Porque eu preciso do feminismo

Quando eu tinha oito anos de idade, minha mãe me mudou de escola no meio do ano. Fui recebida de braços abertos por uma professora muito querida. Somente por ela. Meus colegas me desprezavam e faziam questão de me lembrar o tempo todo do quanto eu não era bem-vinda. Do quanto eles preferiam que eu tivesse continuado na minha escola antiga. E do quão feia eles me achavam. Eu nem era feia assim, mas eles insistiram tanto nisso que acabaram me convencendo.

Eu era uma das alunas mais inteligentes da turma. Minhas notas eram as mais altas, e eu nem precisava me esforçar para tanto. Isso fazia meus colegas me odiarem ainda mais. O meu primeiro dia de aula naquela escola foi também o primeiro de outra menina. Linda, loira, de olhos azuis. Ela foi bem recebida por todos os colegas, meninos e meninas. Aos oitos anos de idade aprendi que, se você é uma menina, ser bonita é essencial, e ser inteligente não ajuda em nada.

Ainda naquele ano, a professora organizou um concurso de verbos. Ao final de uma semana conjugando verbos diversos em vários tempos diferentes, eu não somente venci, mas fui a única da sala que não errou nenhum verbo, em nenhuma pessoa, em nenhum tempo. O prêmio era passar um final-de-semana com a professora, que era nossa heroína naquela idade. Em segundo lugar, ficou um menino e, em terceiro, uma menina, que não era minha amiga e nem mesmo me tratava bem naquela época. Como eu havia sido a campeã, a professora me deu o direito de escolher se eu queria ou não que a menina que ficou em terceiro lugar recebesse o prêmio também, ou seja, se eu aceitava que ela fosse junto comigo passar o final-de-semana na casa da professora.

Eu pensei bastante a respeito e concluí que não era justo, mas tive medo de dizer isso e alguém achar que eu gostava do menino – mais do que como colega. Na dúvida sobre como me expressar sem me comprometer, disse apenas que preferia não levar a menina. Aos oito anos de idade, eu aprendi que um menino e uma menina podiam até ser colegas, mas a amizade entre eles não era muito incentivada. Não era “certo” que o menino fosse junto comigo desfrutar do meu almejado prêmio. E, ante minha recusa em levar a menina que nem gostava de mim, a professora chamou minha mãe para conversar sobre o meu comportamento. Aprendi que, como menina, era minha obrigação ser gentil e cordial até com quem não gostasse de mim (embora minha mãe não tenha concordado que havia algum problema no meu comportamento e achasse que, uma vez que me foi dada a oportunidade de escolha, essa escolha devia ser respeitada). Aprendi também que um menino, mesmo tendo ficado em segundo lugar, sairia prejudicado porque a interação entre meninos e meninas tinha seus limites.

Levei anos conquistando amizades naquela escola. Na sétima série do antigo primeiro grau (não me perguntem a que fase do ensino fundamental isso corresponde hoje), minha mãe decidiu me mudar de colégio, depois de eu ter levado duas suspensões por mau comportamento – em situações que, se eu fosse um menino, teriam sido consideradas normais. Na nova escola, conheci o meu pior algoz. Um menino da turma me humilhava por eu ser feia, mas também – e especialmente – por ser menina. Fazia piadas cruéis em relação a minha aparência, meu corpo, meu rosto, meu nariz. Fazia piadas grotescas com conotação sexual, algo que jamais agrediria um menino, mas era extremamente degradante para uma menina. Aos 13 anos, eu já sabia que tudo que se referia ao sexo (que eu ainda levaria anos para praticar) era muito feio para uma menina. E já estava cansada de saber que, se eu era alvo de agressões, a culpa era minha, por ser feia. Se eu fosse bonita, estaria livre.

