De volta à Residência Belotti

Já falei sobre a Residência Belotti aqui há quase um ano, quando a restauração da casa tinha acabado de ser concluída, e ela estava aberta à visitação por tempo limitado. Depois de um tempo, foi inaugurada como espaço de arte e design, bistrô e estúdio coletivo.

 

Como eu contei no texto anterior, a Residência Belotti, construída em 1953 para o casal Medoro e Nine Belotti,  foi uma das primeiras da corrente modernista em Curitiba, projetada pelo genial arquiteto Lolo Cornelsen.  A casa passou quase 10 anos abandonada, até ser inteiramente restaurada. 

Ano passado, marido e eu fomos almoçar lá num sábado. A comida estava ok, o atendimento foi bem fraco e achamos que o peço não compensou, apesar do lugar ser incrível. Na ocasião, lamentei o fato, imaginando que o bistrô não iria muito longe, e era um desperdício um espaço tão especial da cidade estar sendo mal aproveitado.

Hoje estava passando em frente, ainda sem saber onde almoçar, e resolvi entrar. Foi uma ótima ideia! Descobri que o bistrô está sob nova administração há cerca de um mês. O almoço, que custa R$ 23,90, conta com uma entrada, um grelhado e dois acompanhamentos, à escolha do freguês. As opções de hoje eram: para a entrada, salada de folhas verdes com maracujá e lascas de queijo ou salada de grãos com crostini (escolhi essa); entre os grelhados, entrecôte, tilápia (minha escolha) e frango; e para os acompanhamentos, arroz branco ou cateto com legumes, confit de berinjela e pimentões, rondeli de tomate seco e mousse de batata roxa.

  Há mesas no quintal dos fundos ou no jardim da frente, e ambos os espaços são lindos. A comida estava boa e atendimento foi bem simpático.  

Além disso, sempre está rolando uma exposição de arte, há uma loja de produtos descolados e a casa, por si só, já vale a visita. Programinha imperdível para curitibanos e curitilovers em geral.

Guia de Aprendizagem Online

Está querendo mudar de vida e não sabe por onde começar? Acredita que os estudos podem fazer você chegar lá? Mas sentar numa carteira e ouvir um professor falando sobre um tablado não faz sua cabeça? Quer aprender outra língua? Atualizar-se na sua área de estudos? Ou conhecer outra completamente diferente? Se as desculpas os motivos para não fazer isso são “não tenho dinheiro”, “não tenho tempo” ou “gostaria mesmo é de estudar em Harvard”, seus problemas acabaram.

Você já ouviu falar de MOOC? É uma sigla em inglês que significa “Massive Open Online Course”, em português “Curso Online Aberto e Massivo”. Com a popularização dos cursos, oferecidos por diversas universidades e plataformas, o conceito acabou ficando um pouco mais amplo. Podemos dizer, no entanto, que MOOC é um curso online (oferecido através de diversas plataformas web e redes sociais), aberto (gratuito e sem pré-requisitos para participação) e massivo (alcançando um grande número de alunos).

Algumas plataformas oferecem cursos que não são gratuitos, descaracterizando o conceito original, mas mesmo essas oferecem outros – mais básicos, ou sem certificação – sem custo. Muitas vezes, somente o certificado (verificado por uma instituição de ensino) é cobrado. Mas muitas pessoas não estão interessadas nos certificados, e sim no aprendizado. Para isso, os MOOC’s são uma fonte infinita de possibilidades.

MOOC’s oferecem desde disciplinas elementares como Matemática, Física, Biologia, Geografia até assuntos complexos como astronomia e medicina, passando por cursos práticos ensinando você a escrever um livro de ficção, abrir uma startup, gerenciar suas finanças, investir na Bolsa de Valores, tornar-se um ninja no uso do Google ou tornar-se um professor mais criativo. E quem dá as aulas são professores altamente capacitados e/ou profissionais atuantes na área objeto do curso.

Aulas dadas em cursos de Harvard, MIT, Yale, Stanford e outras grandes universidades estão acessíveis gratuitamente. E o mais legal é que o conhecimento não está concentrado nas mãos do professor, como no modelo tradicional de ensino. Os MOOC’s estimulam a formação de um ambiente fértil de troca de ideias, em fóruns bastante ativos. Em muitos, você deverá ler e avaliar trabalhos executados por colegas de curso, que farão o mesmo com o seu trabalho. E tudo isso fará parte da sua avaliação final.

Mergulhando nesse universo, você notará também que há cursos com datas estabelecidas para a entrega dos trabalhos, para que você seja avaliado – expirada a data, você pode ver os vídeos, mas não mais conseguir um certificado de participação. Em outros cursos não há datas nem trabalhos a serem entregues. Evidentemente, nesses casos também não há avaliação do seu desempenho.

A interatividade é uma das características mais relevantes da maioria dos MOOC’s. É justamente isso que os diferencia de outras formas de aprendizado online, como as palestras gratuitas do TED e vídeo-aulas disponíveis no Youtube, por exemplo.

É claro que o rendimento num MOOC depende quase exclusivamente do seu nível de comprometimento. Por outro lado, pode ser que você se interesse apenas por uma parte ou um módulo do curso, e decida que não quer ver o restante. Pode ser que você queira apenas ver os vídeos, mas não entregar os trabalhos. Talvez seu objetivo seja simplesmente aprender a solucionar um problema ou concluir determinado projeto, ou mesmo aumentar seu network. Essa liberdade toda pode deixar muita gente confusa, mas é só porque estamos tão habituados a seguir um conjunto de regras, mesmo que elas não funcionem muito bem.

