Maravilhosas séries protagonizadas por mulheres

Preparei uma lista especial para quem, como eu, ama séries de TV e adora quando elas contam com personagens femininas importantes. Vale dizer que muitas dessas séries e/ou suas protagonistas são ou foram criticadas em algum momento, por alguma razão, como falta de diversidade e representatividade, ou falhas de caráter, por exemplo. Algumas podem até ser caracterizadas como anti-heroínas. E daí? Há inúmeros protagonistas masculinos, geralmente brancos e heterossexuais, que são anti-heróis amados e idolatrados apesar de serem corruptos (Frank Underwood), fabricantes de metanfetamina (Walter White), serial killers (Dexter), bandidos encrenqueiros sobre duas rodas (Jax Teller)…

Minha pretensão não é apontar programas televisivos irretocáveis ou personagens perfeitas, mas apenas apresentar um viés diferente, mostrando que existem excelentes opções de entretenimento, desde comédias até dramas, passando por ótimas séries policiais e suspenses, com protagonistas femininas. Ah! Os detalhes que revelo aqui são no máximo os contidos nas sinopses, além de algumas curiosidades, sem spoilers arrasadores. 😉

The Fall

A estrela dessa série policial é a brilhante detetive Stella Gibson (Gillian Andersonde Arquivo X e da série Hannibal). Juro que não foi proposital juntar “estrela”, “brilhante” e “Stella” na mesma frase. É uma mulher competente, forte, independente e pouco interessada na opinião alheia sobre sua vida pessoal. A atriz que a interpreta tem 47 anos, o que vale a pena ser citado: adoro séries que investem em protagonistas não tão jovens. Longe de ser perfeita, é uma personagem complexa. Aliás, esse é um dos trunfos da série, que não simplifica as pessoas em mocinhos e bandidos rasos, todos os personagens têm múltiplas camadas (se você não se cuidar, pode se apaixonar pelo serial killer mais gato de todos os tempos, interpretado por Jamie Dornan, mas eventualmente vai conseguir odiá-lo, não se preocupe).

stella the fall

Em várias situações, as falas de Stella são verdadeiras aulas de feminismo. Mas ela não é a única mulher poderosa da série, que conta com várias coadjuvantes maravilhosas. Quanto ao enredo, ambientado em Bellfast, uma cidade violenta da Irlanda do Norte, é uma história realista de abuso e violência contra mulheres (não recomendo para pessoas muito sensíveis, pois há cenas fortes). O ritmo é bem lento, se adotarmos como parâmetro as séries policiais estadunidenses, mas a riqueza psicológica da trama e das personagens compensa. As duas primeiras temporadas estão disponíveis no Netflix, e a terceira (e última) irá ao ar em 2016.

Sense8

Essa série de sci-fi exclusiva do Netflix deu muito o que falar esse ano. Os oito personagens principais, de diversos países, estão conectados entre si e são perseguidos por uma organização maligna. A sinopse não me animou muito, mas marido tinha achado o máximo, então resolvi dar uma chance. Os primeiros episódios demoram um pouco a engrenar, mas depois… Impossível parar! Há várias personagens femininas incríveis e bastante diversificadas, como a coreana Sun (Doona Bae), exímia lutadora, a hacker transexual Nomi (Jamie Clayton) e sua namorada Amanita (Freema Agyeman), a farmacêutica indiana Kala (Tina Desai) e a Riley (Tuppence Middleton), DJ islandesa chorona que mora em Londres.

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Dentre outras qualidades, a série trata do tema sexualidade de forma absolutamente natural. Tendo conquistado uma legião de fãs, já teve a segunda temporada confirmada para 2016.

United States Of Tara

Conheci essa série no Netflix, mas infelizmente ela não está mais disponível lá. A protagonista é Tara (Toni Collete, 43 anos), que sofre de transtorno dissociativo de identidade (DID), é casada com um cara gente boa e compreensivo e mãe de dois adolescentes. Em situações de estresse e conflito, uma das múltiplas personalidades assumem o controle de Tara, que, mais tarde, não lembra do que aconteceu. A direção é de Diablo Codi (famosa por escrever e dirigir o filme Juno). Toni Collette fez um trabalho fantástico na interpretação de todos os personagens que compõem Tara. A condição é tratada com sensibilidade e sem pender para o caricato, apesar do tom tragicômico da série. Foi cancelada após a terceira temporada em 2011.


