Um ano

Filhote,
Então você fez um ano. Há algumas semanas eu vinha me preparando para essa data, sem saber ao certo as emoções que ela me traria. Lembrar do seu nascimento me causa um misto de sensações. Quero ser sempre honesta com você e, para isso, devo reconhecer que o dia do seu nascimento envolveu dor, sofrimento, medo. Mas foi também o dia em que recebi o maior presente da minha vida, a felicidade de ser sua mãe.
Decidi que faria uma festa muito linda para celebrar o seu primeiro ano, porque esses 12 meses com você foram incríveis e merecem ser comemorados. Decidi que 21/05 será sempre um dia de muita alegria na nossa família. O planejamento e a concretização da sua festa tomaram todo o tempo e a energia de que eu dispunha, e nem deu para ficar triste lembrando da parte não tão legal desse dia. Quando vi, já estava na hora de cantar parabéns pra você. 
E como valeu a pena, meu anjo! Ver você curtir a festinha que preparei com todo amor, cercado de pessoas que o amam. A lição que você me ensina a cada dia é que o tempo passa muito rápido, e por isso eu preciso dar sempre mais atenção às coisas boas e aos momentos felizes.
Agora você entrou numa nova fase, e eu continuo amando acompanhar cada passo do seu desenvolvimento. Já sabe andar, bater palminhas, dar tchau, dançar, fazer não com a cabeça, tomar água com canudinho, fazer high five, cantar no ritmo da música. 
Continua amando esmagar a Samantha, mamar (que grande vitória chegarmos a um ano de amamentação depois de todas as dificuldades que tivemos), dormir no sling, tomar banho de chuveiro no colinho, Palavra Cantada, nadar na piscina, aula de música, instrumentos musicais, cozinhar um papá imaginário nas suas panelinhas, encaixar peças nos brinquedos de montar, brincar de esconder.
Sabe falar mamãe, mamá, gata, dadá, papá, ábua, banana, batata, au-au, vovó, nossa, opa e repete outras coisas que mamãe diz. Tem 8 dentinhos e um nascendo. Tem dias em que come pouco, e outros em que não sei pra onde vai tanta comida. Dorme ainda com a mamãe e o papai, e nós três amamos isso.
Parabéns pelo seu primeiro aninho, meu amor. Grata por fazer a minha vida tão feliz.
Amo você! 
Mamãe

