Quem chora quer o quê?

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Você que tem filho, sabe quando você está muito triste ou frustrado(a) por algum motivo? Talvez tenha perdido o emprego, sofrido uma violência ou uma traição. Talvez tenha se decepcionado com alguém. Ou esteja nas profundezas do puerpério. Não importa a razão. Imagine que, diante da pessoa que você mais confia no mundo, cônjuge, parceiro(a), melhor amigo(a), talvez até sua mãe ou seu pai, você se permite chorar. O que você espera é acolhimento, certo?
 
Imagine então que essa pessoa, em quem você confia tão profundamente a ponto de expor toda a sua vulnerabilidade, reage assim:
 
– ISSO, MOSTRA PRA TODO MUNDO COMO VOCÊ É CHORÃO! OLHA LÁ, TÁ TODO MUNDO VENDO VOCÊ CHORAR!
 
Perceba. Por amor, por favor, não faça isso com seu filho. As razões pelas quais os bebês e as crianças choram podem parecer banais para pessoas maduras, mas são as razões deles! Ninguém no mundo gosta de (e nem merece) ser ridicularizado por seu sofrimento. Não resolve, não ensina a criança a lidar com sua frustração.
 
Eu sei que não é fácil suportar um choro estridente e incessante muitas vezes causado por uma coisa que, para nós, adultos, é absurda. Como o garotinho de um ano e pouco na praça que gritava porque sua mãe não queria deixá-lo se atirar no espelho d’água.
 
Precisamos compreender, porém, que dentro do arcabouço de experiências de uma criança pequena, o que é óbvio para nós, não é para ela. O bebê nem imagina que seja um problema se jogar na água num dia gelado. Não faz ideia da temperatura daquela água, nem da profundidade, tampouco lhe passa pela cabeça que esteja imunda. Não sabe que existem regras sociais que determinam que as pessoas não devem nadar na pracinha. Ele não entende a proibição e fica frustrado.
 
Conheço incontáveis adultos que não sabem lidar com suas próprias frustrações, reagindo de forma absolutamente inadequada a situações em que são contrariados – com impaciência, raiva, intolerância e até violência. Como então esperar uma reação madura de alguém que sequer entende o motivo do “não”, e que conta com vocabulário reduzido para se expressar?
 
A mensagem que se passa a uma criança reagindo ao seu choro com menosprezo é de que é feio e inaceitável expor seus sentimentos. E que é aceitável rir e fazer piada com o sofrimento alheio (já que a pessoa que mais amo no mundo faz isso comigo).
 
Se a criança é um menino, isso tudo costuma vir com uma carga ainda maior no sentido de que “homem não chora”. Gente, por favor. Precisamos no mundo de homens (independentemente de sua orientação sexual) com maturidade emocional. Bem resolvidos com seus sentimentos. Que não sintam sua masculinidade ameaçada por ter lágrimas nos olhos. Homem de verdade chora, SIM. Homem de verdade sente dor, medo, tristeza. Esconder sentimentos não torna ninguém mais homem.
 
Então, pai e mãe, acreditem em mim, eu sei que nem sempre é fácil ser a pessoa adulta na relação, mas sejamos. Há momentos (MUITOS) em que a paciência quase se esgota. Nem sempre é fácil segurar o grito na garganta ou deixar de repetir os padrões da nossa criação. Mas façamos um esforço. Não vamos rir da frustração de nossos pequenos. Não zombemos de sua vulnerabilidade. Acolhamos o sentimento deles. Digamos: “eu sei que você está triste/frustrado por não poder fazer isso. Podemos fazer outra coisa”. Abracemos. Assim, com a autoestima fortalecida, será mais fácil, para eles, lidar com as frustrações no futuro.
 