Algumas vezes, professores presenciaram as agressões que eu sofria. Eles riram e seguiram com as aulas, como se ignorar fizesse aquilo desaparecer. Eu cheguei a ouvir de alguém que, se eu demonstrasse que estava ofendida, seria pior. Eu já nem sabia como reagir – o nível da agressão era tão baixo, que eu não tinha como responder. E ainda me diziam que a melhor resposta era o silêncio. Aos 13 anos, aprendi que precisava engolir o choro, suportar sozinha e fingir que não me incomodava. Minhas colegas meninas riam, mesmo sem achar graça. Aprendi que é mais fácil se solidarizar com o agressor do que com a vítima, pois isso diminui as chances de se tornar o alvo das próximas agressões.

Um dia, no grupo escoteiro do qual eu fazia parte, fiquei com um menino, dois anos mais velho que eu. Não havia uma regra explícita dizendo que era proibido “ficar”. Mas, logo que a chefe da tropa soube do ocorrido, ela nos chamou para uma conversa séria. Deu-nos uma leve bronca e, em seguida, disse ao menino que ele estava dispensado. Eu não. Seguiram-se mais uns 20 minutos de sermão muito mais intenso, direcionado exclusivamente a mim. Porque eu precisava me valorizar. Porque eu tinha que me dar o respeito. Porque a mulher tem o poder de dizer não. Aos 14 anos, aprendi que era minha obrigação impor limites aos homens, que, por sua vez, não têm poder de escolha, movidos pelo imperativo da natureza que os leva a tirar proveito de qualquer fêmea que assim permita. Aprendi que, enquanto me beijar era algo natural para o menino, o comportamento de aceitar que ele me beijasse denotava minha falta de caráter. Eu não havia me valorizado, portanto ele não precisava me valorizar também. O menino aprendeu que a bronca dele era mais curta, assim como sua responsabilidade.

Durante os anos que se seguiram, em cada atividade do grupo, eu não podia sair das vistas daquela chefe escoteira, sempre extremamente preocupada com a possibilidade de eu “não me dar o respeito” novamente. Do jeito que eu era – fácil, sem valor? – eu era bem capaz de engravidar. Eu ainda era virgem. Tentei me convencer de que ela só estava tentando me proteger, pois queria o melhor para mim. Mas nunca a vi dizer a um dos meninos, que também estavam sob sua responsabilidade naquelas atividades do grupo escoteiro, que eles deveriam ser mais recatados. Nem jamais ela ou outro chefe escoteiro orientaram a qualquer um de nós – meninas e meninos – a nos relacionarmos com responsabilidade, não somente no que se refere ao uso de preservativos e contraceptivos, mas em relação aos sentimentos uns dos outros.

Já na faculdade, deparei-me com o trote pelo qual passavam os meninos nos jogos jurídicos. Os novatos eram obrigados a ficar somente de cueca e passar num corredor de mulheres. Tudo parecia muito engraçado. Nenhum menino jamais ousou dizer que não queria passar por aquilo, pois evidentemente seria vítima de humilhações muito maiores do que o trote. Aos 19 anos, aprendi que, assim como a mulher perdia seu valor ao dizer “sim”, o homem era menos homem se dissesse “não”. Muitos deles saíam com as costas cheias de vergões, alguns escorrendo sangue. A ideia era que, ao voltar para casa arranhados, perdessem as namoradas. Aprendi que destruir o relacionamento alheio era motivo de risos. Alguns veteranos entravam no meio do corredor de meninas e infligiam castigos ainda mais dolorosos a alguns dos calouros. Um menino baixinho e magrinho teve a cueca arrancada da forma mais dolorosa que você pode imaginar, e saiu correndo nu, machucado, com as costas sangrando, cobrindo a genitália com as mãos, ao som de gargalhadas. Ninguém cogitaria submeter as meninas a um trote como aquele, mas os meninos deveriam levar na esportiva e guardar seu sadismo para “se vingar” de futuros calouros, perpetuando a violência. Aprendi ali que o machismo não agride somente as mulheres.

