Entretenimento infantil durante o voo e trechos terrestres

Essa será a primeira vez que o Ivan viajará de avião. E de trem. E de ônibus. Entreter um bebê em viagens de carro já não foi moleza. Mas agora lidamos com um toddler que quer andar o tempo todo, e em meios de transporte coletivo a maior preocupação é tentar não incomodar (muito) os outros passageiros.
Então essas são as ideias que tenho até o momento para tentar tornar a viagem o mais tranquila possível:

  1. Dormir. Como mencionei no post anterior, nossos voos principais e mais longos são noturnos. Os trechos terrestres longos também programamos para fazer à noite. Eu realmente acredito que o Ivan vai dormir nesses trechos. Ele costuma dormir bem à noite, ainda que acorde de vez em quando para mamar. 
  2. Mamar. Várias mães dão essa dica: amamentar durante a decolagem e o pouso minimiza os desconfortos causados pela pressão nos ouvidos. 
  3. Comer. No carro, quando o Ivan está entediado, biscoitinhos de arroz ou de polvilho e uvas passas costumam deixá-lo mais tranquilo.
  4. Música. Outra coisa que o acalma bastante. Já tenho os álbuns preferidos dele salvos para tocar off-line no Spotify.
  5. Livrinhos. Ocupam pouco espaço, mas também o entretêm por pouco tempo.
  6. Brinquedos. Algumas mães sugerem levar brinquedos novos (os antigos já não fazem sucesso). Mas essa opção não me agrada muito porque: a) muita coisa para carregar, b) as novidades deixam de ser novidades muito rapidamente; c) são raros os brinquedos que sirvam para entreter uma criança da idade do Ivan (um ano e dois meses) sentadinho no meu colo. Vou levar uma coisinha ou outra, mas não confio que vá funcionar por muito tempo.
  7. Vídeos e joguinhos no celular ou tablet. Não sei se o voo que pegaremos terá boas opções de entretenimento individuais, mas prefiro nem contar com isso (até porque não é qualquer desenho animado que ele gosta). Vou levar os preferidos baixados para ver off-line (há algumas opções que ele gosta na Netflix, e outros baixei o aplicativo, como Palavra Cantada e Bita). Não está entre as primeiras opções não só porque gosto de limitar o tempões exposição dele a telas, mas principalmente por serem trechos noturnos, e acho que ficar vendo desenhos animados pode interferir negativamente no sono. Mas pode ser uma boa para quando ele acordar de manhã, e para viagens curtas de trem que serão feitas durante o dia.

Editando para colocar dicas da minha amiga Aline que eu tinha esquecido e achei ótimas:

– Papel, giz de cera, carimbo e adesivos autocolantes! 

Você já viajou com bebês ou crianças e tem alguma dica que eu não coloquei na lista? Conte pra mim nos comentários! 

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Primeiro passo: escolha e compra das passagens

Sempre que possível, nós resgatamos nossas passagens com pontos do nosso programa de milhagens. Mas, dessa vez, não tínhamos pontos bastantes para isso.
Pesquisamos, então, pelo Skyscanner, dando prioridade a: 

  • Voos noturnos, pois acreditamos que será mais fácil o Ivan dormir e não termos tanta dificuldade para entretê-lo;
  • Mínimo de escalas e conexões possíveis;
  • Preço baixo.

Ocorre que, embora o Skyscanner seja o nosso buscador de passagens favorito, não é ele quem efetivamente vende as passagens. No caso, os bilhetes que mais se encaixaram nos critérios acima eram vendidos pela eDreams. Encontramos muitas reclamações dessa agência (cancelamentos, venda de passagens que já não existiam e overbooking) e preferimos não nos arriscar.

Entramos em contato diretamente com a companhia aérea e compramos as passagens por um preço apenas um pouco superior ao oferecido pela eDreams. Nossos voos de ida e volta contam com conexões no Rio de Janeiro e em Roma. A de Roma, na ida, é bem longa (7 horas). Se chegarmos na hora e a passagem pela imigração for bem rapidinha, talvez deixemos nossas bagagens no locker do Terminal 3 para ir dar uma olhadinha no Coliseu. =)

No próximo post vou falar dos planos de entretenimento para o Ivan no avião. 

Planejando a primeira grande viagem com o bebê

Essas tags de mala feitas à mão (por mim, minha mãe e meu marido) foram as lembrancinhas da festa de um ano do Ivan. E finalmente as nossas serão usadas!

Viajar é uma das coisas que mais amo na vida. Há quase 9 anos conheci o melhor parceiro de viagem, e tem sido uma alegria imensa conhecer o mundo aos pouquinhos com ele. Marido e eu nos entendemos perfeitamente, gostamos dos mesmos programas, somos igualmente animados a conhecer destinos diferentes, aproveitar bem os dias, experimentar comidas e programas locais. Juntos estabelecemos o que chamamos de lema da família Guerra: FAZER VALER. Tiramos o melhor de qualquer experiência, desde um jantar mais caro do que o previsto até uma dica super furada de derviches dançantes.

Desde que chegou o mais novo integrante da família, já começamos a imaginar como seria mostrar o mundo a ele, e também conhecer o mundo através de seus olhinhos. Mudar o ritmo para acomodar suas necessidades, incluir programas legais para ele, cuidar de seu conforto, sua alimentação, seu soninho. Fizemos já algumas pequenas viagens: usamos dois dias para conhecer Carambeí e Castrolanda, duas cidadezinhas próximas daqui; fizemos um bate-volta para a Lapa; visitamos chácaras ao redor de Curitiba; passamos uma semana numa prainha privativa em Governador Celso Ramos-SC.

Agora, o papai conseguiu negociar com seu chefe maravilhosas férias de 30 dias para fazermos uma viagem incrível. A mais longa que já fizemos. No meu antigo trabalho, não podia tirar mais do que 15 dias de férias de cada vez, e isso nos limitava bastante – não rolava ir para lugares muito distantes, que tomariam muito tempo no percurso, nem comprar passagens mais caras para ficar tão pouco tempo no destino. Um mês viajando já dá pra brincar, né?

Pensamos em várias das nossas viagens dos sonhos (já realizamos algumas e, felizmente, sempre surgem novos sonhos para ocupar esse lugar). O André quer muito conhecer a Alemanha, e então eu pensei nela como porta de entrada para o leste europeu (também chamado, talvez de forma geograficamente mais correta, de Europa Central), que sempre sonhei conhecer.

Simulei alguns roteiros incluindo as cidades mais populares da região, Praga, Viena e Budapeste. Mas eu queria a qualquer custo incluir Lviv, na Ucrânia, porque tenho familiares lá que ainda não conheço. O roteiro ficou meio quebrado, e acabamos optando por algo fora do comum: começaremos em Berlim, faremos um pit stop em Dresden, de onde seguiremos para Wroclaw (também conhecida como Breslávia), na Polônia. Ainda no mesmo país, visitaremos a Cracóvia. Pensei também em Varsóvia, mas acabei optando por não fazer esse desvio ao norte. Da Cracóvia, partiremos para Ivano-Frankivsk, cidadezinha no sudoeste da Ucrânia onde tenho parentes, frutos do primeiro casamento do meu avô materno, antes de migrar para o Brasil. Em seguida, a bela Lviv, conhecida como a Paris do leste europeu, onde vive o restante da minha família ucraniana. Depois, Kiev. E, finalmente, Moscou. Da capital russa, voltaremos.

Eu quero compartilhar os detalhes dessa aventura, mas confesso que não tem sido fácil, pois tenho um mocinho que não desgruda do meu pé, e usar o computador na presença dele é um desafio enorme. Depois que ele dorme é que consigo organizar o roteiro, pesquisar sobre as cidades, comprar ingressos, passagens de trem etc. E às vezes também preciso dormir. Mas farei o possível para dividir com vocês o planejamento e execução da viagem! 🙂

9 dias sozinha no Peru – Nasca

Os nazca (a palavra com “z” se refere à civilização, e com “s” à cidade atual, mas não é uma regra absoluta e em cada lugar está escrito de um jeito) foram uma civilização pré-inca que se desenvolveu entre 300 a.C e 800 d.C no sul do atual Peru, especialmente em torno da cidade de Cahuachi, que foi o seu centro religioso e político. Por razões que desconhecemos, os nazca abandonaram Cahuachi e construíram outras cidades em diferentes regiões.