Sobre o dia das mães 

Filhote,
No dia das mães do ano passado, você ainda estava na minha barriga. Eu já amava você, mas não tinha noção do que era ser mãe de verdade – porque essa é uma noção que só se adquire na prática. Era um tempo em que as pessoas faziam todas as minhas vontades. Hoje algumas delas sequer me cumprimentam, interessadas exclusivamente em você, como se eu nem precisasse mais existir agora que já trouxe você ao mundo. E olha que existem outras mães que são muito mais invisibilizadas que eu.
Mas tudo bem, não estou carente de reconhecimento. Nós sabemos bem a mãe que sou para você. Todos os dias vejo em você os frutos da minha dedicação integral. Ser mãe é o trabalho mais intenso que já tive na vida, sem direito a férias, folga, final de semana, licença por doença. Nunca imaginei que seria capaz de trabalhar ao longo da madrugada e levantar de manhã para trabalhar mais. Eu não pensava que isso fosse possível. Um dos meus maiores temores sobre a maternidade era esse: não dar conta do cansaço, porque sempre amei dormir muito. E olha eu aqui, vivinha.
Hoje mesmo eu levantei depois de uma noite mal dormida, e em outros tempos isso seria motivo para mau humor. Mas a primeira das suas gracinhas me derrete, um sorriso seu renova minha energia e minha paciência. Tivemos um dia lindo, com seu papai, sua vovó Maria e seu tio Gabriel. Você andou comigo de jardineira puxada por um trator, de chalana e de carroça. Viu ovelha, galinha, ganso, avestruz e cavalo. Brincou, passeou e riu muito. Encontramos pessoas queridas. Eu amei o nosso dia. E amei presentear sua vovó (sabia que ela é minha mamãe?) com a sua presença e alegria.
Foi um dia feliz, que deixará boas lembranças. E foi também um dia de pensar e refletir muito sobre a maternidade. Pensar sobre como, mesmo com todos os meus privilégios (de classe, cor, de possuir uma rede de apoio, de ter o seu pai ao nosso lado e de contar com ele de verdade para tudo), a maternidade nem sempre é fácil, apesar de linda. 
Pensar sobre como seu pai é chamado de paizão se simplesmente dá uma volta com você no colo, enquanto eu dedico minha vida integralmente a você e não sou reconhecida. Abri mão da carreira, vejo oportunidades importantes irem embora porque fiz uma escolha (e não me arrependo) de cuidar pessoalmente de você nesses seus primeiros anos. Trato você com todo amor e respeito, cuido da nossa alimentação (da minha para poder amamentar você), vigio seus passinhos, cada dia vou além do que eu mesma imaginava ser capaz. E posso contar nos dedos as pessoas que reconhecem isso sem achar que é só minha obrigação. Fora as pessoas que leem isso e vêm dizer “mas meu marido é um paizão sim” e eu só posso entender que lhes falta a capacidade de interpretação de texto.
Hoje, em pleno dia das mães, em situações diversas eu escutei mães serem julgadas. Uma pessoa falava da “mãe louca” que levou o bebê para trilhar com ela o Caminho de Santiago de Compostela. Que também seria condenada se deixasse o bebê em casa para ir. Parece que mulheres que se tornaram mães são obrigadas a abdicar de sonhos e projetos, já que não podem levá-los adiante com ou sem os filhos. Mas um pai seria julgado na mesma intensidade se deixasse o bebê em casa para fazer o caminho de Santiago? E se o levasse junto, não seria um paizão? 
Depois ouvi sobre uma mulher que abandonou os filhos com o pai para viver com outro homem. O pobre pai teve que deixar os filhos num lar para crianças, pois como iria cuidar de crianças tendo que trabalhar? Ora, todos os dias incontáveis crianças são abandonadas pelos pais com suas mães, e estas precisam trabalhar para sustentá-los, e nem por isso os deixam em lares para crianças. Mas a mãe TEM QUE dar conta, afinal ela é uma mulher. 
Sabe, filho, ser mãe é a melhor coisa da minha vida, mas tem dias que eu só queria ser um pai. E dormir como um pai.
Meu amor, sou muito feliz por ser sua mãe, não troco por nada no mundo a realização que essa missão tem me proporcionado. Sou grata por você ter me escolhido, e agradeço também pela oportunidade de crescer e aprender com você a cada dia. De ser uma pessoa melhor para lhe servir de exemplo. 
E ainda assim desejo que a maternidade possa ser mais leve para todas as mães. Que a maternidade não precise ser a imposição de renúncias e sacrifícios além dos necessários. Que em vez do julgamento, possamos um dia receber de presente mais empatia, reconhecimento, respeito e apoio. De minha parte, farei tudo que puder para ensinar você a oferecer esse presente a todas as mães que conhecer ao longo de sua vida. 
Agora eu vou deitar, já que você dormiu há duas horas (depois de muito mamá e embalo), e desde então eu: tirei do freezer o peixe que vou preparar amanhã, coloquei o feijão de molho, resolvi alguns preparativos para sua festa de aniversário semana que vem, comi uma coisinha, e vim aqui escrever esse texto. Daqui a pouco você já me chama querendo mamar e eu nem dormi ainda. Preciso registrar essas coisas e contar para você um dia, para você ser do time que sabe valorizar o trabalho de uma mãe.
Amo você!
Mamãe