Eu acredito que os MOOC’s são parte do início de uma grande revolução na forma de obter conhecimento nas mais diversas áreas. É provável que as próximas gerações vejam com absoluta naturalidade essas novas formas de aprendizado, que hoje muita gente vê com desconfiança ou acredita que seja só uma “moda” passageira. As possibilidades de aprender irão muito além das 4 paredes de uma sala de aula, baseando-se mais em experiências práticas e no despertar do interesse do que na simples memorização de conteúdos teóricos. Para quem já cresceu dentro do padrão tradicional, é preciso força de vontade para se adaptar ao diferente. Quem tiver essa disposição estará fazendo um grande favor a si mesmo!

Um detalhe importante: se você não souber inglês, seu acesso aos MOOC’s ficará um tanto limitado. Alguns são em espanhol, francês, alemão, russo e outras línguas. E, sim, existem também em português. Sabendo inglês, contudo, suas oportunidades de ampliar o conhecimento são ilimitadas. Talvez seja uma boa começar por um MOOC que ensine inglês, que tal?

Passei vários dias pesquisando para elaborar o guia a seguir, mas ele não é definitivo – posso editá-lo para adicionar novas informações úteis, atualizar links ou excluir endereços de plataformas que porventura deixem de existir. Naturalmente, não me inscrevi em cursos de todos os provedores do guia. Muitas informações foram consultadas na descrição ou na seção de “perguntas frequentes” dos sites. Se descobrir algum furo, por favor me avise para que eu conserte!

Salve esse post nos seus favoritos e consulte sempre que precisar. Fique à vontade para sugerir modificações ou indicar MOOC’s que estejam faltando no Guia. Os nomes dos MOOC’s ou instituições de ensino contêm os links para os sites e, a seguir, são descritas as principais áreas dos cursos oferecidos, bem como as características mais importantes. Um ♥ indica os meus preferidos (até agora).

Matérias do currículo escolar, habilidades digitais, negócios, línguas, saúde e segurança, finanças e economia e outros. Em Inglês. Oferece certificados de conclusão gratuitos.

Agricultura, artes, negócios, saúde, história, habilidades práticas, matemática, mundo natural, desenvolvimento profissional, direitos e sociedade, tecnologia. Em Inglês. Não encontrei informação sobre certificados.

Preparatórios para programas de certificação na área de Gestão de Projetos, Gestão Financeira, TI, como PMP, FRM, CFA, ISTQB-CTFL etc. Em Inglês. Os cursos são preparatórios, então a Apna não oferece certificado, apenas uma Carta de Conclusão. Os cursos são grátis, exceto programas de parceiros e serviços extras.

Habilidades digitais práticas, como HTML, web design, CSS. Oferece Certificado de Excelência a quem completar todas as lições com rendimento mínimo de 85% no exame final. Os cursos são grátis.

Programação em linguagem C+ e C++ e  preparatórios para os exames de certificação CPA e CLA. Em Inglês. Os cursos são gratuitos. Oferece diferentes níveis de certificação verificada, de acordo com o nível de conhecimento, e todos são pagos.

Diversas categorias diferentes, abrangendo história, ética nos negócios, tecnologia, jornalismo, clima, educação, energia, matemática etc. Em Inglês. Não gosto da navegação, porque os cursos não estão separados por categoria. É preciso olhar um por um para ver se algo interessa, mas oferece cursos bem variados, todos gratuitos. Há certificados pagos reconhecidos por universidades.

Diversas categorias diferentes, como introdução à psicologia, lógica, mídia, biologia, computação, estatística, química, francês etc. Em Inglês. Não encontrei informações sobre certificados. Os cursos são grátis.

Dedicados ao estudo de sistemas complexos. Em Inglês, cursos grátis e não encontrei informações sobre certificados.

Um dos meus preferidos em termos de navegabilidade e qualidade dos cursos. Biologia e Ciências Biológicas, Administração & Gestão, Química, Ciência da Computação (Inteligência Artificial, Engenharia de Software, Sistemas e Segurança, Teoria), Economia e Finanças, Educação, Energia e Geociências, Engenharia, Nutrição, Saúde e Sociedade, Humanas, Informação, Tecnologia e Design, Direito, Matemática, Medicina, Música, Cinema e Audio, Física e Geociências, Física, Ciências Sociais, Estatísticas e Análise de Dados, Desenvolvimento Profissional Docente. Navegação disponível em português e cursos em Inglês, mas muitos já têm legendas em várias línguas. A navegação é simples: você busca cursos por categoria ou por nome. Os cursos são grátis e os certificados verificados são pagos.

Mais uma ótima opção. Arquitetura, arte e cultura, biologia e ciências, negócios, química, comunicação, computação, economia e finanças, direito, literatura, medicina, saúde e outros. Cursos de Harvard, MIT, Stanford e outras grandes universidades. Em Francês, Inglês e Árabe (eu acho). Alguns cursos cobram uma taxa pelo certificado verificados (mas são gratuitos se quiser só ver as aulas). Outros oferecem um certificado gratuito para qualquer um que conclua o curso com o rendimento mínimo estabelecido.

