Quando é aceitável bater no seu filho?

“Ontem não teve jeito. Tive que dar uns tapas na minha avó. A velha é muito teimosa! Já tentei conversar, expliquei com toda calma do mundo que ela não pode comer doces por causa da diabetes, mas não tem jeito! Sabe o que é ter que repetir a mesma coisa mil vezes todos os dias? Ela faz isso pra me desafiar! Dói mais em mim do que nela, mas de vez em quando ela precisa apanhar pra entender!”

“Meu cachorro fez xixi no tapete da sala. Dei uma surra nele, está encolhido num canto até agora. Vamos ver se ele finalmente entende o significado da palavra ‘não’.”

“Sim, eu bati na minha esposa. Perdi a cabeça mesmo. Mas ela estava pedindo! Eu já cansei de dizer que não quero que ela fique andando sozinha na rua de noite. Já pensou se acontecesse alguma coisa grave? Podia ser assaltada, estuprada, assassinada! Quem sabe agora ela aprende a me escutar.”

“Eu bato no meu filho, sim, senhor! É um absurdo essa história de não poder dar tapa nas crianças! Eles vão crescer sem limites! Eu apanhei muito dos meus pais e por isso sou uma pessoa de bem!”

O que todas essas situações têm em comum? Todas são confissões (fictícias) de crimes. Porém, a última ainda é considerada normal e aplaudida por muita gente. Inclusive psicólogos e psiquiatras, porque diplomas não são garantia de bom senso.

É possível educar sem violência. Não bater é diferente de deixar de ensinar limites. Crianças entendem as coisas, mas aprendem por repetição e, principalmente, pelo exemplo dos pais. Por isso, ter filhos é um convite (que a maior parte das pessoas recusa) à auto-educação. Precisamos estar sempre atentos e vigilantes aos nossos atos, às nossas palavras, aos nossos sentimentos. Precisamos ter autocontrole para não descontar nossa raiva e frustração em forma de castigos físicos, sob o pretexto de educar.

Na dúvida, dê uma passada em qualquer cadeia e pergunte aos presos se eles foram criados com excesso de amor e jamais levaram um tapa, e se foi por isso que terminaram no mundo do crime.

E antes que um inteligente venha dizer “quero só ver se você nunca vai dar uma palmada no seu filho”, eu digo que não posso afirmar com certeza absoluta que jamais vou perder a paciência e dar um tapa nele. O que sei é que, se isso acontecer, vai continuar sendo errado. Se eu cometer um crime, ele não deixa de ser crime. Só o que posso fazer é continuar me educando para poder educá-lo, reconhecendo-o como um ser humano digno do mesmo respeito que eu quero para mim.

[Esse texto é de autoria de Oksana Guerra, e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook, em 02/11/2016. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a prévia autorização da autora]

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