A propósito, quando a mãe do menino na pracinha disse a ele “olha lá, seu amigo tá vendo como você é chorão’, meu filho de 14 meses se aproximou dele e, sem que ninguém lhe dissesse nada, fez um carinho em sua cabeça. Eu respirei aliviada. Sim, é isso que ele tem aprendido comigo e com o pai dele: quem está chorando precisa de um carinho.
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Entretenimento infantil durante o voo e trechos terrestres

Essa será a primeira vez que o Ivan viajará de avião. E de trem. E de ônibus. Entreter um bebê em viagens de carro já não foi moleza. Mas agora lidamos com um toddler que quer andar o tempo todo, e em meios de transporte coletivo a maior preocupação é tentar não incomodar (muito) os outros passageiros.
Então essas são as ideias que tenho até o momento para tentar tornar a viagem o mais tranquila possível:

  1. Dormir. Como mencionei no post anterior, nossos voos principais e mais longos são noturnos. Os trechos terrestres longos também programamos para fazer à noite. Eu realmente acredito que o Ivan vai dormir nesses trechos. Ele costuma dormir bem à noite, ainda que acorde de vez em quando para mamar. 
  2. Mamar. Várias mães dão essa dica: amamentar durante a decolagem e o pouso minimiza os desconfortos causados pela pressão nos ouvidos. 
  3. Comer. No carro, quando o Ivan está entediado, biscoitinhos de arroz ou de polvilho e uvas passas costumam deixá-lo mais tranquilo.
  4. Música. Outra coisa que o acalma bastante. Já tenho os álbuns preferidos dele salvos para tocar off-line no Spotify.
  5. Livrinhos. Ocupam pouco espaço, mas também o entretêm por pouco tempo.
  6. Brinquedos. Algumas mães sugerem levar brinquedos novos (os antigos já não fazem sucesso). Mas essa opção não me agrada muito porque: a) muita coisa para carregar, b) as novidades deixam de ser novidades muito rapidamente; c) são raros os brinquedos que sirvam para entreter uma criança da idade do Ivan (um ano e dois meses) sentadinho no meu colo. Vou levar uma coisinha ou outra, mas não confio que vá funcionar por muito tempo.
  7. Vídeos e joguinhos no celular ou tablet. Não sei se o voo que pegaremos terá boas opções de entretenimento individuais, mas prefiro nem contar com isso (até porque não é qualquer desenho animado que ele gosta). Vou levar os preferidos baixados para ver off-line (há algumas opções que ele gosta na Netflix, e outros baixei o aplicativo, como Palavra Cantada e Bita). Não está entre as primeiras opções não só porque gosto de limitar o tempões exposição dele a telas, mas principalmente por serem trechos noturnos, e acho que ficar vendo desenhos animados pode interferir negativamente no sono. Mas pode ser uma boa para quando ele acordar de manhã, e para viagens curtas de trem que serão feitas durante o dia.

Editando para colocar dicas da minha amiga Aline que eu tinha esquecido e achei ótimas:

– Papel, giz de cera, carimbo e adesivos autocolantes! 

Você já viajou com bebês ou crianças e tem alguma dica que eu não coloquei na lista? Conte pra mim nos comentários! 

Primeiro passo: escolha e compra das passagens

Sempre que possível, nós resgatamos nossas passagens com pontos do nosso programa de milhagens. Mas, dessa vez, não tínhamos pontos bastantes para isso.
Pesquisamos, então, pelo Skyscanner, dando prioridade a: 

  • Voos noturnos, pois acreditamos que será mais fácil o Ivan dormir e não termos tanta dificuldade para entretê-lo;
  • Mínimo de escalas e conexões possíveis;
  • Preço baixo.

Ocorre que, embora o Skyscanner seja o nosso buscador de passagens favorito, não é ele quem efetivamente vende as passagens. No caso, os bilhetes que mais se encaixaram nos critérios acima eram vendidos pela eDreams. Encontramos muitas reclamações dessa agência (cancelamentos, venda de passagens que já não existiam e overbooking) e preferimos não nos arriscar.