Meio-ambiente, jurídico, gerenciamento, tecnologia, relações internacionais, ciências, saúde, matemática, ciências sociais. Dedicado ao público francófono, vale a pena para quem entende francês e quer treinar/manter contato com o idioma. Os cursos são gratuitos, e não encontrei informações sobre certificados.

Diversas categorias diferentes, como literatura, medicina, programação, psicologia forense, preparatório para universidade, negócios etc. Tem parceria com universidades da Nova Zelândia, Reino Unido, Austrália. Em Inglês. Os cursos são gratuitos, e alguns deles oferecem certificados. Certificados impressos possuem uma taxa.

Investimentos em Mercado de Câmbio (FOREX). Em Inglês, cursos grátis e sem certificados.

Além dos cursos de Harvard oferecidos no EDX, a Open Learning Initiative da universidade oferece outros diversos. Não tenho certeza sobre certificados, mas alguns cursos valem créditos, desde que se pague uma taxa. Para somente participar dos cursos, é grátis. Em Inglês.

Educação, entretenimento, TED, arte e cultura, bom para aprender outros idiomas. Cursos gratuitos em Inglês, mas a navegação está disponível em português. Não encontrei informação sobre certificados. A navegação é confusa. Criei uma conta para testar, e depois nunca mais consegui alterar o idioma escolhido- escolha com sabedoria.

Diversas categorias diferentes, como startups, engenharia de rede, dinâmica de veículos, design, MATLAB etc. Cursos em Alemão, Inglês e Russo. Não encontrei informação sobre certificados, e os cursos são grátis.

Diversas categorias diferentes, como história, química, negócios, direito, sociologia, filosofia etc. Contudo, no momento em que consultei, só havia um curso disponível, todos os demais já encerrados. Certificados pagos oferecidos pela Universidade de Oklahoma. Há uma versão aberta totalmente grátis e outra paga para obter certificação. Em Inglês.

Matemática, ciências, economia e finanças, artes e humanidades, computação. O criador da Khan Academy (Salman Khan) diz que ela não é um MOOC, mas um formato totalmente novo. Mas, considerando a amplitude do conceito de MOOC, eu realmente não vejo razão para inseri-la em uma categoria inédita. A navegação é muito amigável, bem fácil de encontrar os cursos, e a variedade é ótima. Acredito que não ofereça certificados. Há medalhas (badges) que o usuário acumula conforme suas conquistas. O site diz que pode levar anos para conseguir algumas das medalhas. Totalmente gratuitos, os cursos da Khan Academy têm sido utilizados em escolas, na educação de crianças e idosos, e é super útil para esclarecer dúvidas que sobrevivem desde o ensino médio.

Categorias variadas. Mas, no momento da pesquisa, só encontrei dois cursos ativos. Cursos grátis em Inglês. Não encontrei informação sobre certificados.

Astronomia e Astrofísica, Ciências Agrárias, Química, Antropologia, Ciência Política, Ciências da saúde, Ciências da Terra e do Espaço, Ciências da Vida, Artes e Letras, Ciências Jurídicas e Direito, Ciências Tecnológicas, Demografia, Econômicas, Ética, Filosofia, Física, Geografia, História, Humanidades, Linguística, Lógica, Matemática, Pedagogia, Psicologia, Sociologia. Cursos grátis em Espanhol. Navegação disponível em Português. O certificado de participação é liberado automaticamente quando se atinge uma média de 75% em todas as atividades obrigatórias realizadas. Para receber o certificado de aperfeiçoamento, é preciso superar todas as atividades obrigatórias incluídas no curso.

Aulas gratuitas de cursos do MIT, em Inglês, em diversas áreas. Não encontrei informação sobre certificados.

Direcionado a educadores. No momento da pesquisa, não havia nenhum curso ativo.

Comércio internacional, desenvolvimento econômico, economia. Passando na prova final, você recebe um certificado da MR University. Os cursos são grátis e em Inglês.

Poucas opções. No momento em que esse guia foi feito, havia 3 cursos abertos, um sobre a SEPA (iniciativa da EU para simplificar transferências bancárias em euros), um sobre financiamento de negócios, e o último sobre como escrever uma obra de ficção. Em Francês. Não há muitos cursos disponíveis e não encontrei informação sobre certificados.

Empreendedorismo, finanças, estratégia de negócios, educação, design e criatividade, matemática e ciências, humanidades. Grátis, em Inglês.

Educação e treinamento, ciências e tecnologia, marketing e propaganda, negócios, saúde e medicina, gerenciamento, artes e humanidades. Em Inglês e grátis. Certificado de conclusão com as notas.

Computação, startups, gestão empresarial, negócios. Cursos grátis, em Inglês. Os certificados são pagos.

Ciência e tecnonologia, ciências sociais, negócios, humanidades, matemática, artes. Cursos em Inglês. Navegação disponível em português. Não encontrei informação sobre certificados.

Programação, web, análise de dados. Em Alemão e Inglês. Os cursos são gratuitos. Muitos têm descrição somente em alemão. Destinam-se a pessoas interessadas em temas de TI. Após a conclusão do exame final online, os participantes recebem um certificado do Instituto Hasso Plattner.