11 meses

E ontem chegou seu décimo primeiro mesversário, meu amor! Daqui a um mês você terá um ano. Essas semanas têm sido muito intensas. Tenho me sentido nostálgica, emotiva, lembrando de tudo que passamos juntos desde que você chegou à minha vida. 
Superamos tantas dificuldades, filho! E isso nos fez mais fortes. A sua energia me recarrega, sua pureza me faz ter fé na vida, mesmo quando as pessoas ao nosso redor nos dão motivos para duvidar de que nossos esforços valem a pena. 
Esse mês, além de repleto de emoções, foi também bastante cansativo. Suas sonecas diurnas estão bem bagunçadas (alguns dias sequer têm sonecas). E à noite você acorda 863 vezes, com exceção de um dia ou outro de descanso que você me deu de presente e eu quase soltei fogos de artifício para comemorar pela manhã. 
Também fiquei exausta perseguindo você pela casa para livrá-lo de perigos que eu não havia previsto ainda. Você está grande o bastante para alcançar objetos que eu achava que ia demorar para descobrir. Nenhuma gaveta escapa (mesmo as mais duras de abrir), e as portas de armário que até uma semana antes você não alcançava agora também já não ficam mais fechadas.
No começo do mês você começou a andar, arriscar um passinho, dois. E aí sentava, voltava a engatinhar. De repente, parou de tentar andar, e eu achei que você estivesse com medo.
Mas não era isso, não: você estava era concentrando suas habilidades para falar algumas palavrinhas. Nanana (banana), tatata (batata), gata, neném (pra se referir a si mesmo), mamam (pra se referir à mamãe), mamá (por motivos óbvios), nanã (não, não), papá, dandá. Aprendeu a fazer não com a cabeça, dizer nham-nham pra avisar que quer alguma coisa e fazer hummmm pra comida gostosa. 
Aí você voltou a se concentrar em andar. Voltou a dar um passinho. Dois. Três. E um dia, na aula de música, ficou tão encantado com um instrumento de percussão (djembe) colocado à sua frente que saiu andando em direção a ele para poder tocar. 
Esse mês teve vários encontros com seus amiguinhos e as mamães lindas deles (pessoas responsáveis por manter minha sanidade em momentos difíceis). Teve encontro com outras amigas da mamãe, com a família, teve festas de aniversário. Teve o seu primeiro temazcal fora da barriga da mamãe. Teve a primeira Páscoa da sua vida, e você ganhou uma cesta de coelhinho feita pela vovó Maria, que a recheou de guloseimas saudáveis e sem açúcar feitas especialmente pra você. 
Você continua um grande dançarino, dança, bate palminhas e cantarola suas músicas preferidas. A aula de música é pura animação! E você adora conhecer instrumentos novos: ficou hipnotizado pela flauta transversal, amou finalmente poder tocar o teclado (fica a aula toda prestando atenção ao tio Thiago enquanto ele toca), adora o caxixi e tudo que é de percussão.
A natação é outro momento de alegria das nossas semanas. Agora você bate os bracinhos e mergulha todo faceiro. Seu papai e eu alternamos as aulas porque é tão gostoso que nós dois queremos entrar com você.
Aprendeu a encaixar as pecinhas mais difíceis dos joguinhos. E brinca de fazer papá, mexendo com a colher dentro dos baldinhos e depois oferecendo para a mamãe a comidinha imaginária, dizendo baixinho “papá”. Criança vê, criança faz! ❤️ 
E é por isso que sei que estou acertando com você, pois vejo o quanto você é carinhoso, abraça, faz carinho, não pode ver um gato, cachorro, neném, bicho de pelúcia que já quer abraçar. Porque amor é a forma de comunicação que você conhece em casa.
Meu anjinho, mais uma vez eu agradeço por você existir, por ser a luz da minha vida, por ter me escolhido pra ser sua mamãe. Amo você mais do que tudo! 
Editando pra não esquecer: nesse mês nasceram mais dois dentes, agora são 8 e um apontando.
#mesversário #onzemeses #IvanLindo #IvanCaminhante

*Esse texto foi originalmente publicado no meu perfil pessoal no facebook em 22/04/2017 e está vindo para cá bem atrasadinho. 😁

Suicídio não tem graca, depressão não é piada

Aqui em casa meu filho vai aprender que:

– chinelo serve para calçar;

– cinta serve para segurar as calças;