Entramos em contato diretamente com a companhia aérea e compramos as passagens por um preço apenas um pouco superior ao oferecido pela eDreams. Nossos voos de ida e volta contam com conexões no Rio de Janeiro e em Roma. A de Roma, na ida, é bem longa (7 horas). Se chegarmos na hora e a passagem pela imigração for bem rapidinha, talvez deixemos nossas bagagens no locker do Terminal 3 para ir dar uma olhadinha no Coliseu. =)

No próximo post vou falar dos planos de entretenimento para o Ivan no avião. 

Planejando a primeira grande viagem com o bebê

Essas tags de mala feitas à mão (por mim, minha mãe e meu marido) foram as lembrancinhas da festa de um ano do Ivan. E finalmente as nossas serão usadas!

Viajar é uma das coisas que mais amo na vida. Há quase 9 anos conheci o melhor parceiro de viagem, e tem sido uma alegria imensa conhecer o mundo aos pouquinhos com ele. Marido e eu nos entendemos perfeitamente, gostamos dos mesmos programas, somos igualmente animados a conhecer destinos diferentes, aproveitar bem os dias, experimentar comidas e programas locais. Juntos estabelecemos o que chamamos de lema da família Guerra: FAZER VALER. Tiramos o melhor de qualquer experiência, desde um jantar mais caro do que o previsto até uma dica super furada de derviches dançantes.

Desde que chegou o mais novo integrante da família, já começamos a imaginar como seria mostrar o mundo a ele, e também conhecer o mundo através de seus olhinhos. Mudar o ritmo para acomodar suas necessidades, incluir programas legais para ele, cuidar de seu conforto, sua alimentação, seu soninho. Fizemos já algumas pequenas viagens: usamos dois dias para conhecer Carambeí e Castrolanda, duas cidadezinhas próximas daqui; fizemos um bate-volta para a Lapa; visitamos chácaras ao redor de Curitiba; passamos uma semana numa prainha privativa em Governador Celso Ramos-SC.

Agora, o papai conseguiu negociar com seu chefe maravilhosas férias de 30 dias para fazermos uma viagem incrível. A mais longa que já fizemos. No meu antigo trabalho, não podia tirar mais do que 15 dias de férias de cada vez, e isso nos limitava bastante – não rolava ir para lugares muito distantes, que tomariam muito tempo no percurso, nem comprar passagens mais caras para ficar tão pouco tempo no destino. Um mês viajando já dá pra brincar, né?

Pensamos em várias das nossas viagens dos sonhos (já realizamos algumas e, felizmente, sempre surgem novos sonhos para ocupar esse lugar). O André quer muito conhecer a Alemanha, e então eu pensei nela como porta de entrada para o leste europeu (também chamado, talvez de forma geograficamente mais correta, de Europa Central), que sempre sonhei conhecer.

Simulei alguns roteiros incluindo as cidades mais populares da região, Praga, Viena e Budapeste. Mas eu queria a qualquer custo incluir Lviv, na Ucrânia, porque tenho familiares lá que ainda não conheço. O roteiro ficou meio quebrado, e acabamos optando por algo fora do comum: começaremos em Berlim, faremos um pit stop em Dresden, de onde seguiremos para Wroclaw (também conhecida como Breslávia), na Polônia. Ainda no mesmo país, visitaremos a Cracóvia. Pensei também em Varsóvia, mas acabei optando por não fazer esse desvio ao norte. Da Cracóvia, partiremos para Ivano-Frankivsk, cidadezinha no sudoeste da Ucrânia onde tenho parentes, frutos do primeiro casamento do meu avô materno, antes de migrar para o Brasil. Em seguida, a bela Lviv, conhecida como a Paris do leste europeu, onde vive o restante da minha família ucraniana. Depois, Kiev. E, finalmente, Moscou. Da capital russa, voltaremos.