Esse povo desenvolveu artigos de ouro, cerâmica e elaborados trabalhos têxteis, mas o maior destaque de seu legado são os gigantescos desenhos de animais, plantas e formas geométricas traçados no deserto. Por suas dimensões, essa obras só podem ser vistas do céu. Por isso, na manhã do dia 25 de julho, embarquei numa pequena aeronave, com espaço para apenas quatro passageiros, além do piloto e do copiloto.

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O hostel em que me hospedei.

Eu já havia feito a reserva na noite anterior, ao chegar ao hostel. O voo custou US$ 70,00, além de uma taxa de embarque de 25 soles. O horário dependeria das condições climáticas. Acordei umas 8h e Jesus me disse — refiro-me ao recepcionista e não ao nosso Senhor — que passariam para me buscar às 9h. Ajeitei minhas coisas e não tomei café-da-manhã: essa é a recomendação para não passar mal durante as manobras bruscas do aviãozinho.

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No aeroporto, esperei em torno de uma hora até ser chamada para a sala de embarque. Os passageiros são distribuídos de acordo com o peso (a gente tem que se pesar antes de embarcar). Recebemos fones de ouvido para ouvir o piloto  durante o voo. Ele vai apontando os desenhos e dando informações.

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O vale e o deserto, vistos do avião.


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Os geóglifos se estendem por uma área de 50 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura. Acredita-se que as linhas tenham sido traçadas entre 400 e 650 d.C. A maior parte delas se encontra preservada, graças ao clima extremamente árido e ao isolamento da região. São desenhos rasos (em torno de 6 centímetros de profundidade), feitos através da remoção do óxido de ferro marrom-avermelhado revestido por pedras que cobrem a superfície do deserto de Nazca. Com isso, forma-se o contraste com a terra de cor clara que surge ao retirar-se o cascalho.

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A Carretera Panamericana Sur corta o deserto e destruiu muitos dos desenhos.

Somente a partir de 1930, quando as pessoas começaram a viajar de avião sobre o deserto, as linhas foram identificadas. Antes disso, foi construída a Carretera Panamericana Sur, a rodovia que corta o deserto, destruindo muitos dos desenhos. Em 1994, a UNESCO os designou como Patrimônio Mundial.

O aviãozinho vira de um lado para o outro, inclina bastante, fazendo manobras radicais para que os passageiros de ambos os lados consigam ver os desenhos. Naturalmente, apenas alguns são selecionados para ser vistos durante o voo, pois são centenas de linhas simples e formas geométricas, e mais de setenta desenhos de animais, aves, peixes e figuras humanas.

Como os nazca não possuíam escrita e não se tem notícia de seus descendentes para transmitir a história oralmente, proliferam teorias para tentar responder as perguntas que os desenhos despertam, especialmente como e por que foram feitos. Alguns estudiosos acreditam que eram uma espécie de oferenda, a fim de pedir água paras os deuses. Os guias da região riem dessa teoria, que eu também acho bastante ingênua. Os caras viveram na região por séculos, construíram aquedutos elaborados e sabiam exatamente onde buscar água. Eles sabiam que, literalmente, ela não ia cair do céu: chove em torno de 20 minutos POR ANO em Nasca.

De acordo com a maior parte dos guias, os desenhos e as formas geométricas apontam para cidades, centros religiosos e também para montanhas e outras formações naturais que possuíam um caráter espiritual para os nazca. Acredita-se também que eles podem constituir algum tipo de calendário astronômico. Um detalhe interessante é que a maior parte dos animais representados nos desenhos não existem nem jamais existiram na região, o que prova que os nazca, assim como eu, gostavam bastante de viajar. ☺

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A baleia.

Entre os desenhos que eu vi, havia uma baleia, um beija-flor estilizado, uma aranha, um macaco, uma figura humanóide conhecida como “o astronauta”, entre outras. Os maiores têm quase 3oo metros.

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Uma das figuras mais bonitas é o colibri.

Almocei num restaurante simplesinho. Comi uma saladinha de entrada, e massa com ají, um molho apimentado muito saboroso. O prato acompanhou um copo de suco, tudo por 8 soles. Depois voltei ao hostel para esperar o meu passeio da tarde. Havia reservado o tour de buggy pelo deserto, aquele que eu pretendia fazer em Huacachina e desisti por falta de tempo.

O passeio, que custaria 75 soles, incluía, além da aventura no deserto, uma visita a uma pirâmide da região (que não era a famosa de Cahuachi) e um cemitério antigo, também genérico, pois não era o de Chauchila. Porém, na hora que deveriam me buscar para o tour, o rapaz apareceu para avisar que ele havia sido cancelado, pois as outras três pessoas que o fariam comigo estavam passando mal desde o voo sobre as linhas de Nazca, pela manhã. Que frustração!

Consegui ainda me encaixar num passeio para visitar o centro de Cahuachi, que acabou sendo bem interessante. Fomos em três pessoas com nosso simpático guia. No caminho, ele parou num local e nos convidou a descer do carro. Começamos a andar pela areia, e por toda parte se viam ossadas humanas. Ele explicou que ali havia um cemitério, debaixo de toda aquela areia. Pessoas reviram o local em busca de objetos de valor, abandonando os ossos. Não há nenhum cuidado ou investimento pelo governo.

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Ossadas da civilização pré-inca, fragmentos de cerâmicas e tecidos, expostos e abandonados.

Mesmo o cemitério de Chauchila, famoso por suas múmias bem conservadas – expostas, a céu aberto – cujos cabelos continuaram crescendo, é totalmente abandonado. Um único vigia cuida do local, apenas durante o dia. Todos os objetos de ouro, as cerâmicas e mesmo algumas múmias foram furtados do lugar, vendidos para acervos particulares ou museus do mundo todo.

O centro cerimonial de Cahuachi estava situado no vale do rio Nazca, a 28 quilômetros da cidade e próximo dos geóglifos. Seu nome significa lugar onde vivem os videntes. Esse lugar está sendo escavado desde 1982 pelo arqueólogo italiano Giuseppe Orefici. O guia do meu tour conta que todos os achados no local são levados para Itália, a pretexto de serem estudados, e nunca são trazidos de volta.

Sabe-se que em 1998 descobriu-se um depósito de roupas, com 200 peças de tela estampada. Muito provavelmente, artigos de ouro e cerâmica também foram retirados do local.

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Panorama de Cahuachi.
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Com o guia do passeio.

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As edificações de Cahuachi são todas de adobe. A Grande Pirâmide, com seus 28 metros de altura, 90 de largura e 110 de comprimento, composta por sete plataformas escalonadas, é a que mais se destaca. Há ainda o Grande Templo Escalonado e os pequenos montes. O guia nos conta que muito provavelmente todos os morros ao redor são outras construções cobertas de areia. Onde quer que se escave, há uma descoberta. Em suas palavras, “no Peru, você levanta uma pedra e encontra uma civilização antiga”. O descaso dos governantes diante desses tesouros históricos é estarrecedor. 😦

Ainda haveria mais para ver nos arredores da simpática cidade de Nasca, como os aquedutos e o cemitério de Chauchila, mas eu não tinha tempo para tudo isso. Mais tarde, caminhei pela cidade, fiz um lanche e voltei ao hostel para buscar minhas coisas e seguir para a rodoviária. À noite embarquei num super confortável ônibus semi-leito da Cruz Del Sur com destino a Cusco. A viagem durou 15 horas, ao longo das quais foi servido o jantar e o café da manhã, eu dormi bastante e ainda assisti a um filme (há uma pequena TV individual por assento).