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The L Word

Essa série terminou em 2009, mas merece sempre ser lembrada, apesar de ter recebido críticas quanto à falta de diversidade, pois a trama é centrada num grupo de amigas lésbicas e bissexuais lindas e bem-sucedidas de Los Angeles. Ok, pode ter faltado gente desprovida de beleza e de recursos financeiros, pode ser que a série reforce alguns estereótipos, mas com certeza também derruba outros. Foi a primeira a tratar a homossexualidade feminina com respeito e naturalidade, e não como mero fetiche masculino. Além de ter o primeiro personagem transexual no elenco fixo de uma série. Em alguns momentos, o dramalhão se tornou insuportável e eu senti vontade de estrangular pessoalmente uma personagem específica, mas ainda é uma série ótima e inesquecível, protagonizada por mulheres marcantes.

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Penny Dreadful

Essa série reúne vários personagens famosos literários de terror, como Jack, o Estripador, Frankenstein, Lobisomem, Van Helsing, Dorian Gray e Drácula. O título se refere a contos de horror que eram vendidos na Inglaterra do século 19, conhecidos como Penny Dreadfuls (algo como “centavos do terror”), porque cada história custava um centavo.

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A protagonista, Vanessa Ives (Eva Green), é uma de minhas personagens femininas preferidas de todos os tempos. Na Londres da época vitoriana, essa mulher forte e complexa luta contra demônios e é pessoalmente atormentada pelo próprio chefão dos capirotos. Através dela, a série explora a misoginia da época e a repressão moral e religiosa à sexualidade feminina. A personagem é incrivelmente bem construída, sombria, inteligente, sarcástica, sofrida, corajosa. Tem também outras mulheres ótimas, inclusive as bruxas poderosas e malignas. Na minha opinião, essa é a melhor série de horror da atualidade. Mal posso esperar pela próxima temporada, que estreia em 2016.

The Honourable Woman

Aclamada pela crítica, essa minissérie trata de um tema espinhoso: a região Israel-Palestina. A protagonista é a empresária anglo-israelense Nessa Stein (Maggie Gyllenhaal), que, junto com o irmão Ephra, viu o pai ser assassinado quando os dois eram crianças. Já adulta, ela assume o comando dos negócios da família, e pretende instalar quilômetros de cabos de fibra ótica no território da Cisjordânia a fim de aumentar o acesso à informação na região da Palestina. No meio desse audacioso projeto, dramas e tragédias pessoais se revelam.

Parks And Recreation

A sétima e última temporada dessa série de comédia foi ao ar em 2015. Nela, o público teve a oportunidade de se apaixonar pela protagonista Leslie Knope (Amy Poehler), uma dedicada funcionária do departamento de parques e recreação da cidade de Pawnee.

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Leslie é otimista e cativante. Uma personagem feminista, que acredita em si mesma e luta contra preconceitos, trabalha incansavelmente para melhorar sua cidade, sem deixar de batalhar por suas ambições políticas. Além de inspiradora, é provavelmente a personagem mais divertida dessa lista. E rir é sempre bom.

Game Of Thrones

Essa série fantástica que dispensa apresentações conta com diversas personagens femininas marcantes, tanto entre protagonistas quanto entre coadjuvantes. De forma bastante resumida para evitar spoilers, temos a resiliência de Sansa, a esperteza de Arya, a força e a nobreza de caráter de Brienne, a frieza calculista de Cersei, o poder crescente de Daenerys, além de Catelyn Stark, Melisandre, Ygrite e diversas outras mulheres que fazem muito mais que sobreviver em condições extremas. A presença e a atuação dessas fantásticas personagens faz toda a diferença num universo medieval, já que quase todas as obras do estilo costumam ignorar a existência das mulheres ou reduzi-las a elementos decorativos ou a vítimas a serem resgatadas por bravos cavaleiros.