– a palma da minha mão serve para várias coisas, mas agredi-lo não é uma delas.
Meu filho vai aprender que, não importa o momento da vida que ele esteja passando, ele sempre vai encontrar em mim e no pai dele ouvidos atentos aos seus problemas. Que ele sempre pode contar conosco. Que a colaboração nos afazeres da casa é tarefa de todos que vivem nela, mas que aqui não achamos que depressão e ansiedade são falta de “ter a pia” cheia de louça pra lavar. 
Vocês que estão fazendo piada e compartilhando o “desafio da preguiça azul” ou “desafio da havaiana azul”, insinuando que adolescentes capazes de se automutilar e até se suicidar são desocupados e merecem apanhar, apenas se perguntem se é a vocês que seus filhos recorrerão num momento de dificuldade. Apenas imaginem se, menosprezando os adolescentes e seus conflitos psicológicos (e eventuais transtornos), vocês serão o porto seguro deles. Ou se eles irão buscar apoio em outros adolescentes ainda mais desorientados. Se você acha que esses adolescentes estão só querendo atenção, ué, e quem no mundo não está? Quem não precisa de atenção, amor e cuidado? De onde vem essa ideia deturpada de que, quando alguém pede atenção, devemos virar as costas ou reagir com violência?
Como diz a minha mãe, filho não se perde na rua, mas sim dentro de casa. Perde-se na falta de diálogo, de atenção, de cuidado.
Em vez de ficar compartilhando piada sem graça ou alertando sobre o perigo de as crianças aceitarem balas de estranhos (a grande novidade de 1985), olhemos com atenção para os nossos filhos, para as crianças e jovens do nosso convívio. Sejamos seus confidentes, ofereçamos apoio livre de julgamentos, façamos que saibam que não estão sozinhos. 
A quem precisar de alguém que lhe ouça: EU ESTOU AQUI.
(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 19/04/2017, bem como na página Mama Neném em 20/04/2017)

10 meses

Dez meses de você na nossa vida, meu amor! Dá pra acreditar? Quanta alegria, quanto amor, quanto aprendizado! Quanto tenho crescido com – e por – você!
A cada dia tenho abraçado essa oportunidade incrível de me educar para ser uma mãe melhor. Você me ensina muito, filho. 
Continua aventureiro, descobrindo novas possibilidades a cada segundo. As pessoas me perguntam se eu não trabalho, e o engraçado é que eu nunca antes trabalhei tanto na vida! O trabalho de cuidar de você não me permite distrações, não tem pausa para o cafezinho, horário de almoço, não tenho nem a chance de ir ao banheiro sem plateia! Eu amo cada segundo ao seu lado, mas isso não quer dizer que seja moleza. Seu papai de vez em quando tem uma palhinha: no final de semana, quando divide comigo a função de cuidar de você o dia todo, ele percebe o quanto sua energia é infinita.
As coisas não estão ficando mais fáceis agora que você está arriscando seus passinhos sem apoio. Mas não estou reclamando, não. Cada conquista sua é uma alegria enorme. 
Cada vez que você faz uma coisinha fofa eu me derreto, como repetir o som de uma palavra que eu disse, fechar a torneira quando eu peço, envolver meu pescoço entre os braços quando eu peço um abracinho. Quando esmaga a gata e faz carinho nos amiguinhos, quando abre um sorriso enorme e dispara em direção à porta ao ouvir o papai chegar. Quando toca os instrumentos musicais em casa ou na aulinha de musicalização. Quando mergulha e faz festa na piscina. Quando faz questão de dividir comigo seu alimento. Quando arranja qualquer fio disponível para chacoalhar diante da Sam para brincar com ela. Quando canta junto comigo as musiquinhas de que mais gosta. Quando explora o funcionamento das coisas. Quando continua encontrando em meu seio o alimento, o aconchego e a segurança de que precisa. 
É claro que nem só de coisas fofas é que se vive: não está fácil lidar com você rasgando e comendo meus livros, se enfiando em cantinhos inapropriados dos quais muitas vezes não consegue sair, usando o movimento de pinça para catar qualquer porcaria do chão para comer, escalando a estante e outros móveis, alcançando objetos colocados em cima da mesa para você não pegar, tirando a fralda e fugindo pelado para fazer xixi no chão do quarto, quase arrancando meu nariz se eu não fizer logo “BI-BI” quando você o aperta (brincadeira ótima que eu fui inventar), me mordendo com seus sete dentes já bem crescidinhos.
Mas, sim, tudo vale a pena! A gente vê o chão da sala coberto de brinquedos e livros espalhados, e não troca essa bagunça por nada! 
Nesse mesversário a mamãe não conseguiu fazer um bolinho baby friendly porque passamos o dia todo fora. E foi uma delícia celebrar seu décimo mês na companhia dos seus amiguinhos e de pessoas que amamos. Mas a nossa festinha em família nunca falta. Amamos você mais do que tudo, filhote! 