Logo mais eu conto sobre a apaixonante cidade de Cusco.

 

9 dias sozinha no Peru – Paracas

Depois de todas as emoções e os dramas do meu primeiro dia no Peru, incluindo drinks exóticos, voo de parapente sobre o Pacífico, golpe de taxista, tentativa de assalto, febre, alergia, desmaio, desespero, solidão e medo, sobrevivi para levantar cedinho no dia 24 em Paracas, tomar meu café-da-manhã e enviar uma mensagem pelo Whatsapp para uma de minhas melhores amigas, casada com um médico, descrevendo meus sintomas. Ele diagnosticou que era mesmo alergia. Para você é fácil saber disso, porque eu já contei no texto anterior que foi uma reação alérgica a frutos do mar, mas para mim, que estava lá morrendo, na hora foi meio difícil identificar o que me acontecia.

A propósito, vale dizer que eu sempre comi frutos do mar (eu não como outros tipos de carne, mas peixe e frutos do mar, sim) e nunca tinha tido uma reação assim. Então vale mais essa dica: consuma com moderação alimentos que tendem a ser vilões alérgicos, especialmente se estiver viajando. E se você tem histórico de qualquer tipo de alergia, jamais deixe de levar seu antialérgico, aquele que você já está habituado a usar.

Eu já havia tomado dois comprimidos do meu anti-histamínico no dia anterior, após o entupimento nasal e a asma (usei também minha bombinha). Tomei mais um comprimido de manhã e segui a vida. Meus olhos ainda estavam bastante inchados, as pálpebras superiores formavam uma dobra, coisa linda de se ver. Mas a vermelhidão já havia sumido e, aparentemente, a febre também. Imagino que ter tomado o antialérgico logo aos primeiros sintomas tenha ajudado a contornar a situação e evitado situações um pouco mais chatas como anafilaxia, edema de glote e morte. Ufa!

Ainda cedo, parti para o passeio até as Islas Ballestas, um incrível refúgio natural que abriga numerosos tipos de pássaros e animais marinhos. No percurso de barco, passamos pela enigmática figura conhecida como “Candelabro”, com idade estimada em 2500 anos, que não se sabe quem fez nem o motivo.

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A imagem do “candelabro” está clarinha nessa foto, em razão do orvalho da manhã, mas se observar com cuidado você enxerga. =)

Nas ilhas, muitos pássaros, alguns pinguins fazendo fila para mergulhar e lobos marinhos preguiçosos fazem a nossa alegria. As formações rochosas são cobertas de guano (fezes dos pássaros), um poderoso fertilizante exportado para o mundo todo. Há quem reclame do aroma local. A natureza pede desculpas aos narizes mais sensíveis por não ter sempre cheirinho de flores. No barco, fui batendo papo com uma moça de Lima, que estava viajando com os pais. O passeio foi muito agradável.

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Voltando, fui ao terminal comprar minha passagem para Nasca (com “s”, é o nome atual da cidade peruana, com “z”, refere-se à civilização pré-inca). Meu plano inicial era, à tarde, pegar um táxi privativo até Huacachina — um oásis no meio do deserto — para fazer um divertidíssimo passeio de buggy, conhecido no local como arenero. De lá, pegaria um ônibus para Nasca. Eu repetiria, porém, o erro da noite anterior, chegando muito tarde a uma cidade desconhecida. É preciso aprender com os erros, chicos. Portanto, com grande pesar, risquei Huacachina do meu roteiro, ficando para uma próxima oportunidade. Essa, aliás, é uma grande vantagem de viajar sozinha: você decide o que quer fazer, sem correr o risco de frustrar as expectativas de qualquer pessoa além de você mesma.

Passagem comprada, voltei ao local marcado para iniciar meu próximo passeio do dia, rumo à Reserva Nacional de Paracas. Trata-se de uma Área Natural Protegida (ANP), com extensão de mais de 335.000 hectares, entre terra firme e águas marinhas. Lá se observam lindas paisagens e formações rochosas impressionantes, como La Catedral, parcialmente destruída pelo terremoto de agosto de 2007. Na areia do deserto, encontram-se muitas conchas e fósseis de um molusco chamado Turritella, que viveu na região há 36 milhões de anos, quando todo o deserto era mar.

La Catedral, como era e como ficou após o terremoto

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Almoçamos no restaurante El Che — de acordo com os guias do nosso tour, o único confiável do vilarejo de pescadores. Sentei-me sozinha, mas fui logo convidada a me juntar a um grupo de estadunidenses. Um professor de espanhol (não me lembro de que estado americano, acho que Connecticut), numa viagem pelo Peru, conheceu uma peruana num vilarejo. Apaixonaram-se e casaram. O único lugar que ela conhecia, além daquele em que nasceu, era Lima. Hoje, vivem nos Estados Unidos, e sempre que podem viajar ele gosta de levá-la para conhecer as belezas de seu próprio país, antes de conhecer o restante do mundo. Ah! Mas, assim como eu, ela é apaixonada por Nova York! Estavam na mesa também o filho adolescente do professor e mais duas senhoras amigas da família, que celebravam a aposentadoria recém-conquistada. A comida estava boa! Eu pedi um peixe grelhado com arroz, bem básico, e comi pedindo que ele não tentasse me matar. Mas os pratos de quem pediu frutos do mar estavam lindos.

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Isso é outra coisa sensacional de viajar sozinha: não é preciso ser desinibida para fazer amizades. É muito comum as pessoas convidarem quem está só para se juntar a elas. Gostei muito da experiência de alternar momentos de contemplação e reflexão solitária (que muito me agradam) e conversas animadas, conhecendo gente diferente e exercitando idiomas diversos. Depois do almoço, passamos pelo pequeno Centro de Interpretação da Reserva, onde há algumas informações sobre os ecossistemas, a biodiversidade e a proteção de espécies ameaçadas na área.

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De volta ao Kokopelli, pude observar a sua estrutura que, infelizmente, não tive tempo de usufruir. Há uma piscina, a área do bar é bacana, e tem uma saída direto para a praia, onde se praticam diversos esportes aquáticos em razão dos ventos constantes. Aproveitei o Wi-Fi para mandar notícias para o marido e a família, e fui caminhando até o terminal de ônibus (uns 15 minutos).

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A passagem para Nasca custou 35 soles e o ônibus era bem razoável. Cheguei por volta das 20h e peguei um táxi para o meu hostel, o Brabant, que eu já não recomendo tão efusivamente. O taxista tentou de todo jeito me convencer a fechar com ele os passeios para o dia seguinte, inclusive o voo sobre as linhas de Nazca, pois ele trabalhava também com turismo. Delicadamente, eu disse que estava muito cansada, pedi que deixasse seu telefone comigo que eu ligaria na manhã seguinte. No hostel, fui recebida por Jesus — o recepcionista, não o salvador. Contratei os passeios, todos mais baratos do que os valores oferecidos pelo taxista.

Fiquei num quarto com mais duas meninas, ambas canadenses. O lugar era meio estranho, mal-conservado, e só tínhamos um banheiro: apenas um vaso sanitário e um chuveiro, para todos do hostel. Felizmente estava meio vazio. Ainda assim, esquisito. Mas serviu para carregar meus aparelhos eletrônicos, tomar um banho, mandar mensagens avisando que continuava viva e, finalmente, dormir.

No próximo texto, conto sobre as aventuras em Nasca.

9 dias sozinha no Peru – Lima

O famoso “pau-de-selfie” é indispensável quando se faz uma viagem sozinha. 😀


Quando mais nova, eu nem pensava em viajar sozinha. Parecia-me a coisa mais triste do mundo não contar com uma companhia durante as férias. Depois, tive a sorte de casar com o melhor companheiro de aventuras que existe. Damo-nos perfeitamente bem, estamos sempre em sintonia e nos divertimos demais juntos.