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Happy Valley

Comecei a ver essa série britânica no Netflix enquanto escrevia esse texto. Não consegui parar até o final da primeira temporada (a única disponível por enquanto), com 6 episódios de uma hora de duração. Fui dormir às 3h da manhã, sem fôlego.

A protagonista, Catherine Cawood (Sarah Lancashire) é uma sargenta (aos professores Pasquale de plantão: embora as Forças Armadas tenham optado por não adotar o termo na forma feminina, ele existe na Língua Portuguesa e eu escolhi usá-lo, ok?) na faixa dos 50 anos, com uma vida extremamente complicada. Essa personagem foge de qualquer estereótipo de heroína: não é jovem, linda, gostosona. É uma avó que precisa criar o neto após a morte trágica da filha, tem um relacionamento complicado com o ex-marido, um trabalho difícil, um filho que não fala com ela. A série não é para quem tem estômago fraco: envolve tragédia e violência desde o primeiro episódio. Homicídio, sequestro, estupro, tráfico de drogas fazem parte da rotina de Catherine, misturando-se aos terríveis dramas de sua vida pessoal. Ainda assim, ela sempre dá um jeito de cuidar de todo mundo que precisa.

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É difícil descrever a complexidade dessa personagem sem dar spoilers, mas posso dizer que, apesar de sofrer junto com ela, dá gosto vê-la em ação. Como as outras personagens femininas de que eu mais gosto, está bem longe da perfeição. Ela faz muita merda, diz coisas horríveis – aliás, vários personagens da série dizem e fazem coisas imperdoáveis – mas essa humanidade apenas enriquece o seu caráter. É uma pessoa normal, fazendo tudo que pode para acertar dentro das circunstâncias que se apresentam. Quando me imagino no lugar dela, é difícil pensar que tomaria decisões diferentes. Só não sei se conseguiria ser tão fodona como ela é.

The Good Wife

A premissa d’A Boa Esposa talvez não a fizesse figurar nessa lista: Alicia Florrick (Juliana Marguiles, 49 anos) é a esposa de um procurador do Estado, preso após um escândalo de corrupção e sexo com prostitutas, e ela precisa lutar para recompor a vida e manter a família. Sua vida particular é constantemente revirada pela imprensa e, depois de muitos anos dedicados exclusivamente ao casamento e aos filhos, decide voltar ao mercado de trabalho.

O que torna Alicia especial é sua evolução ao longo da série. Suas falhas, as experiências bem-sucedidas e também as fracassadas, as inevitáveis consequências de suas escolhas. Ao longo das temporadas ela alcança maturidade emocional e constrói um caráter único – e apaixonante – cada vez se sujeitando menos às imposições sociais que não lhe fazem bem.

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A série conta também com outras ótimas personagens femininas, com destaque para a poderosa Diane Lockhart (Christine Baranski) e a enigmática Kalinda Sharma (Archie Panjabi).

Homeland

Carrie Mathison (Claire Danes) é uma agente do FBI muito competente e inteligente, especialista em reconhecer e antecipar padrões de comportamento. Carrie luta para interromper planos de terroristas do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que tenta a todo custo esconder seu transtorno bipolar, controlado com altas doses de medicação.

Sua condição acaba sendo descoberta, e a personagem mostra com clareza os preconceitos e dificuldades enfrentadas por quem tem esse transtorno.carrie homeland

The Killing

Sarah Linden (Mireille Enos) é mais uma protagonista que escapa de estereótipos. Nunca usa maquiagem, não se importa com sua aparência e se a vi sorrir 3 vezes durante a série acho que foi muito. Nesse thriller psicológico (remake estadunidense da série dinamarquesa Forbrydelsen), Sarah é uma policial que investiga o assassinato da adolescente Rosie Larsen. Nas temporadas seguintes – são quatro no total – outros dramas se desenrolam. As duas versões, a original dinamarquesa e o remake estadunidense, estão disponíveis no Netflix.