Eu quero compartilhar os detalhes dessa aventura, mas confesso que não tem sido fácil, pois tenho um mocinho que não desgruda do meu pé, e usar o computador na presença dele é um desafio enorme. Depois que ele dorme é que consigo organizar o roteiro, pesquisar sobre as cidades, comprar ingressos, passagens de trem etc. E às vezes também preciso dormir. Mas farei o possível para dividir com vocês o planejamento e execução da viagem! 🙂

Um ano

Filhote,
Então você fez um ano. Há algumas semanas eu vinha me preparando para essa data, sem saber ao certo as emoções que ela me traria. Lembrar do seu nascimento me causa um misto de sensações. Quero ser sempre honesta com você e, para isso, devo reconhecer que o dia do seu nascimento envolveu dor, sofrimento, medo. Mas foi também o dia em que recebi o maior presente da minha vida, a felicidade de ser sua mãe.
Decidi que faria uma festa muito linda para celebrar o seu primeiro ano, porque esses 12 meses com você foram incríveis e merecem ser comemorados. Decidi que 21/05 será sempre um dia de muita alegria na nossa família. O planejamento e a concretização da sua festa tomaram todo o tempo e a energia de que eu dispunha, e nem deu para ficar triste lembrando da parte não tão legal desse dia. Quando vi, já estava na hora de cantar parabéns pra você. 
E como valeu a pena, meu anjo! Ver você curtir a festinha que preparei com todo amor, cercado de pessoas que o amam. A lição que você me ensina a cada dia é que o tempo passa muito rápido, e por isso eu preciso dar sempre mais atenção às coisas boas e aos momentos felizes.
Agora você entrou numa nova fase, e eu continuo amando acompanhar cada passo do seu desenvolvimento. Já sabe andar, bater palminhas, dar tchau, dançar, fazer não com a cabeça, tomar água com canudinho, fazer high five, cantar no ritmo da música. 
Continua amando esmagar a Samantha, mamar (que grande vitória chegarmos a um ano de amamentação depois de todas as dificuldades que tivemos), dormir no sling, tomar banho de chuveiro no colinho, Palavra Cantada, nadar na piscina, aula de música, instrumentos musicais, cozinhar um papá imaginário nas suas panelinhas, encaixar peças nos brinquedos de montar, brincar de esconder.
Sabe falar mamãe, mamá, gata, dadá, papá, ábua, banana, batata, au-au, vovó, nossa, opa e repete outras coisas que mamãe diz. Tem 8 dentinhos e um nascendo. Tem dias em que come pouco, e outros em que não sei pra onde vai tanta comida. Dorme ainda com a mamãe e o papai, e nós três amamos isso.
Parabéns pelo seu primeiro aninho, meu amor. Grata por fazer a minha vida tão feliz.
Amo você! 
Mamãe