Empreendedorismo, programação, ciências, educação, photoshop etc. Há cursos gratuitos (a maioria) e outros pagos. Alguns deles oferecem certificados. Também é possível criar seu próprio curso e lançá-lo através da plataforma.

Cursos em Inglês sobre o Sistema SAP. Alguns, voltados ao desenvolvimento de software, são pagos, o restante é gratuito. Oferece certificado de conclusão.

Programação, web, análise de dados, segurança. De todos, é o que tem a navegação menos amigável. Encontre os cursos no link superior “Training”.

Aulas de diversos cursos acadêmicos de Yale, em Inglês, grátis e sem certificados.

Python (linguagem de programação), aprendizado criativo e análise de dados. Não encontrei dados concretos, mas a informação de que oferece educação elevada a baixo custo indica que alguns cursos talvez sejam cobrados.

Cursos em diversas categorias, desde história da arte, biologia, filosofia, matemática e outras disciplinas, até desenvolvimento profissional, atendimento ao cliente etc. É grátis, em Inglês, e oferece certificado de conclusão.

Cursos em Inglês direcionados à área de negócios. São gratuitos, com opção de upgrade pago para materiais exclusivos e  certificação.

Finanças, marketing, investimentos, gestão de empresas, TI, engenharia, humanidades, lei, matemática e estatística, medicina, ciências. Alguns cursos são pagos e outros gratuitos.

Ciência e matemática, programação, design, startups, negócios e finanças, informática, marketing, idiomas, artes e hobbies. Em Espanhol. Alguns cursos são pagos e outros gratuitos. Também é possível criar seu próprio curso utilizando a plataforma.

Linguística (em inglês). Cursos grátis.

Análise de dados, desenvolvimento de rede, programação, computação, negócios, startups. Não tenho certeza se os cursos gratuitos oferecem certificado. Alguns cursos permitem o upgrade (pago) de um número limitado de alunos, dando acesso a projetos, revisão de trabalhos, treinamento personalizado e certificado mediante uma entrevista ao vivo.

Tecnologia, negócios, design, artes e fotografia, saúde, matemática e ciência, idiomas, humanas e outros. Cursos em diversos idiomas, navegação disponível em português. Alguns cursos são pagos e outros gratuitos. Oferece certificado de conclusão.

Negócios, ciências, criminologia, saúde, T.I., direito, sociologia. Cursos grátis com opção de upgrade pago para exame e certificação.

Programação, desenvolvimento web. Grátis, em Inglês.

Cursos variados, em Russo. Se você não lê em russo, nem perca tempo.

Vídeos de aulas de diversos cursos acadêmicos, em Espanhol. Certificado de conclusão sem valor acadêmico.

Ciências da computação, artes e ciência. Em Inglês, grátis.

Empreendedorismo, gestão de projeto. Em Francês.

Como evitar o plágio, diretrizes de acessibilidade para conteúdos web, português, física e química, matemática, biologia e geologia, apresentações criativas com o PREZI, produção e partilha de vídeos em contexto educativo, construção e partilha de mapas mentais, estruturar um curso no Moodle. Tudo em Português, mas tem bem poucos cursos. Grátis.

Administração, engenharia, filosofia, direito, matemática etc. Site brazuca, todo em português (mas há vídeos e aulas em inglês, creio que todos legendados). Os cursos são gratuitos e, aparentemente, alguns dos certificados são pagos e outros não. Há cursos de MBA e outros que oferecem certificado reconhecido e pago.

Diversos cursos acadêmicos, em Inglês e gratuitos.

São poucos cursos, todos para escritores (ou quem quer ser escritor), em Inglês, gratuitos e, ao que tudo indica, sem certificados – quem precisa de um para ser escritor?

Diversas categorias diferentes. Tudo em russo. Há certificados de conclusão gratuitos e outros pagos (reconhecidos).

Aulas em Inglês de cursos da UCLA. Quase todos os cursos são gratuitos. Encontrei apenas um curso certificado, por uma taxa de valor elevado.

Projeto 365 dias: dia 15 – Jazz no Paço com Michele Mara

O 15º dia do Projeto foi registrado no Instagram, mas não aqui, por motivos de – esqueci e fui dormir. Sim, estou no Insta também, tá ali do ladinho ó, me segue. =>

Como já havia comentado antes, está rolando por essas paragens a 33ª Oficina de Música de Curitiba. Ontem teve Jazz no Café do Paço, com Michele Mara interpretando Aretha Franklin. Começou às 18h, horário em que saí do escritório e fui correndo para lá. O Café ficou super lotado, todo mundo em pé, cantando junto. Colocaram uma caixa de som voltada para fora e o pessoal que não conseguiu entrar ou que estava morrendo de calor – como eu – se espalhou pela praça enquanto curtia o som ao vivo. Foi muito legal!

Vale a pena conferir a programação, que vai até o dia 28/01, e aproveitar os eventos. Muitos deles são gratuitos, outros com ingressos a preços módicos. E é bom chegar cedo porque lota e, como vi na quarta-feira, os ingressos esgotam cedo!

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Michele Mara interpreta Aretha Franklin no Café do Paço

 

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Paço da Liberdade

 

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Não cabia mais gente dentro do Café, mas o povo se espalhou pela praça para curtir o som ao final da tarde.