Os veteranos entoavam hinos cujas letras logo aprendemos. Um dos mais famosos falava da caloura puquiana (aluna da PUC). Com palavreado chulo, ridicularizava uma mulher por sua forma física e por seu apetite sexual. Um trecho da música falava da caloura boqueteira: explicaram que essa parte era mais recente, e foi incluída na letra em “homenagem” a uma caloura da nossa própria faculdade, que teria feito sexo oral num colega durante uma viagem de ônibus, numa das edições anteriores dos jogos. A conduta do rapaz que havia recebido o sexo oral jamais foi questionada por ninguém. Mas a moça era despudorada, desavergonhada e digna de xingamentos eternizados na canção, que continuaria a ser cantada muito tempo depois de ela se formar – se é que ela aguentou ficar na faculdade depois daquilo. Aprendi que os rapazes tentariam me convencer a fazer tudo que as personagens (reais e fictícias) daquelas músicas faziam. A fazer sexo sem pudor, de forma incansável, de todo jeito possível. E que, se eu me submetesse à vontade deles, isso faria de mim um lixo desprezível. E eu não teria ninguém para culpar além de mim mesma. A inteligência feminina, naquele meio, continuava sendo um acessório tão útil quanto havia sido para me destacar no meio social aos 8 anos de idade. Aprendi que o único patrimônio capaz de me valorizar como mulher era o pudor, o recato que faltava à caloura puquiana e à caloura boqueteira. E, claro, eu ria junto ao ouvir aquelas músicas que rebaixavam mulheres à condição de lixo – rir daquilo era um jeito de mostrar que eu não era assim. Era um jeito torto de me defender.

Notei que, na faculdade, eu já não era tão feia. Eu era atraente. Aprendi, então, que se os rapazes na balada passavam a mão em mim sem meu consentimento, se os caras com quem eu ficava tentavam forçar a barra e ir além do limite que eu estabelecia, se homens desconhecidos me diziam coisas nojentas ao passar por mim na rua, a culpa devia ser minha, por ser bonita. Por ser gostosa. Por estar de saia, ou de decote, ou de calça justa. Eu brigava, e muito – uma vez, acho que quebrei os dedos de um desconhecido que enfiou a mão embaixo da minha saia numa balada. Mesmo assim, passei a pensar várias vezes antes de escolher cada roupa, pois aprendi que era minha a responsabilidade pelos rótulos que eu recebesse das pessoas a partir do que eu vestisse. Uma amiga me explicou um dia que, aos 25 anos, eu não tinha mais idade para ser gostosa, eu precisava parecer séria para que me respeitassem. Também ouvi de muita gente que mulher não deve falar palavrão. E já teve quem me achasse menos atraente por eu ser muito engraçada e por falar o que penso.

Já no mercado de trabalho, ouvi colegas homens dizerem que gostam de conversar comigo porque eu penso como um homem, porque tenho um senso de humor masculino. Curiosamente, o senso de humor desses homens nem se compara ao meu. Não, queridinho, esse cérebro é BEM feminino, e brilhante também – lide com isso. Ouvi clientes fazerem comentários (que eles juravam que eram elogios) absolutamente constrangedores. Numa reunião de trabalho, cheguei a ouvir: “meu amor, que aliança é essa no seu dedo? Tudo bem, não tenho ciúmes, também sou casado”. Comentários que meus colegas homens JAMAIS precisaram enfrentar e acham frescura se eu disser que achei ruim.

Depois de casada, ouvi de amigas que é quase impossível o meu marido não me trair, pois todos os homens traem. Porque homens não podem dizer “não”, lembra? E, claro, as chances de ser traída são maiores se eu não tiver a disposição de satisfazê-lo sexualmente mesmo quando eu não estiver a fim, mesmo que eu não goste, mesmo que me machuque. E ouvi também que, se meu marido me trair, isso não significa que ele não me ame, que ele não seja um bom marido e que não será um bom pai para os meus filhos, porque é natural do homem trair. Ouvi, ainda, que quando a mulher trai, é diferente (pior, claro), porque a mulher não sabe separar as coisas como os homens. Não, eu não entrei numa máquina do tempo, desembarquei nos anos 50 e fiz amigas por lá. Ouvi isso em 2014, 2015, de mulheres cultas, trabalhadoras, independentes. A traição, para o homem, seria apenas um comportamento natural, contra o qual ele pouco ou nada pode fazer. Agravado, ainda, pela sempre presente culpa feminina. E a mulher, incompetente, não é sequer capaz de separar sentimento e prazer – se o fizesse, estaria eu liberada para trair também?

