

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    1. Super difícil, Ana Márcia! Mas em algum ponto, é imprescindível, já que a gente convive com expectativas tão diferentes… E se for pra desapontar alguém, melhor que sejam os outros do que a gente mesma, hahaha…
      E viva os cachos amados! ❤

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