Scandal

Olivia Pope (Kerry Washington) é a poderosa, rica, feminista, linda e escandalosamente bem vestida ex-funcionária da Casa Branca, chefona da Pope & Associates, uma empresa especializada em gestão de crises. Mesmo trabalhando num meio predominantemente masculino, ela não baixa a cabeça pra ninguém e não tem receio de reconhecer sua própria competência – ela é apenas a melhor no que faz. E sabe ler pessoas como ninguém.

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Quer mais? Ela é a primeira protagonista negra desde 1975, quando cancelaram Get Christy Love. A série, que tem Michelle Obama como uma fã declarada, foi criada por Shonda Rhimes, e a personagem de Pope foi inspirada na ex-assessora de imprensa do governo de George Bush, Judy Smith. Smith, por sua vez, é co-produtora executiva e consultora técnica da série. Olivia é mais uma dessas personagens que comete erros – e sofre suas consequências – e tem falhas de caráter, como se fosse, assim, uma pessoa normal.

Orange Is The New Black

Essa série super premiada é uma adaptação da autobiografia de Piper Kerman, sobre o ano que passou em uma penitenciária feminina, presa por tráfico de drogas. Protagonizado por Piper Chapman (Taylor Schilling), o enredo é evidentemente focado na vida das mulheres presas. O que tem: diversidade (mulheres negras, brancas, latinas, heterossexuais, lésbicas, trans, velhas, gordas, mães, estigmatizadas por transtornos mentais, tem de tudo); personagens complexas (a cada episódio, além da rotina na prisão, em forma de flashbacks é retratado o passado das mulheres, as razões pelas quais foram presas, as dificuldades que sofreram até ali); feminismo; sexo; intrigas;  empoderamento feminino; empatia; a vida vista pelo ponto de vista das mulheres; drama; humor.

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Tem também estereótipos, mas é uma série ótima, cuja produção (além do elenco) é majoritariamente feminina. Vale muito a pena prestigiar e se deliciar com essas histórias.

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Orphan Black

A atriz Tatiana Maslany não interpreta apenas uma, mas várias mulheres impressionantes nessa série canadense de ficção científica. A história se desenvolve em torno da criação de clones. Tudo começa quando Sarah, uma mãe solteira trambiqueira, descobre uma mulher idêntica a si. As outras personagens vão se revelando a partir daí.

Embora as personagens em geral sejam brancas e magras, comparada a outras séries do gênero essa consegue se destacar no quesito representatividade, com um personagem transexual, o melhor amigo gay (mesmo que um tanto estereotipado), uma bissexual. Outro destaque importante é a amizade e a rede de apoio que se forma entre essas mulheres.

How To Get Away With Murder

Mais uma série incrível da Shonda Rhimes, e mais uma protagonista negra fantástica: a advogada de defesa criminalista e professora de Direito Penal Annalise Keating (Viola Davis). Um dos maiores trunfos dessa série é sambar na cara dos estereótipos: as mulheres e os homens retratados têm etnias, nacionalidades, idades e orientações sexuais diversas, e essas características não influenciam de uma forma ou de outra na formação de seu caráter.

Através do recurso de flashforward, a série revela a cada episódio algumas cenas de acontecimentos futuros, que criam um clima de suspense e curiosidade. Paralelamente à solução dos casos no tribunal, os alunos escolhidos por Annelise num processo seletivo para acompanharem seu trabalho precisam tomar decisões em relação a um aparente homicídio em que estão envolvidos.

annelise

A trama tem um ritmo acelerado, os personagens são ótimos e tal. Mas o grande destaque é mesmo a atuação de Viola, vivendo sua primeira protagonista aos 49 anos, construindo uma personagem complexa, ao mesmo tempo forte, brilhante e aparentemente calculista, mas revelando sua insegurança em relação ao marido e à maternidade. Além de viver uma das cenas mais poderosas dos últimos tempos (sugerida pela própria atriz), em que se desconstrói diante do espelho, livrando-se da maquiagem e da peruca, revelando-se sem os elementos que usa para fortalecer sua imagem no trabalho. Uma série sensacional com uma das melhores protagonistas.