Sobre o dia das mães 

Filhote,
No dia das mães do ano passado, você ainda estava na minha barriga. Eu já amava você, mas não tinha noção do que era ser mãe de verdade – porque essa é uma noção que só se adquire na prática. Era um tempo em que as pessoas faziam todas as minhas vontades. Hoje algumas delas sequer me cumprimentam, interessadas exclusivamente em você, como se eu nem precisasse mais existir agora que já trouxe você ao mundo. E olha que existem outras mães que são muito mais invisibilizadas que eu.
Mas tudo bem, não estou carente de reconhecimento. Nós sabemos bem a mãe que sou para você. Todos os dias vejo em você os frutos da minha dedicação integral. Ser mãe é o trabalho mais intenso que já tive na vida, sem direito a férias, folga, final de semana, licença por doença. Nunca imaginei que seria capaz de trabalhar ao longo da madrugada e levantar de manhã para trabalhar mais. Eu não pensava que isso fosse possível. Um dos meus maiores temores sobre a maternidade era esse: não dar conta do cansaço, porque sempre amei dormir muito. E olha eu aqui, vivinha.
Hoje mesmo eu levantei depois de uma noite mal dormida, e em outros tempos isso seria motivo para mau humor. Mas a primeira das suas gracinhas me derrete, um sorriso seu renova minha energia e minha paciência. Tivemos um dia lindo, com seu papai, sua vovó Maria e seu tio Gabriel. Você andou comigo de jardineira puxada por um trator, de chalana e de carroça. Viu ovelha, galinha, ganso, avestruz e cavalo. Brincou, passeou e riu muito. Encontramos pessoas queridas. Eu amei o nosso dia. E amei presentear sua vovó (sabia que ela é minha mamãe?) com a sua presença e alegria.
Foi um dia feliz, que deixará boas lembranças. E foi também um dia de pensar e refletir muito sobre a maternidade. Pensar sobre como, mesmo com todos os meus privilégios (de classe, cor, de possuir uma rede de apoio, de ter o seu pai ao nosso lado e de contar com ele de verdade para tudo), a maternidade nem sempre é fácil, apesar de linda. 
Pensar sobre como seu pai é chamado de paizão se simplesmente dá uma volta com você no colo, enquanto eu dedico minha vida integralmente a você e não sou reconhecida. Abri mão da carreira, vejo oportunidades importantes irem embora porque fiz uma escolha (e não me arrependo) de cuidar pessoalmente de você nesses seus primeiros anos. Trato você com todo amor e respeito, cuido da nossa alimentação (da minha para poder amamentar você), vigio seus passinhos, cada dia vou além do que eu mesma imaginava ser capaz. E posso contar nos dedos as pessoas que reconhecem isso sem achar que é só minha obrigação. Fora as pessoas que leem isso e vêm dizer “mas meu marido é um paizão sim” e eu só posso entender que lhes falta a capacidade de interpretação de texto.
Hoje, em pleno dia das mães, em situações diversas eu escutei mães serem julgadas. Uma pessoa falava da “mãe louca” que levou o bebê para trilhar com ela o Caminho de Santiago de Compostela. Que também seria condenada se deixasse o bebê em casa para ir. Parece que mulheres que se tornaram mães são obrigadas a abdicar de sonhos e projetos, já que não podem levá-los adiante com ou sem os filhos. Mas um pai seria julgado na mesma intensidade se deixasse o bebê em casa para fazer o caminho de Santiago? E se o levasse junto, não seria um paizão? 
Depois ouvi sobre uma mulher que abandonou os filhos com o pai para viver com outro homem. O pobre pai teve que deixar os filhos num lar para crianças, pois como iria cuidar de crianças tendo que trabalhar? Ora, todos os dias incontáveis crianças são abandonadas pelos pais com suas mães, e estas precisam trabalhar para sustentá-los, e nem por isso os deixam em lares para crianças. Mas a mãe TEM QUE dar conta, afinal ela é uma mulher. 
Sabe, filho, ser mãe é a melhor coisa da minha vida, mas tem dias que eu só queria ser um pai. E dormir como um pai.
Meu amor, sou muito feliz por ser sua mãe, não troco por nada no mundo a realização que essa missão tem me proporcionado. Sou grata por você ter me escolhido, e agradeço também pela oportunidade de crescer e aprender com você a cada dia. De ser uma pessoa melhor para lhe servir de exemplo. 
E ainda assim desejo que a maternidade possa ser mais leve para todas as mães. Que a maternidade não precise ser a imposição de renúncias e sacrifícios além dos necessários. Que em vez do julgamento, possamos um dia receber de presente mais empatia, reconhecimento, respeito e apoio. De minha parte, farei tudo que puder para ensinar você a oferecer esse presente a todas as mães que conhecer ao longo de sua vida. 
Agora eu vou deitar, já que você dormiu há duas horas (depois de muito mamá e embalo), e desde então eu: tirei do freezer o peixe que vou preparar amanhã, coloquei o feijão de molho, resolvi alguns preparativos para sua festa de aniversário semana que vem, comi uma coisinha, e vim aqui escrever esse texto. Daqui a pouco você já me chama querendo mamar e eu nem dormi ainda. Preciso registrar essas coisas e contar para você um dia, para você ser do time que sabe valorizar o trabalho de uma mãe.
Amo você!
Mamãe