(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 21/03/2017)

9 meses

Filho,
Você foi concebido no dia 21/08/2015. Exatamente 9 meses depois, você veio ao mundo, em 21/05/2016. E hoje faz 9 meses que eu amo você do lado de fora do meu ventre. 
Esse mês foi especial. Entre outras coisas, você conheceu (e adorou) o mar! Passamos férias deliciosas com seu pai e sua vovó Maria. Você descobriu a textura (e o sabor) da areia. Brincou na piscina, aprendeu a subir escada, comeu mais do que nunca e se divertiu muito! 
Também começou a natação. A primeira aulinha foi meio tensa, você não curtiu o mergulho. Mas na segunda já se soltou e se divertiu muito, mesmo mergulhando! O coração da mamãe ficou mais tranquilo! Começou ainda a aulinha de musicalização para bebês, que é pura alegria. Ao chegar em casa depois da primeira aula, deslanchou a tocar seu pianinho como nunca antes. O papai já achou que compensou o investimento, hahaha!
Agora está bem mais fácil nos comunicarmos, meu amor! Você já sabe expressar com gestos e sons quando quer algo, e também quando não quer. Para o que está fazendo quando escuta a palavra “não”. Guarda objetos dentro de recipientes (adora caixas), abre e fecha as portas e gavetas, tira as coisas de dentro dos armários. Transforma várias coisas em instrumentos de percussão (o baldinho virado, caixas, prateleiras), batendo com as mãos ou com baquetas improvisadas. 
Desce do sofá bonitinho, sem ser de cabeça. Anda pela casa se apoiando nos móveis, dá tchau, bate palmas, manda beijos. Combina sílabas em sons que parecem palavras. Fica em pé sem apoio por alguns segundos e se agacha em seguida. Finge que vai mamar e aí faz “prrrr” assoprando o meu peito. 
Aprendeu a miar imitando a Samantha. Faz carinho na mamãe, no papai, na Sam, na vovó e em amiguinhos mais novos. E quando faz carinho, afina a sua voz dizendo “hmmm” como a gente faz com você. Lança olhares cheios de doçura. Encontra posições para dormir totalmente espalhado em cima de mim, para tentar evitar que eu saia da cama após você adormecer. 
São várias descobertas diárias e eu não consigo listar todas, mas gosto de escrever aquelas de que me lembro, para você ler um dia. E para eu ler nos próximos anos, quando já não recordar desses detalhes tão gostosos do seu desenvolvimento. 
Ah! Hoje pela primeira vez você comeu com a gente o bolo do seu mesversário, feito por mim com muito amor, com farinha de trigo integral, sem açúcar e sem leite. Você adorou!
Amo ser sua mãe, amo crescer com você. Amo ver o mundo pelos seus olhinhos. Amo você mais do que tudo! ❤
Feliz mesversário, meu amor!
Mamain

Redescobrir o mundo por outros olhos

Ter um bebê é se surpreender todos os dias. Você pode conhecer mil crianças, ler a respeito, ouvir com atenção e interesse legítimo os relatos de amigas mães, mas nada se compara à sensação de alegria e assombro de acompanhar diariamente um ser tão pequeno, que ainda ontem acabava de nascer, descobrindo o mundo e suas possibilidades de uma forma tão rica e intensa.

De um dia para o outro, você já não consegue mais esconder alguma coisa embaixo de uma almofada e fazer o bebê acreditar que aquele objeto proibido simplesmente desapareceu: ele vai passar por cima de você e erguer a almofada. A trava do armário, que você imaginava que ele ia levar alguns meses para descobrir como abrir, é desvendada na segunda tentativa. Nenhuma tomada ou fio da casa escapa de sua visão. 