Os exemplos são infinitos. Não há um dia em que o machismo não me agrida de alguma maneira, ainda que eu seja uma mulher branca, heterossexual, casada, de classe média.

Desde criança eu achei que havia algo errado nessa história toda. Sempre quis viver numa sociedade em que uma menina pudesse escolher livremente suas amizades por afinidade, e não em razão do gênero. E sem ter que ouvir das tias “ah, esse é seu namoradinho?”. Não, porra. Criança não tem namoradinho.

Desde cedo, eu queria ser valorizada por minha inteligência, e não aconselhada a ser boazinha com as coleguinhas malvadas para ser aceita. Eu queria que a minha aparência física, por mais que desagradasse alguém, não fosse usada para me agredir. Gostaria que meus professores não tivessem lavado as mãos quando viram um garoto me humilhar publicamente ao longo de um ano inteiro.

Queria viver num mundo em que a voz do agressor não fosse sempre a mais alta, a que produz mais eco. Eu queria ter sido ouvida. Queria que muitas pessoas se unissem e tivessem coragem de reagir e dizer: “pare, o ridículo é você”. Queria ter sido eu a primeira a perceber e gritar para o mundo que as calouras tinham direito de gostar de sexo e que isso não fazia delas seres desprezíveis.

Eu sempre achei que beijar fosse uma coisa boa. Eu queria que, todas as vezes em que duas pessoas se beijassem de livre e espontânea vontade, isso somente agregasse valor a suas experiências, e jamais diminuísse o valor moral de uma das pessoas envolvidas. Eu gostaria que o sexo recreativo e consentido, incentivado nos homens como um comportamento natural do qual não podem escapar, não tornasse uma mulher menos digna de respeito. Queria que também para os homens o sexo fosse uma escolha, e não uma obrigação.

Eu gostaria que os homens também tivessem direito ao não. Queria que lhes fosse permitido, caso assim preferissem, recusar que pessoas estranhas lhes tocassem, sem medo de represálias ou de serem considerados homossexuais. Gostaria de viver num mundo em que ser considerado homossexual não fosse ofensa. Um mundo em que SER homossexual, inclusive, não incomodasse ninguém.

Queria que meninos não precisassem suportar dolorosos e vexatórios rituais de passagem para provar que são homens. E que meninas não tivessem que aguentar humilhações em silêncio por serem feias. Ou tolerar falta de respeito por serem bonitas.

Gostaria que meu modo de me vestir não falasse mais sobre mim do que minha inteligência, meu caráter, minha bondade, minha competência. Gostaria que as pessoas parassem de confiar na aparência como critério de seriedade, num mundo em que tanta gente de mau caráter anda sempre bem alinhada, em ternos e vestidos bem cortados. Queria que parassem de dizer que meu humor e a livre expressão da minha personalidade – incluindo os palavrões que falo – diminuem de algum modo minha feminilidade.

Gostaria de poder caminhar as quatro quadras entre meu apartamento e meu escritório sem ouvir “elogios”, gritos, buzinadas, sussurros e onomatopeias grotescas insinuando desejo sexual por mim vindo de desconhecidos. Adoraria poder usufruir livremente do meu direito constitucional de ir e vir, onde quer que seja, a qualquer horário. Meu marido sai sozinho para correr à noite e eu penso que, ainda que eu gostasse de correr, não teria coragem. Queria que não houvesse lugares e momentos em que não é conveniente uma mulher andar sozinha. Eu quero poder andar sem medo.

Gostaria que as pessoas entendessem a diferença entre um elogio sincero e o uso da palavra como arma para subjugar. Porque quando desconhecidos em geral mexem comigo na rua, eu sei que o objetivo não é me levar para jantar, não é me conhecer, não é sequer me levar para a cama. A maior parte desses caras fica totalmente sem reação se eu simplesmente olho para a cara deles, em vez de abaixar a cabeça. É evidente que o objetivo é me constranger e, ao mesmo tempo, mostrar que eles podem.