The Bletchley Circle

Essa foi uma série que eu encontrei no Netflix, num daqueles dias em que parece que a gente já viu tudo que existia de interessante. É bem curtinha: são apenas duas temporadas, com 3 episódios na primeira e 4 na segunda. Ambientada na Inglaterra, a trama tem início em 1943, período da guerra. Um grupo de mulheres trabalha para o governo inglês com a missão de decifrar os códigos alemães.

Passados alguns anos, vivendo dentro dos limites impostos às mulheres da época, uma delas, esposa e mãe (sem que a família sequer desconfie do serviço secreto importantíssimo que ela já prestou ao país), percebe um padrão por trás de assassinatos de mulheres ocorridos em Londres. Ela procura as antigas amigas e elas se unem para tentar solucionar o mistério. Obviamente, a polícia não lhes dá crédito e elas encontram diversas dificuldades pelo caminho.

Jessica Jones

Nessa segunda parceria entre a Marvel e o Netflix, a heroína é Jessica Jones (Krysten Ritter), uma órfã que adquiriu seus superpoderes de forma misteriosa (ainda não revelada) e, depois de uma situação traumática, desistiu de ser uma vigilante e passou a trabalhar como detetive particular. Por isso, sua força extraordinária, sua capacidade de dar pulos gigantes e sua relativamente rápida autorregeneração não aparecem com tanta frequência na série, o que a torna também mais crível e realista.

jessica jones

Jessica faz questão de se virar sozinha, tem poucos amigos, um humor sombrio, é forte e durona, mas sempre disposta a ajudar quem precisa. Conforme a trama vai se desenrolando, conhecemos detalhes de seu passado que justificam suas fraquezas e seu empenho em manter as pessoas afastadas. Um dos pontos altos é sua relação com o vilão da primeira temporada, que ilustra com perfeição um relacionamento abusivo. É marcante quando Jessica explica (infelizmente fora da ficção também existe muita gente que ainda precisa dessa lição) que sexo sem consentimento válido é estupro. 

Das séries de heróis que já vi, essa é com certeza a melhor.

Call The Midwife

A trama é inspirada nas memórias da enfermeira inglesa Jennifer Worth (1935-2011), cujo livro foi publicado em 2002, contando sobre seu trabalho em uma área pobre de Londres na década de 1950. Na série, a protagonista é Jenny Lee (Jessica Raine), de 22 anos. Ela acreditava que, ao concluir sua formação em enfermagem, iria trabalhar em um hospital, mas acabou na Nonnatus House, um convento de freiras anglicanas dedicadas à atividade de parteiras. Mesmo surpresa com a pobreza da região, Jenny, uma moça de classe média, acaba se apaixonando pela profissão. As outras enfermeiras, as freiras e as parturientes são as outras personagens femininas, cada uma com características próprias e conflitos pessoais. O maior destaque é Chummy (Miranda Hart), uma enfermeira grandalhona, desengonçada, divertida, de uma família rica que não aceita sua escolha profissional. Por não atender aos critérios de beleza vigentes, ela tem dificuldade de acreditar quando passa a ser cortejada por um policial apaixonado.

A cada episódio, o grupo presta assistência em partos diferentes, muitas vezes em condições precárias. Mas a história sensível vai muito além disso, construindo laços entre as mulheres, retratando situações de abuso, falando do parto como um evento natural da vida (vale lembrar que, na Inglaterra, até hoje a maioria dos partos é assistida por enfermeiras, embora algumas práticas da época da série evidentemente tenham sido modernizadas), tratando de problemas da velhice, tocando em alguns tabus. Apesar disso, é uma série leve, nada deprimente e vale muito a pena ser vista.

Nurse Jackie

Jackie Peyton (Edie Falco) é a típica anti-heroína. Uma enfermeira sarcástica de meia-idade, viciada em analgésicos (que consegue transando com o farmacêutico do hospital), casada, mãe de duas filhas, que furta medicamentos para pacientes pobres. Em alguns momentos, é extremamente egoísta e parece capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer (característica coerente com o vício). Em outros, corre riscos para ajudar alguém de forma totalmente desinteressada. Sob alguns aspectos, ela parece uma versão feminina do Dr. House. Uma personagem com a mesma capacidade de cativar e de despertar aversão.