11 meses

E ontem chegou seu décimo primeiro mesversário, meu amor! Daqui a um mês você terá um ano. Essas semanas têm sido muito intensas. Tenho me sentido nostálgica, emotiva, lembrando de tudo que passamos juntos desde que você chegou à minha vida. 
Superamos tantas dificuldades, filho! E isso nos fez mais fortes. A sua energia me recarrega, sua pureza me faz ter fé na vida, mesmo quando as pessoas ao nosso redor nos dão motivos para duvidar de que nossos esforços valem a pena. 
Esse mês, além de repleto de emoções, foi também bastante cansativo. Suas sonecas diurnas estão bem bagunçadas (alguns dias sequer têm sonecas). E à noite você acorda 863 vezes, com exceção de um dia ou outro de descanso que você me deu de presente e eu quase soltei fogos de artifício para comemorar pela manhã. 
Também fiquei exausta perseguindo você pela casa para livrá-lo de perigos que eu não havia previsto ainda. Você está grande o bastante para alcançar objetos que eu achava que ia demorar para descobrir. Nenhuma gaveta escapa (mesmo as mais duras de abrir), e as portas de armário que até uma semana antes você não alcançava agora também já não ficam mais fechadas.
No começo do mês você começou a andar, arriscar um passinho, dois. E aí sentava, voltava a engatinhar. De repente, parou de tentar andar, e eu achei que você estivesse com medo.
Mas não era isso, não: você estava era concentrando suas habilidades para falar algumas palavrinhas. Nanana (banana), tatata (batata), gata, neném (pra se referir a si mesmo), mamam (pra se referir à mamãe), mamá (por motivos óbvios), nanã (não, não), papá, dandá. Aprendeu a fazer não com a cabeça, dizer nham-nham pra avisar que quer alguma coisa e fazer hummmm pra comida gostosa. 
Aí você voltou a se concentrar em andar. Voltou a dar um passinho. Dois. Três. E um dia, na aula de música, ficou tão encantado com um instrumento de percussão (djembe) colocado à sua frente que saiu andando em direção a ele para poder tocar. 
Esse mês teve vários encontros com seus amiguinhos e as mamães lindas deles (pessoas responsáveis por manter minha sanidade em momentos difíceis). Teve encontro com outras amigas da mamãe, com a família, teve festas de aniversário. Teve o seu primeiro temazcal fora da barriga da mamãe. Teve a primeira Páscoa da sua vida, e você ganhou uma cesta de coelhinho feita pela vovó Maria, que a recheou de guloseimas saudáveis e sem açúcar feitas especialmente pra você. 
Você continua um grande dançarino, dança, bate palminhas e cantarola suas músicas preferidas. A aula de música é pura animação! E você adora conhecer instrumentos novos: ficou hipnotizado pela flauta transversal, amou finalmente poder tocar o teclado (fica a aula toda prestando atenção ao tio Thiago enquanto ele toca), adora o caxixi e tudo que é de percussão.
A natação é outro momento de alegria das nossas semanas. Agora você bate os bracinhos e mergulha todo faceiro. Seu papai e eu alternamos as aulas porque é tão gostoso que nós dois queremos entrar com você.
Aprendeu a encaixar as pecinhas mais difíceis dos joguinhos. E brinca de fazer papá, mexendo com a colher dentro dos baldinhos e depois oferecendo para a mamãe a comidinha imaginária, dizendo baixinho “papá”. Criança vê, criança faz! ❤️ 
E é por isso que sei que estou acertando com você, pois vejo o quanto você é carinhoso, abraça, faz carinho, não pode ver um gato, cachorro, neném, bicho de pelúcia que já quer abraçar. Porque amor é a forma de comunicação que você conhece em casa.
Meu anjinho, mais uma vez eu agradeço por você existir, por ser a luz da minha vida, por ter me escolhido pra ser sua mamãe. Amo você mais do que tudo! 
Editando pra não esquecer: nesse mês nasceram mais dois dentes, agora são 8 e um apontando.
#mesversário #onzemeses #IvanLindo #IvanCaminhante

*Esse texto foi originalmente publicado no meu perfil pessoal no facebook em 22/04/2017 e está vindo para cá bem atrasadinho. 😁