Eu queria nunca ter acreditado que eu não era digna de respeito, que eu era suja, que eu era feia. Queria ter sabido desde sempre que meu corpo é sagrado, é forte, é perfeito. Que carrego no ventre, nas veias e na alma o poder de minhas ancestrais, que tanto lutaram para que minha vida fosse hoje melhor que a delas.

Gostaria de nunca ter segurado a chave de casa entre os dedos para o caso de precisar usar alguma coisa como arma para me defender. Queria não ter visto, na adolescência, um cara se masturbar na rua olhando para mim, enquanto eu levava meu irmãozinho para a escola às 13h. Gostaria que nunca um homem adulto de bicicleta tivesse passado a mão em mim quando eu caminhava distraída para a escola, usando uniforme, às 7h da manhã. Queria que nenhum homem tivesse mostrado o pênis para mim ou para minhas amigas, que chegávamos à escola segurando o choro e nos perguntando se havíamos feito algo que desse a impressão equivocada de que estávamos a fim de ver o pau de um idoso na rua. Queria não ter sido encoxada num ônibus lotado a caminho do estágio, sofrendo um misto de vergonha e desespero para conseguir fugir da situação. Queria não ter chorado no escritório por causa disso, tendo que explicar a um colega o que tinha acontecido. Quero viver numa sociedade em que nenhum homem faça esse tipo de coisa com uma mulher ou uma menina. E gostaria muito que aqueles que já fizeram sentissem toda a vergonha que eu já senti, mesmo a vergonha não sendo minha.

Eu quero que as pessoas parem de justificar desrespeito dizendo que determinados comportamentos são “naturais”. Eu sei que, na natureza, os machos de diversas espécies não são fiéis. Mas nunca vi um cachorro convidar a família e os amigos para, diante de um padre, pastor ou juiz, jurar fidelidade a uma cadela. Entre humanos, temos a liberdade de escolha, e se firmamos compromisso, prometemos respeito e conquistamos a confiança de alguém, deveria ser natural que mantivéssemos nossa palavra. Quem quer viver poliamores, relacionamentos abertos ou o que for só precisa encontrar outras pessoas que queiram o mesmo. Não é “natural” prometer exclusividade e viver uma mentira. Não culpem a natureza pela fraqueza do caráter humano. Dissimular e enganar não é um comportamento louvável nem para homens nem para mulheres. Eu quero poder confiar – como confio – no meu marido, sem ser tachada de ingênua e burra por isso.

Um dia descobri que a palavra FEMINISMO, pela qual já nutri bastante antipatia, representa o ideal de igualdade, liberdade e respeito com o qual eu sonho. Descobri que eu era, que eu sou feminista.

E é por todas as situações descritas que eu PRECISO do feminismo. Porque sei que, se eu sofri, há mulheres e homens que sofrem MUITO MAIS. Porque o machismo não só fere, ele mata. Diariamente. E porque, mesmo almejando um mundo livre das mazelas do machismo, a força dessas estruturas cruéis de vez em quando ainda me faz perguntar: será que a culpa é/foi minha? Será que foi a minha roupa? Foi algo que eu disse? E se eu tivesse ficado em casa? E se eu não tivesse bebido? Será que eu disse “não” alto o suficiente? Por que foi que andei na rua tão desatenta? Será que eu deixei de me manifestar na hora certa? Será que meu salário seria mais alto se eu parecesse mais séria? Se eu não fizesse tanta piada?

Eu preciso do feminismo porque a culpa não é minha.

A culpa também não é da minha professora da segunda série, nem da minha chefe escoteira, nem de outras pessoas que somente reproduziram o discurso que aprenderam – como eu também já fiz e, de vez em quando, ainda faço, porque é tão difícil me libertar dessas amarras. Meus olhos se enchem de lágrimas ao pensar que ainda é cedo demais para que minha futura filha ou meu futuro filho nasça num mundo livre do machismo, da sua truculência, das suas estruturas limitadoras e cruéis. Preciso do feminismo para lutar para que esse mundo um dia seja realidade.

Vamos precisar de todo mundo. Venha você também.

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Segundo encontro do Grupo de Leitura sobre estudos e temas femininos e feministas.

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