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Aos poucos, vemos sua vida ruir em meio a muitas mentiras, chantagens, pressão e tensão psicológica. Outras personagens femininas também fazem bonito, como a Dra. Eleanor O’Hara (Eve Best) e a enfermeira Zoey Barkow (Merritt Wever).

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Miss Fisher’s Murder Mysteries

Essa foi mais uma série encontrada no Netflix em horas de navegação desocupada em busca de algo novo para ver. É uma produção australiana leve, divertida e descompromissada, ambientada nos anos 20. Nada que vá fazer você grudar na tela episódio após episódio. Mas a trama inocente é feminista sem fazer alarde, e com humor e leveza consegue abordar temas como aborto clandestino, preconceito, sexualidade feminina, racismo, machismo, más condições de trabalho.

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A protagonista é Phryne Fisher (Essie Davis), uma mulher liberal, independente, absolutamente desinteressada em compromisso, com uma vida sexual agitada e diversificada. Miss Fisher, após solucionar um crime, decide se tornar investigadora particular, enquanto escandaliza e desafia a sociedade da época.

Weeds

Essa série, criada por Jenji Kohan (a mesma de Orange is the new black) começou incrível e, infelizmente, como muitas outras, decaiu um pouco ao longo das temporadas. Mesmo assim foi altamente viciante e ainda tenho carinho por sua protagonista Nancy Botwin (Mary-Louise Parker), a dona de casa que, depois de perder o marido, começou a vender maconha para poder sustentar sua família. Mais uma anti-heroína apaixonante, tentando sobreviver e fazendo uma série de escolhas ruins pelo caminho. A série é tragicômica, mas impera o humor subversivo e inteligente, criticando a hipocrisia da sociedade.

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Poderia citar ainda várias outras, mas não o farei por motivos de post infinitus. Ainda há muito que caminhar em termos de representatividade feminina, especialmente incluindo mulheres fora do padrão. Mas até lá, não falta série boa para ver. E você, conhece/ama outras séries maravilhosas protagonizadas por mulheres? Conte aí nos comentários!

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Da série: como a preguiça pode melhorar sua vida

Num dia de calor intenso, em 2009, Iris Scott estava pintando um quadro e ficou com preguiça de ir limpar seus pincéis. Em vez disso, resolveu usar os próprios dedos. Esse foi o golpe de sorte que a fez desenvolver uma nova técnica e mudou totalmente o rumo de sua carreira artística.

Depois de descobrir seu próprio estilo impressionista, Iris nunca mais voltou a usar pincéis. No site da artista, além de obras de arte originais, estão à venda impressões sobre tela e papel. Você também pode acompanhar o trabalho de Iris no Facebook. Veja a seguir algumas de suas surpreendentes obras.

 

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A Magia de Miró em Curitiba

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Eu já falei aqui sobre a importância de fazer coisas diferentes e até dei uma lista de 30 sugestões custando pouco ou mesmo nada. Para continuar contribuindo, de vez em quando vou dar dicas aqui de coisas legais rolando por aí, especialmente (mas não somente) em Curitiba, onde vivo.

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Miró na inauguração de sua exposição na Galeria Theo, Madrid, 1978

A dica de hoje é a exposição “A Magia de Miró”, que acontece na Caixa Cultural Curitiba entre 21 de maio e 20 de julho de 2014. Miró1


A exposição, que já passou por galerias e museus de São Paulo, Europa, América e Oceania, conta com 69 obras – algumas inéditas! – do artista espanhol e 23 fotografias em preto e branco de Miró registradas por Alfredo Melgar. E o melhor: a entrada é na faixa!

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Na casa de Miró em Son Abrines, 1980. Da esquerda para a direita: Jacques Dupin, Carlos Franqui, Baruj Salinas, Luigi Carluccio e Joan Miró.
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Miró dedicando a grande tela doada à cidade de Montecatini Terme, 1980.