Acontece que, esse ano, o marido só poderia tirar férias a partir de outubro. E eu senti que morreria se tivesse que esperar até lá. Foi dele que partiu a ideia: “se quiser viajar sozinha, eu tenho milhas para vencer que posso ceder para você”. Comecei então a pesquisar destinos que coubessem dentro da soma das minhas milhas com as dele, e logo me decidi pelo Peru.

As férias não poderiam ser muito longas, para sobrarem dias para viajar com o marido, lá por outubro. Consegui encaixar ida e volta por bons preços (em milhas) em nove dias de viagem. Muito pouco tempo para conhecer tudo que eu gostaria no Peru – país incrível e recheado de boas surpresas.

Minha jornada começou no dia 22 de julho, às 20h22, num voo de Curitiba a Congonhas. Meu próximo voo sairia de Guarulhos somente na manhã seguinte, às 7h45. Uma amigona que mora em São Paulo infelizmente estava em Curitiba nessa data, e até chegou a me oferecer a chave de sua casa para eu passar a noite. Mas calculando as despesas de táxi, na bandeira 2, concluí que valia mais a pena dormir no Slaviero Fast Sleep, o hotel dentro do aeroporto de Guarulhos. Peguei o transfer gratuito da Tam de Congonhas para Guarulhos e usei o Fast Sleep apenas para um banho e para dormir naquele quarto/cabine que, como disse uma amiga, parece uma gavetinha de cemitério, de tão pequeno.

O voo para Lima foi num Airbus Industrie A320-100/200. Assisti a um filme (About Time) no meu computador, já que esse pequeno avião não possui opções de entretenimento. Cheguei à capital peruana às 11h (horário local). Minha primeira dica: o balcão de informações turísticas está localizado no primeiro piso, os táxis estão no térreo. Logo de cara, no térreo, um taxista chegou me oferecendo uma corrida, e disse que até onde eu queria ir (Miraflores) custaria 120 soles ou 40 dólares. Eu achei muito caro, e tentei me livrar do cara, que me perseguia onde eu fosse. Fui ao banheiro e quando saí ele estava lá me esperando, sorridente. Fui sacar dinheiro, ele foi atrás. Até que subi ao guichê de informações turísticas e ele ficou lá embaixo. Disseram-me que o valor estava mesmo muito alto e que eu devia procurar o quadro onde constam os valores tabelados. Cada companhia tem seu quadro, a moça me disse que a Taxi Green costuma ser a mais barata. O quadro dessa empresa está à extrema direita no térreo. Lá vi que o preço para Miraflores era de 50 soles.

O percurso é de uns 25 a 30 minutos. Passamos por algumas regiões meio feias, e a paisagem fica bonita mesmo é em Miraflores, um bairro lindo. Pedi ao taxista para me deixar no Shopping Larcomar, e almocei no Restaurante Mangos, onde há um buffet custando 55 soles por pessoa. Você come até morrer à vontade, inclui sobremesa. A comida é deliciosa, o atendimento é ótimo (apesar de ter achado que o atencioso garçom Edwin estava demasiadamente interessado em saber se eu era casada, se estava sozinha e onde me hospedaria, mas me fiz de boba e deu tudo certo), mas o mais incrível mesmo é a vista.

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Pegue uma mesa na varanda, se houver disponibilidade. Ali eu fiquei, bebendo um doble coca sour (versão do pisco sour que inclui folhas de coca maceradas), comendo quilogramas de ceviche de peixe e de frutos do mar (guarde essa informação) e observando pessoas voarem de parapente sobre o mar.

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Justo em frente ao restaurante, dentro do shopping, encontrei outro ponto de informações turísticas, e ali perguntei de onde partem os voos. Dava para ir andando, era logo depois da Plaza del Amor. Lá fui eu, mochilão nas costas. Parei na praça por um tempo, tirei um cochilo sob a sombra de uma árvore para fazer a digestão.

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Plaza del Amor

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Pouco tempo depois, deixei minha mochila sob os cuidados de alguns pilotos e, 240 soles mais pobre, voei com o experiente piloto Akita sobre o Pacífico, acenei para o pessoal que almoçava no Mangos, vi meu reflexo nos vidros espelhados do Marriot. Que experiência incrível!

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Saí feliz e saltitante pelas ruas — ou quase, contando o peso da mochila nas costas — e um taxista com um carro muito, mas MUITO podre parou ao meu lado, querendo saber se eu precisava de táxi. Perguntei quanto era até o Museo Larco (em Lima não há taxímetros, então você deve sempre negociar antes o valor da corrida) e ele disse que eram 6 soles. Não sabia qual era a distância então concordei. O cara andou, sei lá, um quilômetro, talvez, e parou na frente de um centro cultural qualquer, na Avenida Larco, e disse: “museo”. Eu sabia que não era ali, mas já estava bastante arrependida de ter entrado naquele táxi caindo aos pedaços e decidi não desperdiçar a oportunidade de sair dele. Paguei os 6 soles, sequei as lágrimas no meu papel de trouxa e saí em busca de um táxi de verdade. Aqui vai então minha segunda dica: não entre em táxis estranhos caindo aos pedaços em Lima. Todos os oficiais que eu peguei eram carros pretos bem ajeitados.

O táxi de verdade até o Museo Larco, que fica longe de Miraflores, custou 20 soles. O taxista era bem simpático e foi me dando várias dicas que ficarão para uma próxima visita a Lima: disse que La Mar é a melhor cevicheria da cidade, e recomendou o buffet criollo do El Bolivariano aos domingos (65 soles por pessoa).

Museo Larco

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IMG_7126O Museu, cuja entrada custa 30 soles, possui uma impressionante coleção arqueológica, que permite compreender o desenvolvimento da história do Peru. O prédio é bonito, repleto de flores. Nos fundos há um lindo jardim, um café e uma galeria de arte erótica pré-colombiana. Confesso que eu não consegui aproveitar tanto quanto gostaria, pois não estava me sentindo nada bem. Primeiro meu nariz entupiu até a alma, depois tive falta de ar. Achei que fosse rinite alérgica e asma. Mal sabia que eram os primeiros sinais de uma forte reação alérgica à overdose de frutos do mar no Mangos (lembra que eu disse para guardar a informação?).

Pedi um táxi para me levar até o terminal do Grupo Soyuz e PerúBus, onde tomaria o ônibus para Pisco. Meu destino final era Paracas, mas o último ônibus direto de Lima para Paracas (da Cruz Del Sur, uma excelente companhia) sai às 14h. Ou seja, eu teria que abrir mão do voo de parapente, do museu, e não sei nem se daria para almoçar no Mangos. Então decidi pegar esse ônibus da Soyuz que para em Pisco, e tem mais ou menos um a cada hora. De Pisco até Paracas, de táxi, leva-se menos de meia hora.

O que eu não sabia, e o taxista bem poderia ter me avisado, é que a região em que está localizado o terminal da Soyuz, La Victoria, é a mais perigosa de Lima. Todos os peruanos para quem contei que estive lá ficaram apavorados, dizendo que eu jamais deveria ter me aventurado nesse bairro. No táxi, eu não conseguia ficar acordada, mal abria os olhos e já apagava em seguida. Não tinha percebido ainda, mas provavelmente já tinha febre (a reação alérgica que citei antes). A corrida custou 15 soles. Paguei e, quando fui descer, senti que alguém puxou minha mochila. O cara que tentou roubá-la deve tê-la achado muito pesada, e agarrou então meu iPhone, que estava na minha mão.