 

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Estacionamento gratuito. 🙂

 

Projeto 365 dias: dia 14 – Museu do Expedicionário

Hoje aproveitei meu horário de almoço para conhecer o Museu do Expedicionário, um dos mais completos museus temáticos brasileiros sobre a segunda guerra mundial do Brasil. Tenho duas dicas, para começar: primeira, não vá num curto horário de almoço; segunda, não vá num dia de calor intenso. Isso porque o museu tem um acervo enorme de documentos, fotografias, mapas, ilustrações, recortes de jornais da época, medalhas, uniformes, equipamentos, armas, munições e objetos que foram utilizados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Marinha de Guerra do Brasil. O que o museu não tem é ar condicionado (pretendo voltar num dia mais fresco com tempo suficiente para explorar com calma o acervo).

A casa onde fica o museu, projeto do engenheiro Euro Brandão, foi construída após o fim da Segunda Guerra Mundial, pelo esforço dos expedicionários paranaenses, através da promoção de festas, rifas e doações. Inaugurada em 1951, a sede tinha como objetivo prestar assistência médica, odontológica, social, jurídica e previdenciária para os ex-combatentes e seus familiares. Tornou-se também um local para eventos sociais, culturais, educacionais e recreativos.

A Legião Paranaense do Expedicionário ajudava também na compra de medicamentos, já que muitos voltaram da guerra mutilados ou com tuberculose e não tinham condições de arcar com esse custo. Ainda buscava recolocar no mercado os desempregados e chegava até a emprestar dinheiro. O objetivo era amparar os expedicionários e, em retribuição, após recuperados, que começassem a colaborar com a LPE.

Com o passar do tempo, os serviços assistenciais deixaram de ser necessários, o museu foi ampliado e em 29 de julho de 1980 sua administração e conservação passaram a ser de responsabilidade da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.

Na Praça do Expedicionário (popularmente conhecida como “Praça do avião”, local onde fica o museu, estão expostos um tanque de guerra, um avião Thunderbolt e outros equipamentos de guerra utilizados no conflito mundial.

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O P-47 Thunderbolt exposto na Praça do Expedicionário é uma rara relíquia preservada que foi originalmente empregada pelo 1° Grupo de Caça na Itália. Informações sobre a aeronave: Bombas: são originais e vieram para Curitiba armadas (atualmente desativadas); Metralhadoras: réplicas das originais; Canopy: réplica, o original foi destruído por vandalismo na década de noventa; Cockpit: após o vandalismo do canopy, o cockpit foi retirado e transferido para o interior do museu; Lançadores de foguete: réplicas dos originais; Trem de pouso: foi retirado para aliviar a estrutura elevada; Pintura: refeita bianualmente.

 

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Ao lado das três bandeiras, um majestoso pinheiro, símbolo do Paraná.

 

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Um canhão, um tanque, uma âncora, um torpedo e um avião representam a presença das Forças Armadas no conflito mundial (Exército, Marinha e Aeronáutica).

 

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Na frente dos três mastros das bandeiras há uma lápide que registra os nomes dos vinte e oito veteranos paranaenses mortos em combate, uma homenagem da LPE (Legião Paranaense do Expedicionário).

 

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Uma escultura em pedra sabão no alto do prédio do museu representa uma patrulha da infantaria em ação.

 

2015/01/img_2392.jpgNão é permitido fotografar ou filmar o interior do museu.

Museu do Expedicionário

Rua Comendador Macedo, 655 (Praça do Expedicionário) – Alto da XV

CEP 80060-180 | Curitiba | Paraná | Brasil

Telefones: (41) 3362 8231 | 3263 4067

E-mail: mexp@seec.pr.gov.br

Horário de visitação

De terça a sexta-feira, das 10h às 12h e das 13h às 17h

Sábado e domingo, das 13h às 17h

Entrada gratuita

Projeto 365 dias: dia 10 – almoço japa e Gênesis no MON

O almoço de hoje foi no King Temaki do Juvevê. O atum selado estava delicioso!

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Em seguida fomos ao Museu Oscar Niemeyer (Museu do Olho), ver a incrível exposição Gênesis, de Sebastião Salgado.

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Gênesis é uma exposição inédita do premiadíssimo fotógrafo Sebastião Salgado, em cartaz no Museu Oscar Niemeyer até 15 de março de 2015. Ao longo de oito anos de trabalho, Salgado viajou para 32 regiões extremas, nas quais registrou imagens de diferentes ecossistemas em cinco seções geográficas: Planeta Sul, Santuários, África, Terras do Norte, Amazônia e Pantanal.

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Para realizar o projeto fotográfico, Sebastião Salgado viajou de avião, de helicóptero, de ônibus, de barco, de balão (única forma de se aproximar de alguns animais sem assustá-los) e a pé. Fotografou paisagens incríveis que remetem aos primórdios do planeta, desertos, vulcões, selvas, montanhas, icebergs, e também os animais que habitam esses locais: elefantes africanos que fogem do contato humano, cientes dos riscos que representa; colônias de milhares de pinguins; baleias e outros gigantescos animais marinhos; jacarés; leopardos; pássaros de impressionante envergadura e outros. Também fazem parte do acervo imagens de comunidades primitivas que conservam ainda hábitos ancestrais, como a isolada tribo Zo’e, identificada pelo longo ornamento labial, que vive nas profundezas da floresta amazônica no norte do Brasil.