Suicídio não tem graca, depressão não é piada

Aqui em casa meu filho vai aprender que:

– chinelo serve para calçar;

– cinta serve para segurar as calças;

– a palma da minha mão serve para várias coisas, mas agredi-lo não é uma delas.
Meu filho vai aprender que, não importa o momento da vida que ele esteja passando, ele sempre vai encontrar em mim e no pai dele ouvidos atentos aos seus problemas. Que ele sempre pode contar conosco. Que a colaboração nos afazeres da casa é tarefa de todos que vivem nela, mas que aqui não achamos que depressão e ansiedade são falta de “ter a pia” cheia de louça pra lavar. 
Vocês que estão fazendo piada e compartilhando o “desafio da preguiça azul” ou “desafio da havaiana azul”, insinuando que adolescentes capazes de se automutilar e até se suicidar são desocupados e merecem apanhar, apenas se perguntem se é a vocês que seus filhos recorrerão num momento de dificuldade. Apenas imaginem se, menosprezando os adolescentes e seus conflitos psicológicos (e eventuais transtornos), vocês serão o porto seguro deles. Ou se eles irão buscar apoio em outros adolescentes ainda mais desorientados. Se você acha que esses adolescentes estão só querendo atenção, ué, e quem no mundo não está? Quem não precisa de atenção, amor e cuidado? De onde vem essa ideia deturpada de que, quando alguém pede atenção, devemos virar as costas ou reagir com violência?
Como diz a minha mãe, filho não se perde na rua, mas sim dentro de casa. Perde-se na falta de diálogo, de atenção, de cuidado.
Em vez de ficar compartilhando piada sem graça ou alertando sobre o perigo de as crianças aceitarem balas de estranhos (a grande novidade de 1985), olhemos com atenção para os nossos filhos, para as crianças e jovens do nosso convívio. Sejamos seus confidentes, ofereçamos apoio livre de julgamentos, façamos que saibam que não estão sozinhos. 
A quem precisar de alguém que lhe ouça: EU ESTOU AQUI.
(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 19/04/2017, bem como na página Mama Neném em 20/04/2017)

10 meses

Dez meses de você na nossa vida, meu amor! Dá pra acreditar? Quanta alegria, quanto amor, quanto aprendizado! Quanto tenho crescido com – e por – você!
A cada dia tenho abraçado essa oportunidade incrível de me educar para ser uma mãe melhor. Você me ensina muito, filho. 
Continua aventureiro, descobrindo novas possibilidades a cada segundo. As pessoas me perguntam se eu não trabalho, e o engraçado é que eu nunca antes trabalhei tanto na vida! O trabalho de cuidar de você não me permite distrações, não tem pausa para o cafezinho, horário de almoço, não tenho nem a chance de ir ao banheiro sem plateia! Eu amo cada segundo ao seu lado, mas isso não quer dizer que seja moleza. Seu papai de vez em quando tem uma palhinha: no final de semana, quando divide comigo a função de cuidar de você o dia todo, ele percebe o quanto sua energia é infinita.
As coisas não estão ficando mais fáceis agora que você está arriscando seus passinhos sem apoio. Mas não estou reclamando, não. Cada conquista sua é uma alegria enorme. 
Cada vez que você faz uma coisinha fofa eu me derreto, como repetir o som de uma palavra que eu disse, fechar a torneira quando eu peço, envolver meu pescoço entre os braços quando eu peço um abracinho. Quando esmaga a gata e faz carinho nos amiguinhos, quando abre um sorriso enorme e dispara em direção à porta ao ouvir o papai chegar. Quando toca os instrumentos musicais em casa ou na aulinha de musicalização. Quando mergulha e faz festa na piscina. Quando faz questão de dividir comigo seu alimento. Quando arranja qualquer fio disponível para chacoalhar diante da Sam para brincar com ela. Quando canta junto comigo as musiquinhas de que mais gosta. Quando explora o funcionamento das coisas. Quando continua encontrando em meu seio o alimento, o aconchego e a segurança de que precisa. 
É claro que nem só de coisas fofas é que se vive: não está fácil lidar com você rasgando e comendo meus livros, se enfiando em cantinhos inapropriados dos quais muitas vezes não consegue sair, usando o movimento de pinça para catar qualquer porcaria do chão para comer, escalando a estante e outros móveis, alcançando objetos colocados em cima da mesa para você não pegar, tirando a fralda e fugindo pelado para fazer xixi no chão do quarto, quase arrancando meu nariz se eu não fizer logo “BI-BI” quando você o aperta (brincadeira ótima que eu fui inventar), me mordendo com seus sete dentes já bem crescidinhos.
Mas, sim, tudo vale a pena! A gente vê o chão da sala coberto de brinquedos e livros espalhados, e não troca essa bagunça por nada! 
Nesse mesversário a mamãe não conseguiu fazer um bolinho baby friendly porque passamos o dia todo fora. E foi uma delícia celebrar seu décimo mês na companhia dos seus amiguinhos e de pessoas que amamos. Mas a nossa festinha em família nunca falta. Amamos você mais do que tudo, filhote! 