Minha mochila caiu no chão e ficamos nós dois, eu e o ladrão, lutando pelo iPhone. Ele gritava: “dame! Dame! Dame!”, e eu respondia: “no! No! No!”. Ele puxava o telefone, empurrava meus braços (fiquei com alguns hematomas). Eu senti que estava prestes a perder a luta: ia ficar só com a capinha nas mãos. Foi então que, instintivamente, decidi gritar com toda a força dos meus pulmões. Não pedi socorro, nem disse uma palavra específica, apenas emiti um berro de horror, como gritaria se estivesse sendo esfaqueada ou algo do tipo. O cara deve ter se assustado e saiu correndo. O taxista maldito ainda estava parado ali. Assim como dezenas de outras pessoas ao meu redor, apenas olhava, sem mover um músculo para me ajudar. Juntei todas as minhas coisas e entrei no terminal, muito atordoada. Imagino que se eu estivesse em condições normais de funcionamento, sem cansaço, susto e febre, teria gritado: “AQUI É BRASIL, MALUCO! Tá achando que me arranca o iPhone fácil assim? Não sou gringa, não, trouxa!”

Eis minha terceira dica: se possível, não vá de jeito nenhum à região de La Victoria. Se precisar mesmo ir, esteja muito atento, com todos os pertences bem guardados, sem celular, câmera ou relógio à vista, saia do táxi e entre no terminal o mais rápido possível. Lá dentro é tranquilo, o terminal é pequeno e tem seguranças na porta.

Interior do terminal de ônibus da Soyuz/PerúBus

Meu ônibus (que custou 28 soles) saiu só às 19h, e chegou a Pisco quase 23h. A viagem foi terrível. Sofria de calafrios, tonturas, apagava e acordava sem saber onde estava. De acordo com o e-mail que eu havia recebido do meu hostel, no terminal da Soyuz em Pisco eu encontraria uns táxis coletivos, que custariam 1 sol para chegar ao centro de Pisco. Lá eu pegaria outro desses táxis coletivos até Paracas, por 5 ou 6 soles. A corrida num táxi privativo deveria custar 20 soles. Naquele horário, porém, não achei nenhum desses táxis coletivos, e me cobraram 30 soles pelo privativo. Tentei negociar, mas não teve jeito. Era tarde, o lugar era bem estranho, na beira da estrada, sem nada por perto, e eu estava mais ou menos à beira da morte. Aceitei.

Entrei num carro ainda mais podre que aquele táxi golpista em Lima. Nem cinto de segurança havia. O carro tremia e fazia um ruído (aquele tátátá de fusca velho, sabe?) muito alto, enquanto o motorista, sem me dirigir palavra nem sequer me olhar na cara, tocava por uma estrada escura que eu rezava para ser a que me conduziria a Paracas. A viagem levou entre 20 e 30 minutos, que me pareceram uma vida. Eu ia pensando: “é isso. Acabou. É hoje que serei estuprada, roubada, morta. Não necessariamente nessa ordem”. Enfim, vi a placa “Bienvenido a Paracas” e respirei aliviada.

Aí está minha quarta dica, especialmente para mulheres que viajam sozinhas: programem-se para chegar cedo nas cidades. Pode ser bastante assustador chegar a um local desconhecido à noite, sem conhecer ninguém, com sua cara de estrangeira.

Cheguei ao hostel Kokopelli, que recomendo bastante a quem passar por Paracas. Fui bem recebida, reservei meus passeios para o dia seguinte e logo fui acomodada no meu dormitório, dividido com mais 5 pessoas. Coloquei minha bagagem no locker, comprei uma água no bar (onde estava rolando uma festa animada ao som de hip hop) e fui tomar um banho. Levei um susto gigantesco ao ver meu rosto no espelho, inchado e muito vermelho. Ao tirar a roupa, vi que meu corpo inteiro estava vermelho e quente como se eu tivesse tomado um torrão ao sol. Após o banho, fui dormir. Acordava ensopada, em seguida congelava, tremia, tinha calafrios. Uma hora acordei com a cabeça explodindo e levantei para tentar achar um remédio na mochila. Desmaiei. Acordei no piso gelado, com minha lanterninha acesa, caída ao meu lado. No quarto, todos dormiam.

Esse foi o momento mais triste da viagem. Perguntei-me o que eu estava fazendo ali, longe de casa, sozinha. Queria demais alguém conhecido que eu pudesse apenas abraçar e chorar. Queria minha mãe pra me fazer um chazinho e dizer que ia ficar tudo bem. Subi a escada para o meu colchão, na parte de cima de um dos beliches, e chorei baixinho até dormir, sentindo as bochechas arderem de febre.

A boa notícia é que TUDO que podia acontecer de ruim nessa viagem aconteceu no meu primeiro dia, e daí para frente foi só alegria. Eu juro! Conto mais no próximo texto. 🙂

Cave Colinas de Pedra

Um dia eu espero que meu trabalho me permita viajar com muito mais frequência do que hoje. Enquanto esse dia não chega, faço o que posso para dar pequenas escapadas da rotina. E sabe como eu chamo meus passeios e viagenzinhas curtas, de um ou dois dias? Mini-férias! Especialmente se for para conhecer um lugar novo e lindo, como meu marido e eu fizemos no domingo, dia 19/04.

Em minhas constantes buscas por atrações próximas de casa, descobri a Cave Colinas de Pedra, inaugurada há pouco mais de dois meses, em Piraquara-PR, a apenas 30 km de Curitiba. Imagine um túnel de trem construído no Brasil Império (por onde passava a Maria Fumaça), transformado por um empresário visionário numa cave para maturar espumantes. Imagine, agora, uma estação de trem desativada, totalmente restaurada e transformada num restaurante, onde os pratos são elaborados cuidadosamente para harmonizar com os espumantes. Imagine, por fim, que tudo isso está localizado no meio da Mata Atlântica, na Terra dos Mananciais e Nascentes do Rio Iguaçu, Patrimônio Natural Tombado em 1986 pelo Governo do Estado do Paraná. Imaginou?

EstaçãoVista da estação

A realização desse projeto é resultado do empenho do fundador, Ari Portugal, para transformar um sonho em realidade. Em 1999, ele adquiriu uma área de 45 hectares, nos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova. Seu objetivo, então, era construir uma pousada ecológica. Desde então, o Sr. Ari começou a cuidar da manutenção estação ferroviária, ainda que não fizesse parte de sua propriedade, a fim de evitar a destruição pela ação do tempo e de vândalos. No ano seguinte, a extinta Rede Ferroviária Federal S.A – RFFSA colocou à venda, em leilão público, a estação, o túnel ferroviário desativado, localizado a 140 metros da estação, e uma litorina sucateada. Todos foram arrematados com a intenção de integrar o projeto da pousada.

Quando alguém sugeriu ao Sr. Ari que o túnel poderia ser uma cave de maturação de espumantes, ele poderia ter descartado a ideia – afinal, ele não tinha qualquer experiência na área. Em vez disso, ele começou a estudar os meios para viabilizar o projeto. O túnel foi fechado nas duas entradas e, por dois anos consecutivos, foram realizados testes diários de temperatura e umidade, além de contatos e pesquisas com profissionais do vinho.

Interior do túnel.

Estrutura em policarbonato que abriga o maquinário, é uma homenagem às estações-tubo de Curitiba.Espumante brut rosé

Ao final do período, constatou-se que a temperatura interna variava apenas 1°C ao longo de todo o ano, 16°C no inverno e no máximo 17°C no verão. Em poucas palavras, o sonho de todo produtor de vinhos espumantes! O túnel, construído em 1883, conta com 429 metros de extensão, 5 metros de altura e 3,5 metros de largura. A capacidade de armazenamento atual é de 50.000 garrafas, porém existe uma cave reserva, podendo elevar esse número a 500.000 garrafas.

O Sr. Ari firmou uma parceria com a tradicional vinícola Cave Geisse, do Rio Grande do Sul, responsável pela primeira fase de elaboração do espumante. A Cave Colinas de Pedra faz a guarda, maturação e processos finais do vinho espumante, pelo método de elaboração Champenoise, que compreende a rèmuage, dégorgement, adição do licor de expedição, rolha, gaiola e rotulagem.