Nesse projeto, o inconfundível preto e branco do mineiro se afasta da denúncia da desigualdade social de projetos anteriores  – Trabalhadores e Êxodos – para prestar uma homenagem à natureza, mas também com o objetivo de alertar a humanidade sobre o risco de perder esse patrimônio intangível. A mostra, muito bem organizada pela curadora e esposa do artista, Lélia Wanick Salgado, também chama atenção para o trabalho desenvolvido pelo casal na área ambiental.

Na década de 90, os dois começaram a cuidar de uma propriedade da família no vale do Rio Doce, onde a farta vegetação de outrora, em razão do desmatamento e da erosão, foi substituída por uma terra seca em que nem pasto brotava mais. Lélia teve a ideia de recriar a floresta com espécies locais. Ao longo de 15 anos, o local foi coberto de verde e os animais retornaram. A propriedade reflorestada transformou-se em ONG, o Instituto Terra, que visa a recuperação da Mata Atlântica. Dessa experiência, nasceu também o programa Olhos D’Água, iniciativa reconhecida pela ONU que pretende, nos próximos 25 anos, proteger todas as nascentes do Rio Doce, um dos principais reservatórios de água do Brasil. “Depois de um tempo, vimos tudo começar a nascer de novo. Retornaram os pássaros, os insetos, os bichos. Começou a voltar vida para todo lado dentro da minha cabeça e, assim, veio a ideia de fotografar o Gênesis. Fui para a vida, para o que tem de mais fabuloso no planeta”, conta o artista.

Em suma, vale a pena visitar. Apenas alerto para um possível efeito colateral: a vontade de viajar pelo mundo tende a ficar ainda mais insuportável depois de ver imagens tão incríveis.

Serviço

“Genesis” – Sebastião Salgado
Data: 06 de novembro de 2014 a 15 de março de 2015
Salas: 04 e 05

Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico
Terça a domingo, das 10h às 18h
R$6,00 e R$3,00 (meia-entrada)
Menores de 12 anos e maiores de 60 anos tem entrada franca

Projeto 365 dias: dia 07 – Solar do Barão ou “De traidor a herói da pátria – Resgate da memória do Barão do Serro Azul”

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Solar do Barão – Fotografia do site da Fundação Cultural de Curitiba

O texto é longo, mas justifico-me por tratar-se de uma história apaixonante. Aliás, como seria mais fácil – ao menos para mim – aprender sobre a História (com letra maiúscula) se, em vez de apresentada como uma série de datas e nomes de generais, ela fosse sempre contada assim: como a história da vida de pessoas de carne e osso, das escolhas que fizeram e as consequências que sofreram.

Hoje visitei um lugar ao qual não ia há muitos anos: o Solar do Barão, localizado na Rua Presidente Cavalcanti, no Centro de Curitiba. A visita já vale pelo simples fato de estar entre as paredes que abrigaram um grande homem, que teve participação relevantíssima na história do Paraná e de sua capital, e – por que não? – do próprio país. Além disso, o local abriga um complexo cultural que reúne diversas unidades relacionadas às artes gráficas: o Museu da Fotografia, o Museu da Gravura, o Museu do Cartaz e a Gibiteca. Várias exposições interessantes acontecem por lá.

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Gibiteca de Curitiba.
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Exposição no Museu da Gravura de Curitiba, um dos espaços culturais abrigados no Solar do Barão.

Não é um castelo medieval na Europa, mas a história que o Solar retrata tem algo de muito especial: ela é nossa. Vamos viajar ao passado então? Não sou historiadora, e sei que a História comporta diferentes visões para os mesmos fatos. Convido quem desejar a contribuir com outros fatos e pontos de vista e, especialmente, a me alertar caso haja algum equívoco no texto a seguir.

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Detalhe do Solar do Barão.

O Solar começou a ser construído em 1880, para servir de residência ao parnanguara Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul. O projeto do palacete de três pavimentos é de autoria dos construtores italianos Ângelo Vendramin e Batista Casagrande, que idealizaram o edifício como um exemplar do ecletismo, estilo que mistura tendências arquitetônicas de períodos diversos.

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À direita, o Solar do Barão, construído em estilo eclético em 1880. À esquerda, o Solar da Baronesa, construído em 1894, seguindo o padrão estético do prédio principal.

A imponência da construção expressava o status social do Barão, importante empresário, político e intelectual da cidade. Fundador do engenho de erva-mate Tibagi, no bairro Batel, investiu também no setor madeireiro e foi um dos fundadores da Associação Comercial do Paraná. Visionário, absorvia as inovações tecnológicas que surgiam e não eram assimiladas pelas demais empresas ervateiras. Foi presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Curitiba, deputado provincial, suplente de juiz em Antonina, assessor do presidente Taunay. Dentre outras contribuições sociais da época, colaborou com as obras do Passeio Público, fundou a Imprensa Paranaense e foi fundador benemérito e primeiro presidente do Clube Curitibano. Integrou a comissão que recepcionou D. Pedro II, em visita a Curitiba, em 1880, ano em que recebeu o título de Barão do Serro Azul. Abolicionista convicto, comandou a campanha de arrecadação de fundos para a abolição da escravatura no município. São tão numerosos os seus feitos na política e na atividade empresarial que é preciso esclarecer que os aqui elencados representam apenas uma modesta parte de sua biografia. Aos 26 anos de idade, casou-se com sua prima Maria José Correia, conhecida como Nhá Coca, mulher culta e inteligente com quem teve três filhos: Efigênia, Maria Clara e Ildefonso.