Aprende a rolar, virar, desvirar, se arrastar, sentar, ficar de pé, engatinhar, subir e descer das coisas, escalar móveis, se soltar e ficar de joelhos ou sentar novamente, abrir e fechar portas e gavetas, vocalizar muitos sons diferentes, encaixar peças, comer, atirar objetos, demonstrar carinho, alegria, entusiasmo, frustração, raiva, tristeza, dor, pedir comida, pedir colo, andar com apoio (e logo sem), leva vários tombos até que aprende a não cair ou a cair do jeito certo. Compreende os conceitos de dentro e fora, atrás e na frente, em cima e embaixo. Quanta plasticidade nesse cérebro! É aprendizado demais em tão pouco tempo!

No quarto do Ivan temos um globo terrestre que acende ao ligar na tomada. Desde bem pequenininho ele adora ficar girando o globo, mas hoje pedi ao André que o guardasse, porque o Ivan tem gostado de mastigar o cabo elétrico e isso obviamente não me parece seguro. Quando o Ivan olhou para o local onde costumava ficar o globo e viu que não estava mais ali, começou a chorar. André e eu nos olhamos sem entender, e sem acreditar que o bebê pudesse estar percebendo a ausência do objeto. Ivan percorreu o ambiente com os olhos e encontrou o globo guardado no alto do seu guarda-roupas. Olhava para o globo e depois para mim fazendo beicinho, claramente me pedindo para pegar para ele. Eu disse que não podia, e ele começou a olhar em volta e tentar escalar nos móveis próximos, sempre olhando para o objeto almejado.

Mesmo sendo apaixonada por bebês, eu nunca antes imaginaria que eles fossem tão espertos! Fico chocada (e apaixonada) ao ver o quanto eles entendem o que dizemos e o que acontece. A compreensão deles é muito mais avançada do que a maior parte das pessoas imagina. 

O cansaço é enorme – li outro dia que as mães de bebês vivem num estado de hipervigilância que se compara ao dos soldados na guerra, e nem mesmo dormindo seus cérebros descansam de verdade – mas a recompensa também é.

Esse texto é de autoria de Oksana Guerra e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 08/01/2017. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a autorização da autora.

Cada dia, uma surpresa

Observando não apenas o meu, mas também os bebês das minhas amigas, fico cada dia mais impressionada em ver como eles são esponjinhas absorvendo conhecimento o tempo todo. A gente tenta ensinar alguma coisa e na hora eles muitas vezes parecem não ter entendido nada. Até que, em algum momento, eles nos surpreendem executando a lição como se tivessem ficado ensaiando escondido.

Foi assim com as palminhas. Ninguém havia batido palmas na frente do Ivan naquele dia, e ele simplesmente começou a manifestar alegria daquela maneira. Ou ontem quando eu disse “dá tchau pra vovó” e ele acenou para ela com a mãozinha, eu mal acreditei. E quando eu disse outro dia “dá um abracinho na mamãe” e ele abriu os bracinhos e encostou a cabeça no meu peito. Hoje o vi tentando fazer rodopiar no chão a tampa de um baldinho dele, do jeito que o papai sempre faz pra ele. Agora há pouco, estávamos na cama, eu tentando fazê-lo dormir e ele cheio de energia brincando. Pedi a ele “faz carinho na mamãe”, e ele, que estava me dando tapinhas, parou e começou a me alisar com a mãozinha. Que fase mais deliciosa essa depois dos 6 meses! Cada dia fica melhor, cada mês, mais descobertas.

É muito evidente que precisamos estar sempre atentos às nossas palavras, gestos, ações, porque eles estão sempre observando e, ainda que não pareça, registrando tudo em seus cerebrinhos. Em algum momento esse conhecimento vem à tona.

Fico pensando que é como se eu fizesse aulas de alemão e nunca abrisse a boca, nem anotasse nada, não respondesse sequer ao Guten Morgen do professor. E um dia desatasse a falar fluentemente.

Esse texto é de autoria de Oksana Guerra e foi originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 16/01/2017. É proibida a reprodução parcial ou total desse texto sem a autorização prévia da autora.