A antiga estação de trem foi totalmente reformada, com o cuidado de recuperar suas características originais quase na íntegra. O almoço servido no restaurante é no formato finger food. O cardápio inclui queijos, pães, patês, bruschetas, saladas e pratos quentes à vontade, todos em pequenas porções – o que é excelente, pois a apresentação é tão linda e o sabor tão gostoso a gente quer experimentar tudo. As sobremesas também são deliciosas, com destaque para as tortinhas banoffi e de limão. Fomos atendidos por filhos do Sr. Ari, que recebem os visitantes como quem acolhe amigos na própria casa. A esposa do Sr. Ari coordena a elaboração dos pratos.

Moqueca de camarão - uma das opções de pratos quentesMesa de finger food

SaladinhasSobremesas

A velha litorina – um carro-passageiro fabricado na Philadelphia-USA, na década de 60 – foi restaurada e serve como Vagão Gourmet, onde são servidos diversos tipos de chás, cafés, espumantes e chocolates quentes. Ao lado dela, uma cama elástica faz a alegria das crianças.

Litorina e pula-pulaInterior da litorina

A visita ao túnel é conduzida pelo próprio Sr. Ari, que faz questão de contar aos visitantes os detalhes dessa história e explicar de forma clara e didática os passos da elaboração e maturação do espumante. Um carrinho elétrico sobre trilhos conduz até 15 passageiros, num trajeto de 154 metros até o interior do túnel, onde as garrafas ficam maturando por, no mínimo, 2 anos, período em que o vinho espumante ganha complexidade. Ao final do passeio, há uma degustação de espumantes.

Descanso sob as árvoresVista de um dos quiosques

Se tudo isso não bastasse, é possível fazer diversas trilhas ecológicas pela propriedade, relaxar numa confortável poltrona sob um dos gazebos, fazer um piquenique, descansar numa rede, ler um livro. E quando eu achava que não podia ficar melhor, soube que, a partir desse sábado, será possível também fazer passeios panorâmicos de helicóptero.

Com tudo isso, não é surpresa que, embora tão recente, o empreendimento já tenha recebido diversas premiações e o reconhecimento do setor, antes mesmo de sua inauguração. Em setembro de 2012, no II Congresso Latino Americano de Enoturismo, Bento Gonçalves-RS, foi informalmente eleito “case inédito” do congresso. Em janeiro de 2013, a rede de televisão alemã SWR- TV produziu longo documentário sobre a Cave Colinas de Pedra, que foi ao ar para o público europeu em fevereiro de 2014. Em junho de 2013, o projeto recebeu pesquisadores da Chaire UNESCO Culture et Traditions du Vin, para realizar um trabalho, apresentado no início de outubro do mesmo ano, no Rencontres du Clos-Vougeot, na cidade de Dijon – França, importante evento da UNESCO. Em novembro de 2014, o projeto foi apresentado também no 37th World Congress of Vin and Wine, em Mendoza – Argentina. Em janeiro de 2015, a RPC TV (afiliada da Rede Globo no Paraná) produziu um documentário sobre o projeto em seu programa semanal “Meu Paraná”, levado ao ar no dia 10 de janeiro do mesmo ano, e posteriormente no canal Globo News.

Ari Portugal.
nós na escada
Marido e eu.

Eu fiquei encantada com o lugar e certamente voltarei em outras oportunidades. É um passeio excelente para um dia de sol, para aproveitar as belezas naturais ao ar livre, mas que funciona bem também nos dias nublados ou chuvosos, quando se pode curtir o almoço delicioso, acompanhado de um espumante de excelente qualidade, e ainda visitar o túnel.

É imprescindível fazer reserva com pelo menos 3 dias de antecedência, através do site, onde constam todas as informações necessárias: localização, valores, formas de contato. A Cave aceita cartões de crédito e débito.

O tremInterior da estação

Projeto 365 dias: dia 11 – Parque Estadual Vila Velha

O programa desse domingo foi um piquenique e trilha num lugar que não visitava havia muitos anos: o Parque Estadual Vila Velha, em Ponta Grossa-PR, na companhia do marido, amigos e minha mãe. ❤

Devido a uma forte dor de cabeça, hoje vou deixar esse post só com algumas fotos do delicioso passeio, e amanhã escrevo a respeito. 🙂

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Walt Disney World parque a parque – Hollywood Studios

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O chapéu de feiticeiro do Mickey, inspirado no filme clássico Fantasia, da década de 1940, é o símbolo do Hollywood Studios desde 2001, quando foi colocado no parque para comemorar o centenário de Walt Disney. Porém, os administradores do parque informaram que ele será retirado em 2015. Ainda não sabemos pelo que ele será substituído.

O segundo parque que visitamos em nossa viagem a Orlando, e o meu preferido entre os da Disney, foi o Disney’s Hollywood Studios (antigo MGM). Inaugurado em 1º de maio de 1989, ele é o menor dos quatro parques do Disney World na Flórida, e prova que tamanho não é documento!

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Dedicado ao cinema, o parque é dividido em seis áreas: a Hollywood Boulevard é como se fosse a Main Street do Hollywood Studios, uma rua ambientada nos anos 50 que começa na entrada do parque, e vai até a praça com o grande chapéu de feiticeiro do Mickey, que é hoje o símbolo do parque (mas será removido em 2015); a Echo Lake, uma área em torno de um pequeno lago,com um dinossauro dentro; a Streets of America, com fachadas que lembram as cidades de Nova Iorque e San Francisco; a Animation Courtyard, que abriga algumas atrações baseadas nos filmes animados da Disney; a Pixar Place, dedicada aos filmes e personagens criados pela Pixar Animation Studios; e a Sunset Boulevard, inspirada na rua homônima que atravessa as cidades de Los Angeles e Beverly Hills, na Califórnia.

Veja as atrações que conhecemos nesse parque e o que achamos delas:

– Rock ‘n’ Roller Coaster Starring Aerosmith: a montanha-russa do Aerosmith é uma das atrações mais divertidas do parque.

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Em frente à atração, somos saudados por uma guitarra vermelha gigante (uma Fender Stratocaster). Depois da fila, adentramos o edifício que reproduz os escritórios e estúdios de gravação da gravadora G-Force Records. Numa sala com vista para o estúdio de gravação, vemos os membros do Aerosmith terminando uma sessão de gravação. A empresária da banda, interpretada por Illeana Douglas, informa que eles estão atrasados para um show. Steven Tyler lamenta ser forçado a deixar os fãs e consegue ingressos para o backstage. A empresária pede uma limousine super longa para irmos ao “Forum” (famosa casa de shows de Los Angeles). Saindo do estúdio de gravação, passamos por um beco até embarcar na “limousine”.

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A limo para na entrada de um túnel, onde aguardamos uma contagem regressiva. O carro é lançado para dentro do túnel enquanto ouvimos canções da banda diretamente de alto-falantes instalados no carrinho, que acelera de 0 a 92 km/h em 2,8 segundos. A montanha-russa passa por três inversões, num percurso que pretende simular as freeways de Los Angeles. A atração termina quando a limousine chega aos bastidores do show do Aerosmith, deixando-nos num tapete vermelho. Imperdível!

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Nossa primeira vez na Rocn’n’Roller Coaster.
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Nossa segunda vez na Rock’n’Roller Coaster. O rapaz atrás de mim mandando um cumprimento vulcano.
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Nossa terceira vez na Rock’n’Roller Coaster. Já deu pra soltar os braços. O rapaz atrás do André parece entediado.

– The Twilight Zone Tower of Terror: a Torre do Terror é outra atração absolutamente imperdível do parque. Inaugurada em 1994, a atração já foi aperfeiçoada diversas vezes.

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A torre vista de fora. Dá para ver quando as janelas se abrem e as pessoas lá dentro gritam antes de o elevador despencar!
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A decoração no interior da Torre é incrível.

Ao entrar no prédio do antigo hotel, perfeitamente ambientado, somos conduzidos à sala da biblioteca, onde assistimos a uma apresentação de Rod Serling (criador e narrador da série “The Twilight Zone”), descrevendo os eventos ocorridos no local, onde um fenômeno sobrenatural provocou o desaparecimento de cinco hóspedes no Halloween de 1939.