Entre os anos de 1893 e 1895, o sul do Brasil serviu de cenário para os violentos combates da Revolução Federalista, iniciada no Rio Grande do Sul, travada entre os federalistas (maragatos) e os republicanos (chimangos ou pica-paus). Resumidamente, os federalistas, que queriam uma maior autonomia do Rio Grande do Sul, defendiam a criação de um regime parlamentarista, nos moldes do que existiu no Segundo Reinado, iniciado com a declaração de maioridade de Pedro de Alcântara. Os republicanos, por outro lado, defendiam um presidencialismo forte e centralizador, no estilo do Marechal Floriano Peixoto, que assumiu o governo após a renúncia do primeiro presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca.

Extrapolando as fronteiras gaúchas e avançando por Santa Catarina, em janeiro de 1984, os revoltosos decidiram invadir o Paraná, levantando a bandeira pela derrubada do presidente Marechal Floriano do poder. Pelo caminho, contaram com a adesão de parte da população local, especialmente os trabalhadores rurais, insatisfeitos com as condições de trabalho no campo.

Ao saber da proximidade dos maragatos, o então presidente do estado, Xavier da Silva, alegando problemas de saúde, pediu licença do cargo. Vicente Machado, o vice em exercício, transferiu a capital para Castro, sua cidade natal, e seguiu para lá imediatamente. Por fim, o general Pego, comandante militar da cidade, fugiu abandonando trens carregados de material bélico.

Abandonada por suas autoridades e pelas tropas legalistas, Curitiba passou a ser governada pelo Barão do Serro Azul, que assumiu o controle de uma Junta Governativa com o objetivo de preservar a ordem e garantir a integridade das famílias que ficaram na cidade. A passagem dos maragatos pela Lapa havia deixado, ao longo de 26 dias de sangrenta batalha, um saldo muito grande de mortos, e o Barão não queria que a tragédia se repetisse na capital paranaense.

Convocado pelos cidadãos, coube ao Barão fazer um acordo com os revolucionários para proteger a população de violências, saques e estupros. A Junta Governativa de Curitiba transformou-se em “Comissão para Lançamento do Empréstimo de Guerra”, arrecadando fundos para negociar a paz com Gumercindo Saraiva, líder dos maragatos.

Em maio de 1894, o Barão escreveria a seu irmão: “tenho consciência de que tudo quanto pratiquei, logo que o nosso Estado foi invadido pelas forças revolucionárias, somente obedeceu aos mais nobres e puros sentimentos. (…) Os tempos são de provações e eu a elas me subordino pacientemente”. Sua posição pacificadora, no entanto, rendeu-lhe o título de traidor entre os republicanos.

Quando os maragatos perderam a batalha, teve início a perseguição aos que contribuíram com a Revolução. Os quartéis, teatros e até escolas de Curitiba ficaram lotadas de presos, e, apesar da condenação pública, várias pessoas foram fuziladas.

O Barão e cinco companheiros foram presos: Prisciliano Correia, José Lourenço Schleder, José Joaquim Ferreira de Moura, Rodrigo de Matos Guedes e Balbino de Mendonça. Após alguns dias, em 20 de maio, às nove da noite, esses prisioneiros foram conduzidos à Estação Ferroviária, sob a alegação de que seriam levados ao Rio de Janeiro para seu julgamento pelo Conselho Militar. Infelizmente, não era esse o destino que seus algozes de fato lhes reservavam.

O trem parou no quilômetro 65, no Pico do Diabo, e os homens passaram a ser arrastados para fora. Mato Guedes atirou-se pela janela do trem, mas recebeu uma descarga da fuzilaria e rolou pelo precipício. Balbino de Mendonça agarrau-se ao vagão e teve os braços quebrados a coronhadas, sendo abatido a tiros de revólver. Um tiro na coxa da perna direita colocou o Barão de joelhos e ele propôs dividir sua fortuna com os oficiais da escolta se fosse poupado, mas foi fuzilado a seguir, junto com os companheiros restantes.

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Quadro histórico sobre a Revolução Federalista, concebido por Ângelo Agostini, destacando o fuzilamento do Barão do Serro Azul. Reprodução da Revista Carioca Dom Quixote, publicada em 1895. Coleção: Newton Carneiro.

Passaram-se alguns dias até que a notícia da execução chegasse a Curitiba. Conforme consta da emocionante carta da Baronesa do Serro Azul, enviada ao Barão de Ladário (cuja leitura na íntegra eu recomendo vivamente):

“Às esposas aflitas que procuravam o comandante militar para ouvir o desmentido da nova inverossímil, afirmava o general Everton Quadros, com sorrisos nos lábios e com mostras de sinceridade através das quais era impossível perceber um resquício de remorso, afirmava sob sua palavra de honra que os presos haviam seguido para o Rio. E quando a alma da população inteira foi se enchendo de opressão horrível ante as versões que corriam como um clamor de dies irae, deixando por sobre a Capital do Paraná a sombra pavorosa da agonia e do luto – o general, cuja espada viera restaurar a Lei, mandava que as bandas militares, com o som da música festiva, dispersassem os agouros que suspendiam a vida de um povo, como quem a gritos estridentes espanta uma corvada que fareja matanças! Ao mesmo tempo, senhor, fazia-se declarar às famílias das vítimas que não podiam cerrar as portas nem dar outras demonstrações de luto…”. 