O que mais gostei da exposição foi de ter a oportunidade de adentrar o universo criativo do artista e compreender um pouco desse processo. Além de obras de diversas fases de sua produção, são exibidos esboços e notas feitos sobre embalagens, pedaços de papelão, papel kraft, envelopes selados etc.

É interessante observar a urgência da criatividade: quando a inspiração surge, um lápis ou giz de cera reproduzem a imaginação sobre qualquer superfície que esteja disponível. Deixar para depois pode ser tarde demais.

Ao observar o colorido abstrato numa tela de cores intensas, é difícil imaginar que, até atingir aquele resultado, o artista fez uma série de experimentações. Em alguns casos, os mesmos grafismos se repetem em diferentes telas assumindo, de acordo com as cores que os acompanham e até mesmo a posição em que se encontram, personalidades diversas: uma cascata, uma luta ritual ou uma amazona.

 

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Miró olhando a Miró I, 1983. Tinturas Kodak sobre papel fotográfico. Intervenção de Miró sobre uma foto de A. Melgar.

Sobre o artista (extraído do site da Caixa Cultural)

Nascido em Barcelona, na Espanha, em 20 de abril de 1893, Miró é um dos mais renomados artistas da História da Arte Moderna. Estudou com Francisco Galí, que o apresentou às escolas de arte moderna de Paris, transmitiu-lhe sua paixão pelos afrescos de influência bizantina das igrejas da Catalunha e o introduziu à fantástica arquitetura de Antonio Gaudí. Em suas pinturas e desenhos, tentou descobrir signos que representassem conceitos da natureza num sentido poético e transcendental. Nesse aspecto, tinha muito em comum com dadaístas e surrealistas, sendo influenciado principalmente por Paul Klee.

Miró também trazia intuitivamente a visão despojada de preconceitos que os artistas das escolas fauvista e cubista buscavam, mediante a destruição dos valores tradicionais. A partir de 1948, entre Espanha e Paris, realizou uma série de trabalhos de conteúdo poético com variações temáticas sobre mulheres, pássaros e estrelas, entre eles esculturas. Em 1954, ganhou o prêmio de gravura da Bienal de Veneza e, quatro anos mais tarde, ganhou o Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim pelo mural que realizou para o edifício da UNESCO, em Paris. Miró morreu em Palma de Maiorca, na Espanha, em 25 de dezembro de 1983.

Sobre Alfredo Melgar:
O curador da mostra Alfredo Melgar Alexandre (Madrid, 1944), XIII conde de Villamonte, foi médico rural e professor da Cruz Vermelha, atuou como médico voluntário dos campos de refugiados do Oriente Médio e viajou pela América, África, Ásia e Europa trabalhando, alternadamente como médico e fotógrafo. De volta à Espanha, em 1980, fundou a editora e galeria de arte Alfredo Melgar, produzindo portfólios de pintura, música e poesia. De 2003 a 2008 foi Presidente da Associação Espanhola de Gestores do Patrimônio Cultural (AEGPC). Hoje, Melgar vive em Madrid, realizando trabalhos de edição, produção e direção de exposições e eventos culturais.

Após a temporada em Curitiba, a exposição segue para as unidades da CAIXA Cultural Rio de Janeiro (28 de julho a 28 de setembro de 2014), Recife (7 de outubro a 7 de dezembro de 2014) e Salvador (16 de dezembro de 2014 a 8 de fevereiro de 2015).

Serviço:
Exposição: “A Magia de Miró”
Local: CAIXA Cultural Curitiba – Rua Conselheiro Laurindo, 280 – Curitiba (PR)
Data: de 21 de maio a 20 de julho de 2014 (terça-feira a domingo)
Horário: de terça a sábado das 9h às 20h e domingo das 10h às 19h
Ingressos: Entrada franca
Informações: (41) 2118-5114
Classificação etária: Livre para todos os públicos

*Todas as imagens que ilustram esse post foram extraídas do lindo programa da exposição, de distribuição gratuita.