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Hall de entrada
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Hall de entrada

Em seguida, caminhamos até a sala de manutenção do elevador, que continua em operação. Já dentro dele, recebemos as instruções do funcionário do hotel, que informa, em tom irônico e sombrio: “se precisarem de algo, não hesitem em gritar”.

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Os funcionários perfeitamente caracterizados.

O elevador nos conduz pelos corredores do prédio, onde vários efeitos especiais tornam a jornada incrível. Finalmente, o elevador sobe ao topo do edifício, no 13º andar, abre as janelas, possibilitando que vejamos de que altura despencaremos a seguir… Essa é só a primeira queda, pois o elevador volta a subir, abrir as janelas e despenca novamente! Em 1999, a atração passou por uma renovação e, desde então,  a queda é programada de modo aleatório pelo computador. Assim, cada experiência é única, pois nunca se sabe em qual andar o elevador vai parar. Sensacional!

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A moça empolgada de regata vermelha e braços para o ar sou eu.

– Star Tours: junto com as duas atrações anteriores, esse simulador do filme Star Wars, criado com a ajuda do diretor George Lucas, forma a tríade das atrações mais imperdíveis do parque. Depois de passar pelos robôs “C3PO” e “R2D2” e por um vilarejo Ewok, entramos na nave que será conduzida pelo atrapalhado robô humanoide RX-24. Muito divertida!

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– Fantasmic! Como o Hollywood Studios é um parque pequeno, muita gente vai embora cedo, e acaba não vendo o espetáculo Fantasmic. Não faça isso! Esse é o mais diferente dos shows da Disney, misturando projeções em cortinas d’água, personagens, luzes, cenários, fogos… É indescritível e mágico! Infelizmente nesse dia acabou a minha bateria então não consegui fotografar. De qualquer maneira, não creio que alguma foto faça jus ao que você verá lá!

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– Toy Story Mania! Atração nova e muito bem feita, desde a fila interativa. Cada carrinho comporta até 8 pessoas, e cada uma recebe óculos 3D e deve usar a pistola a sua frente para acertar alvos e acumular pontos. Embora seja mais infantil, é divertida e vale a pena, mas o FastPass+ é fundamental, pois as filas são gigantescas.

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Pela área do Toy Story, circulam esses simpáticos e hilários soldados de plástico.

– Lights, Motors, Action!® Extreme Stunt Show: esse espetáculo superou minhas expectativas. Vários carros, motocicletas  e jet-skis fazem acrobacias incríveis diante dos nossos olhos. A área comporta até 5.ooo pessoas para assistirem o show, que simula a gravação de um filme de ação. Imperdível!

– Muppet*Vision 3-D: o filme é antiguinho e os efeitos estão bem desatualizados. Só veja se sobrar tempo, afinal, é um clássico.

– Walt Disney: One Man’s Dream: essa atração mostra como Disney desenvolveu sua obra. Conta com réplicas, projetos e até mesmo a reprodução do escritório de Walt Disney. Legal para quem é fã.

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Disney e eu – o encontro de dois visionários.

Fomos ainda a algumas atrações mais sem graça que nem merecem ser mencionadas. Perdi outras às quais queria muito ter ido – fica para a próxima: o musical da Bela e a Fera, o show com as aventuras de Indiana Jones e The Great Movie Ride, uma grande tela que relembra os melhores filmes já produzidos. Para ver a Bela e a Fera eu teria que abrir mão de um FastPass+, o Indiana Jones foi no mesmo horário que oLights, Motors, Action!® e a Great Movie Ride já estava fechada quando chegamos a ela. Uma pena.

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O parque já estava fechando e eu achava que nada mais de mágico iria acontecer naquele dia. Mas então o donut gigante com cobertura de chocolate aconteceu. ❤

Amamos esse parque e certamente voltaremos um dia!

Walt Disney World parque a parque – Magic Kingdom

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Dragão cospe fogo na parada Festival of Fantasy.

 

O primeiro dos quatro parques da Disney que visitamos foi o Magic Kingdom, numa segunda-feira. Normalmente, isso não seria uma boa ideia, justamente porque é o que a maior parte dos turistas faz (chegar no domingo e começar pelo MK na segunda-feira). Mas como fomos numa época bem tranquila (primeira semana de novembro), isso não fez muita diferença.

Ao estacionar o carro, recomendo fotografar a plaquinha do setor do estacionamento em que você parou, para não correr o risco de perdê-lo para todo o sempre. O estacionamento é tão grande que você pega um trenzinho para levá-lo às estações de transporte. Caso você esteja hospedado num hotel da Disney e use o ônibus do resort, ele o deixará já nessas estações.

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Fotografe o setor em que parou seu carro ou anote em um lugar seguro.

Aí você escolhe como quer chegar lá: de monorail (trem suspenso) ou balsa. Vá de monorail e volte de balsa para ter a experiência completa!

O Magic Kingdom é dividido em seis “terras” temáticas: Main Street, U.S.A., a rua de entrada, ambientada como uma pequena cidade estadunidense no início do século XX; Adventureland, representando os mistérios de terras estrangeiras; Frontierland, que homenageia o Velho Oeste dos cowboys e nativos americanos; Liberty Square, que se baseia numa vila colonial da Revolução Americana; Fantasyland, ao estilo de feira medieval; e Tomorrowland, que representa o futuro como imaginado na década de 50.

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Torre da Rapunzel

O parque é projetado de forma circular, com o centro em frente ao Castelo da Cinderela. Há quem sugira que se percorra o parque no sentido anti-horário, começando pelo lado direito do castelo, pois a maior parte das pessoas faz o contrário. Acontece que se você chegar com seus FastPasses reservados (o que é altamente recomendável, diria até indispensável, como já expliquei aqui e aqui), e se a sua reserva for para um dos primeiros horários (o que eu recomendo também), você naturalmente vai começar pelo lado em que estiverem as atrações reservadas.


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O Magic Kingdom foi o primeiro parque temático do Walt Disney World a ser construído. Inaugurado em 1º de outubro de 1971, é o mais clássico e tradicional: é a imagem dele, com o lindo castelo da Cinderela, que vem à sua cabeça quando você pensa em Disney. Aliás, muita gente acha que o Magic Kingdom é “a Disney”. Como meu marido e eu nunca tínhamos ido a qualquer dos parques da Disney, para mim era inconcebível deixar esse de fora na nossa viagem. Mas confesso que não conhecemos todas as atrações. Algumas pareceram muito infantis e/ou tinham filas mais longas do que estávamos dispostos a enfrentar.

Ouso dizer que a principal atração desse parque é justamente sua atmosfera mágica, com a música de fundo, os personagens e cenários que encantam os pequenos e transportam os grandes de volta à infância. Mas ele é com certeza um parque mais interessante para crianças que para adultos. Não há nenhum brinquedo radical, e muitos deles são mesmo, como já disse, bem infantis. Veja a seguir as atrações que nós conhecemos e o que achamos de cada uma delas:

– Big Thunder Mountain Railroad: situada em Frontierland, é uma montanha-russa ambientada no Velho Oeste. Não há inversões e loopings, apenas alguns mergulhos rápidos e curvas intensas. A decoração é feita com equipamentos de mineração de verdade, além de diversos bonecos animados. A trilha sonora é formada por músicas ao estilo do Velho Oeste Americano. Foi a primeira atração que visitamos e achamos divertida, adequada para toda a família. Dica do Viajando para Orlando: experimente o passeio à noite. Dizem que é lindo e ainda mais emocionante, pois não é possível antecipar as curvas.