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Trecho da carta da Baronesa do Serro Azul ao Barão de Ladário.

O coronel Ordine, junto com seis homens, foi ao local cinco dias após o fuzilamento, a fim de enterrar os corpos abandonados pela escolta, os quais encontrou mexidos, sem joias e alguns, inclusive, sem sapatos. Feito o reconhecimento dos mortos, os corpos do Barão e de seu amigo Prisciliano Corrêa foram enterrados à direita dos trilhos do trem, com a intenção de futuramente serem levados a Curitiba para um sepultamento mais respeitoso.

Um ano depois, a pedido da Baronesa, o coronel Ordine foi tratar com o comando do distrito militar e da polícia do estado a fim de trazer o corpo do Barão para ser sepultado em Curitiba. Como não havia registro oficial do fuzilamento, o pedido não foi recusado. Contudo, o diretor da Estrada de Ferro, Gastão Serjat, negou-se a liberar os cadáveres, que se encontravam em terras de sua propriedade.

Ordine contratou então o caboclo Joaquim Franco, conhecedor da Serra do Mar, para abrir uma picada em meio à mata fechada para conduzir a expedição clandestina que faria o resgate dos corpos. O caboclo morreu, picado por uma cobra, poucos quilômetros antes de terminar o serviço, que foi concluído por seus filhos.

Embora ameaçados pelos perigos da mata e correndo o risco de represálisas dos políticos de então, dez homens fizeram parte da corajosa expedição, que levou o nome de Amizade. A expedição partiu dia 2 de maio de 1895 e voltou com o corpo do Barão no dia 6. Prisci­liano foi resgatado depois porque, segundo documento da época, era muito grande. Os caixões haviam sido escondidos por Ordine numa Serraria, e de lá vieram para Curitiba com os dois corpos, ocultos em meio a 400 filetes de madeira com capim por cima, sendo levados ao Cemitério Municipal. A viúva finalmente conseguiu dar ao Barão o sepultamento digno que desejava.

Em 1894, para garantir os rendimentos da Baronesa, foi construída uma casa menor, ao lado do Solar do Barão, no terreno em que ficava o jardim, para servir de residência a ela e seus filhos. O Solar da Baronesa seguiu os mesmos princípios arquitetônicos do prédio principal, que passou a ser alugado. Entre 25/10/1902 e 06/1909, sediou a Loja Maçônica Grande Oriente do Paraná.

Em 1912, os imóveis foram incorporados à Fazenda Nacional e ocupados pelo Exército, passando a abrigar o quartel até 1973. Nesse ano, o Município negociou com o exército uma permuta desses bens com outro localizado no bairro Pinheirinho, para onde foi transferido o quartel. A Prefeitura contratou o arquiteto Cyro Corrêa de Oliveira Lyra, que, entre 1980 e 1983, coordenou o restauro do conjunto arquitetônico do Solar do Barão.

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Detalhe no teto de uma das salas do Solar do Barão.

O nome de Ildefonso Pereira Correia deixou de ser pronunciado por quarenta e quatro anos, tido como traidor da pátria. Seus atos foram banidos da história oficial do Paraná, documentos foram suprimidos e referências apagadas. O resgate de sua memória teve início entre 1940 e 1950, quando sua vida começou a ser investigada.

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Detalhe do Solar do Barão.

Em 1942, foi publicada a biografia “O Barão de Serro Azul”, de Leôncio Correia. Em 1973, publicou-se “A Última viagem do Barão do Serro Azul”, de autoria de Túlio Vargas. Com base nessa obra, foi produzido o filme “O Preço da Paz”, lançado em 2003.

A Lei nº 11.863 de 2008 inscreveu o nome de Ildefonso Pereira Correia, o Barão de Serro Azul, no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília. Foi o único paranaense, até hoje, a receber essa honraria.

Solar do Barão
Endereço: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533 – Centro

Contato: (41) 3321-3367

Agendamento de visita guiada: (41) 3321-3275

Horário de funcionamento:
9h às 12h e 13h às 18 (2ª a 6ª feira) e 12h às 18h (sábado, domingo e feriado)

Saiba mais:

Conheça a história do Solar no site da Fundação Cultural de Curitiba.

Artigo: Nobre que deu vida pela paz tem heroísmo reconhecido, publicado em 31/01/2009 na Gazeta do Povo.

Artigo: Os ossos do Barão, publicado em 28/08/2010 na Gazeta do Povo.

Leia a íntegra da Carta da Baronesa do Serro Azul ao Barão do Ladário

Consulte o site da Fundação Cultural de Curitiba para conhecer os cursos que ela oferece. Alguns deles acontecem no Solar do Barão.

Biografia do Barão pela Federação Espírita do Paraná

Biografia do Barão na Wikipedia

As informações desse texto foram coletadas no Solar e nas fontes citadas acima. Todas as fotografias que ilustram esse texto são de minha autoria, exceto a primeira, extraída do site da Fundação Cultural de Curitiba. Para reproduzir, favor citar a fonte.