Oito meses

Filhote, parabéns por mais um mês de vida. Hoje faz oito meses que você está aqui, nos fazendo mais felizes a cada dia.

Agora você já bate palmas, dá tchau e piscadinhas sedutoras. Explora todos os cantinhos da casa, abre portas, gavetas, travas. Sobe na cama, escala nos móveis, anda sozinho se apoiando neles. Os tombos ainda são frequentes, mas cada vez você aprende melhor o jeito de cair sem se machucar. Experimenta soltar as mãozinhas e fica alguns segundos em pé. Fica de joelhos e de cócoras. É também um bebê dançarino. Ah, e canta muito.

Dá abraço, beija e faz carinho. Mas também dá tapas e mordidas. Já tem 6 dentes, e eles já fizeram mamãe chorar de dor algumas vezes.

É uma delícia ver você brincar com a Samantha, jogando um brinquedo para ela e gargalhando com as reações da gata. Adora jogar bola e engatinhar atrás dela pela casa toda. A máquina de escrever da mamãe é outro brinquedo que faz muito sucesso. Termina o dia com as perninhas e pés encardidos, e faz bastante bagunça na banheira.

Continua aceitando bem novos alimentos, anda tentando usar a colher sozinho para pegar comida e levar à boca, e oferece o que estiver comendo para quem está perto. A primeira vez que fez isso foi no mês passado, quando colocou um brócolis na cara do chefe do papai na festa de fim de ano da empresa. De lá para cá esse altruísmo se intensificou: até os brinquedos babados você quer que a gente também experimente, tira da sua boca e coloca na nossa. Sabe expressar perfeitamente quando quer mais comida (faz um “hummm” nervoso e característico enquanto bate com as mãozinhas na bandeja).

Já faz tempo que balbucia, mas hoje num momento em que me afastei você veio engatinhando atrás de mim e eu e seu papai ouvimos você dizer certinho “mamain”!

Filho, já nem sei mais enumerar suas habilidades. São várias novas toda semana, conquistadas em saltos de desenvolvimento que nos proporcionam noites agitadas e dias cheios de emoção.

Você é um menino lindo, inteligente e muito carinhoso! Seu jeito doce nos faz transbordar de amor. Não há nada mais emocionante que o seu rostinho se iluminando ao me ver! Sua alegria ao ver o papai chegar! Agradeço todos os dias à natureza por ter me abençoado com a graça de ser sua mãe!

Amo você!
Mamain

Texto de autoria de Oksana Guerra, originalmente publicado em seu perfil pessoal no Facebook em 21/01/2017. 

Sobre construir uma relação de confiança 

Muita gente pensa que os bebês não entendem quase nada. Eu já penso que eles entendem quase tudo. Ainda falta a eles a capacidade de se expressar com palavras, mas isso não significa que não compreendam o que se passa a seu redor e o que dizemos a eles.

Já faz alguns meses que o Ivan dorme cedo, e depois que ele adormece eu o deixo na cama sozinho, e vou para a sala ver TV, comer alguma coisa, curtir momentos a sós com o marido. Antes de deixar o bebê, eu sussurro em seu ouvido “mamãe vai para a sala. Se precisar de mim, é só me chamar”. E ao primeiro sinal de que ele acordou, eu corro para o quarto, e já chego dizendo “mamãe está aqui! Você chamou e mamãe já veio”.

Nas primeiras vezes, ele chorava ao acordar e se perceber sozinho no quarto. Com o tempo ele foi notando que eu logo vinha, e parou de chorar: ele apenas me chama, da maneira que consegue. Apenas diz “aah”. E me espera.

Em vez de tentar descer da cama sozinho (o que sempre faz quando eu estou junto com ele no quarto), ele senta na cama, olhando para a porta, e espera eu chegar. E quando eu chego, sorri e bate as mãos nas perninhas fazendo festa. Deito ao seu lado, às vezes ele quer mamar, outras vezes só precisa da minha presença. E adormece novamente.

Sinto que estou construindo a independência do meu bebê da forma que eu julgo correta: com confiança, com carinho, com amor. Ele sabe que estou por perto se ele precisar, e com isso a cada dia ele precisa um pouquinho menos.