(Esse texto foi originalmente publicado por Oksana Guerra em seu perfil pessoal no Facebook em 21/03/2017)

9 meses

Filho,
Você foi concebido no dia 21/08/2015. Exatamente 9 meses depois, você veio ao mundo, em 21/05/2016. E hoje faz 9 meses que eu amo você do lado de fora do meu ventre. 
Esse mês foi especial. Entre outras coisas, você conheceu (e adorou) o mar! Passamos férias deliciosas com seu pai e sua vovó Maria. Você descobriu a textura (e o sabor) da areia. Brincou na piscina, aprendeu a subir escada, comeu mais do que nunca e se divertiu muito! 
Também começou a natação. A primeira aulinha foi meio tensa, você não curtiu o mergulho. Mas na segunda já se soltou e se divertiu muito, mesmo mergulhando! O coração da mamãe ficou mais tranquilo! Começou ainda a aulinha de musicalização para bebês, que é pura alegria. Ao chegar em casa depois da primeira aula, deslanchou a tocar seu pianinho como nunca antes. O papai já achou que compensou o investimento, hahaha!
Agora está bem mais fácil nos comunicarmos, meu amor! Você já sabe expressar com gestos e sons quando quer algo, e também quando não quer. Para o que está fazendo quando escuta a palavra “não”. Guarda objetos dentro de recipientes (adora caixas), abre e fecha as portas e gavetas, tira as coisas de dentro dos armários. Transforma várias coisas em instrumentos de percussão (o baldinho virado, caixas, prateleiras), batendo com as mãos ou com baquetas improvisadas. 
Desce do sofá bonitinho, sem ser de cabeça. Anda pela casa se apoiando nos móveis, dá tchau, bate palmas, manda beijos. Combina sílabas em sons que parecem palavras. Fica em pé sem apoio por alguns segundos e se agacha em seguida. Finge que vai mamar e aí faz “prrrr” assoprando o meu peito. 
Aprendeu a miar imitando a Samantha. Faz carinho na mamãe, no papai, na Sam, na vovó e em amiguinhos mais novos. E quando faz carinho, afina a sua voz dizendo “hmmm” como a gente faz com você. Lança olhares cheios de doçura. Encontra posições para dormir totalmente espalhado em cima de mim, para tentar evitar que eu saia da cama após você adormecer. 
São várias descobertas diárias e eu não consigo listar todas, mas gosto de escrever aquelas de que me lembro, para você ler um dia. E para eu ler nos próximos anos, quando já não recordar desses detalhes tão gostosos do seu desenvolvimento. 
Ah! Hoje pela primeira vez você comeu com a gente o bolo do seu mesversário, feito por mim com muito amor, com farinha de trigo integral, sem açúcar e sem leite. Você adorou!
Amo ser sua mãe, amo crescer com você. Amo ver o mundo pelos seus olhinhos. Amo você mais do que tudo! ❤
Feliz mesversário, meu amor!
Mamain