– Splash Mountain: também localizada em Frontierland. Já na entrada uma placa avisa que você poderá se molhar. As chances disso acontecer são muito maiores se você estiver na primeira fila do barquinho, que comporta até oito passageiros. Por via das dúvidas, leve uma muda de roupa para trocar, especialmente se não estiver num dia muito quente. A atração é inspirada num desenho animado de 1946 chamado “Song of the South”. Na história, o personagem principal, um coelho chamado Brer Rabbit, é perseguido por Brer Fox e Brer Bear. O passeio dura cerca de onze minutos. Sorria para a foto durante a queda, em que o barquinho atinge a velocidade de 70 km/h. Essa fotografia é um clássico absoluto: lembro de quando era criança e os coleguinhas da escola que já haviam ido para a Disney ostentavam essa foto como um troféu. Agora eu também tenho a minha. 🙂

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O casal empolgado na última fileira somos nós.

– Space Mountain: essa montanha-russa no escuro, criada pelo próprio Walt Disney,fica em Tomorrowland. Num passeio de cerca de 3 minutos, fazemos uma viagem espacial. Embora a velocidade não seja muito alta (máximo de 45 km/h), as luzes causam a ilusão de que o seu foguete está indo mais rápido. Atração bem divertida.

– Seven Dwarfs Mine Train: a montanha-russa dos Sete Anões, situada em Fantasyland, foi inaugurada em maio de 2014. Por ser tão nova, tem filas enormes. Conforme nos aproximamos da entrada da atração, existem algumas brincadeiras interativas.O carrinho, feito de madeira, reproduz os vagões do trem que transporta materiais na mina do filme. O percurso de cerca de 3 minutos alterna trechos acelerados na parte externa, com passeios lentos no interior da mina, onde podemos ver os anões trabalhando em meio a pedras preciosas. No fim, é possível ver a casa dos Sete Anões, reproduzida nos mínimos detalhes. Pela janela, vemos Branca de Neve dançando com o Dunga, enquanto os outros anões tocam instrumentos musicais. Embora seja uma atração fofinha e sem fortes emoções, somente crianças com mais de 38 polegadas (equivalentes a 96,52 cm) podem embarcar.

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A maior fila que pegamos na Disney foi na montanha-russa dos Sete Anões.
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Jogue as mãos para cimaaaa!
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Marido e eu super empolgados.
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A casa dos Sete Anões

– Haunted Mansion: localizada na Liberty Square, é uma das minhas atrações preferidas no Magic Kingdom! A Mansão Mal-Assombrada conta com efeitos especiais incríveis. No caminho até ela, após passar pelo portão de entrada, encontramos estátuas, lápides com inscrições divertidas e instrumentos musicais invisíveis, entre outras atividades interativas a serem exploradas.

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Estátuas divertidas a caminho da Mansão.
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A tumba do capitão que morreu afogado ainda lança alguns jatos d’água.

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Na entrada, o mordomo nos conduz até uma ante-sala onde recebemos as boas-vindas de um fantasma: “Welcome, foolish mortals, to the Haunted Mansion! I am your host, your ghost host. Kindly step all the way in please and make room for everyone. There’s no turning back now.” (“Bem-vindos, tolos mortais, à Mansão Mal-Assombrada! Eu sou seu anfitrião, o seu anfitrião fantasma. Por gentileza, sigam até o final para que haja espaço para todos na sala. Agora não há mais volta.”). Na sala seguinte, fica a dúvida: é o chão que está descendo ou o teto que está subindo? Ao embarcar no carrinho, somos levados num passeio de sete minutos para conhecer os demais cômodos da mansão, onde veremos fantasmas dançando no salão de baile, a médium Madame Leota numa bola de cristal, objetos flutuantes, quadros enfeitiçados, a noiva maldita e muito mais. No final, algum fantasma pode tentar pegar carona no seu carrinho… A atração é super divertida, mas pode assustar crianças pequenas.

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Fachada da Mansão Mal-Assombrada, uma das atrações mais legais do parque.

– Little Mermaid Ariels Undersea Adventure: no mesmo estilo de diversas atrações da Disney, essa aventura da Pequena Sereia, localizada na área mais nova de Fantasyland, consiste num carrinho (uma concha) em que embarcamos para percorrer um caminho vendo bonecos animados reconstituindo cenas do filme. Eu sou fã da Pequena Sereia, então achei bonitinho, mas é bem infantil.

– Cinderella Castle: situado na entrada de Fantasyland, o ícone do Magic Kingdom é a estrutura mais fotografada do mundo! Foi inspirado em diversos castelos europeus, especialmente no Castelo de Neuschwanstein na Baviera, Alemanha. Sua construção levou 18 meses, e foi concluída em julho de 1971. Do fundo do fosso até a ponta da torre mais alta (a do relógio), o castelo mede 190 pés (57,91 m) de altura. Um truque ótico implementado pelos arquitetos força a perspectiva, fazendo com que o Castelo da Cinderela pareça maior do que realmente é.

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Selfie no Castelo.

Tire muitas fotos de todos os ângulos possíveis. Veja os murais em seu interior, contendo mais de um milhão de peças de vidro com aproximadamente 500 cores diferentes, que contam a história de Cinderela.

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O Castelo iluminado, sob a neve artificial caindo, visto da Main Street.

Dentro do castelo há também um restaurante, extremamente concorrido (as reservas começam com 180 dias de antecedência e, dependendo da época, 5 meses antes já estão esgotadas).Uma refeição no restaurante do castelo pode ser uma atração imperdível para fãs das princesas da Disney. Saiba tudo no Andreza Dica & Indica Disney. Como não poderia deixar de ser, o castelo tem uma suíte real. Mas ela, literalmente, não tem preço, pois somente convidados exclusivos podem realizar esse sonho.Ela também é utilizada para eventos de caridade promovidos pela Disney. Foi construída especialmente para a família do fundador, mas Walt Disney morreu em 1966, cinco anos antes da inauguração do Magic Kingdom. Depois disso, o quarto foi escritório, almoxarifado e local para os funcionários vestirem as fantasias dos personagens. Até que, em 2005, foi transformado numa suíte de luxo, que acomoda até seis pessoas em seus 60 m². Decorada com móveis dos séculos XVII e XVIII, conta com lareira com controle remoto, jacuzzi com luzes cromoterápicas, e um retrato da Cinderela que se transforma em televisão. A promoção “Year of a Million Dreams – Ano de Um Milhão de Sonhos”, entre 2006 e 2008, sorteou felizardos que ganharam diversos prêmios, dentre eles o pernoite na suíte mágica da Cinderela. Ah, fique atento também aos vários espetáculos e paradas que acontecem durante o dia em frente ao Castelo.

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De dia.
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De noite.
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De lado.
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À noite, o castelo ganha cores diversas.

– Main Street Electrical Parade: uma das paradas mais bonitas. Conduzida pela Tinker Bell (Sininho), conta com efeitos especiais e iluminação LED nos carros que conduzem vários personagens queridos de crianças entre 2 e 102 anos de idade. Consulte o calendário da Disney para saber os horários.

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– Wishes Nighttime Spectacular: o espetáculo começa com projeções incríveis no castelo e termina com um show de fogos de tirar o fôlego. Absolutamente imperdível.

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– Walt Disney World® Railroad: as quatro locomotivas a vapor fazem um passeio de vinte minutos, partindo da estação na entrada da Main Street. Há paradas em Frontierland e Mickey ToonTown Fair. É um jeito diferente de ver o parque, e passa por vários lugares bonitos.

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Selfie na locomotiva.

– Celebrate A Dream Come True Parade: mais uma linda parada com os personagens da Disney.

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Woody dançando animado.

 

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Balu! Necessário!

Como disse antes, deixamos de visitar diversas atrações, especialmente as mais infantis e aquelas com filas muito longas. Mas fiz toda a minha lista de prioridades. Também estávamos bastante cansados no dia em que visitamos o Magic Kingdom, pois passamos o dia anterior camelando no Sawgrass Mills, em Miami, considerado o maior outlet do mundo. Depois eu dirigi até Orlando, onde chegamos tarde da noite, e acordamos bem cedo para ir ao parque. Chegou um momento em que não aguentávamos mais fazer nada, e voltamos outro dia somente para ver os fogos (Wishes).

Veja a lista completa de atrações do parque aqui.